AMOR SEM ESCALAS

 

Agendas lotadas, pressa, ostentação e muitos voos. Some a isso comidas artificiais, distanciamento e responsabilidades. Jason Reitman resolveu colocar a contemporaneidade em uma balança de forma bem humorada, sem apelar para um escape romântico ou um núcleo especialmente cômico em Amor Sem Escalas. Por outro lado, Reitman esnoba a natural maturidade de quem dirige seu terceiro filme para seguir uma “descolada” e já senil fórmula ao apresentar seus personagens longe de uma imunidade emocional.

Se eles mantêm relações plastificadas com a desculpa de não distorcer suas rotinas ou o que preferem chamar de “vida real”, lá está o posicionamento da autodefesa sob um cínico olhar, principalmente de Ryan Bingham, vivido por George Clooney que ganha seu salário para demitir funcionários de empresas afetadas pela crise que massacra os Estados Unidos. Por outro lado, existe a eminência de se viver bem acompanhado e usufruir o que a vida oferece de melhor, mesmo que tal realização seja assumidamente falsa.

A montagem eficaz mostra como Ryan exerce com louvor sua função, viajando e colecionando milhas aéreas como se fosse levá-las para uma próxima vida. Toda essa fidelidade de Ryan à sua empresa carrega uma profundidade interessante para discutir esse desapego a valores comuns para adotar uma vida afogada em compromissos profissionais. Por outro lado, quando Reitman trata de assuntos emocionais, o diretor aposta em saídas batidas e diálogos frouxos.

Essa separação brutal em dois núcleos cria uma irregular equivalência de valores sentimentais e profissionais, que o diretor espera para uni-los em um momento apropriado – nada mais clichê que isso – deixando gritante a intenção principal do roteiro. Amor Sem Escalas não inova ao que diz respeito à filmografia de Reitman, mas possui ótimas idéias para ser um bem humorado alerta sobre a cartilha do bon vivant dos dias atuais.

Amor Sem Escalas (Up in the Air, EUA, 2009) de Jason Reitman

Comentários

  1. Jason Reitman se tornou foda pra mim, três filmaços! E sim, concordo plenamente desse ser um dos mais presentes nessa temporada de premiação, mais ainda é o tema do filme nada comum! Nota 9.0

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  2. Juno é tão bom... :)

    E gostei bastante de Up In The Air, sabe que não achei cliche?

    o Reitman tá cada vez melhor...

    Abs

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  3. Nas Nuvens é um bom filme - sensível e humano - que não deixa de ser extremamente sobrevalorizado à face de todos os prémios e nomeações que tem conseguido, mas que se torna perfeitamente compreensível. A situação actual - ainda mais a norte-americana - é a mesma de Up in the Air. Chegou na altura certa e com isso Jason Reitman soube ser inteligente. É dramático, comovente e veraz, mas não deixa de ser um feel good movie, mesmo nos desfechos mais tristes.

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  4. Sério? Juro que eu esperava mais que apenas um bom filme. Afinal, adoro o Cinema de Reitman.

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  5. Eu acho o filme mais fraco dele e não achei a atuação do Clooney nada brilhante. Filme legalzinho, bem feito e tal. Mas no fundo, ela é apenas competente (o que algumas vezes já pode ser considerado um feito).

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  6. Quando vejo esse tipo de blog, me interesso em continuar pesquisando, para encontrar mais material igual a esse.

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