A BANDA



Para analisarmos os comportamentos e as idéias de homens de idades diferentes, nada melhor que colocarmos todos eles juntos e isolados do resto do mundo. E daí vem o grande ponto para a explosão contida do roteiro de A Banda, filme dirigido por Eran Kolirin, com bastante delicadeza, mas sem perder o fio da dramaturgia.

Esta banda tem uma apresentação marcada na inauguração de um centro cultural árabe em Israel. Já nos segundos iniciais, a primeira barreira burocrática, já os coloca no caminho errado. As barreiras sociais e comportamentais são apenas leves brisas que se tornam em uma tempestade para quem não perde a rédea principal do filme. No jogo de cintura a banda consegue chegar a Israel, mas logo percebem que estão perdidos, no meio do deserto. Por mais que possa haver uma conotação religiosa e política no meio dessa jornada, ela se confunde com a urgente modernidade e a tecnologia falha desta perdida cidade Israelense pálida, sem muitas cores e distante.

Entre a barreira da língua da banda e dos nativos, a diferença de idade entre os integrantes e traumas da vida, poderiam criar o conflito necessário que é trocado pelo silêncio. O que, de certa forma, trás um desespero maior para a banda e para o espectador. Obrigados a passar a noite em locais diferentes, podemos conhecer um pouco mais de cada integrante, com leves pinceladas de acordo com a importância do personagem para a trama, mas sem tirar o brilho de cada um.

Os mais novos inexperientes tiram proveito da noite de folga para aprender ou adquirir mais experiência. Os mais velhos, contemplam por quanto tempo ainda estarão na terra. Isso tudo é da interpretação de cada um na verdade, pois Eran prefere deixar um livro aberto para diversas interpretações.

O filme é como uma viagem de ônibus ou um passeio na rua, onde podemos olhar para uma pessoa e tentar adivinhar de onde ela é, por que ela está ali e como ela se sente. Tudo com extrema delicadeza, mas sem perder por um momento o fio condutor de toda história, que é o amor pela música, que por quase todo filme é inexistente, apenas as que estão justificadas em cena. E esse passeio pode ser político, sentimental, para sobrevivência, amor ao próximo, o que for. Erin fez uma delicada obra-prima em sua estréia como cineasta e que merece atenção.
 
★★★★
  A Banda (Bikur Ha-Tizmoret, Israel 2007) de Eran Korilin

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