SIMON WERNER DESAPARECEU...


Transgressor no ato de mapear suas referências, Fabrice Gobert opta pelo caminho contrário na hora de construir sua narrativa em Simon Werner Desapareceu...: o diretor utiliza uma metodologia contemporânea desgastada principalmente após a premiação de Paul Haggis por Crash – No Limite - ilustrar diversos pontos de vista sob o mesmo evento, costurando a unidade.

Títulos como Quase um Segredo e 2h37 são inevitáveis comparações, principalmente pela análise rasa do inconsciente coletivo adolescente e a forma implícita com que Gobert sugere o mistério explicitado pelo título do filme. Porém, Simon Werner desapareceu...guarda forças na duplicidade do roteiro: enaltecida pela obrigatoriedade do gênero e por anos de pregação hollywoodiana, a lógica estará pungente para quem a procura. Gobert guarda análises profundas em momentos reticentes reforçados pela trilha composta pelo grupo Sonic Youth – ligeiros e memoráveis, eles buscam digerir e justificar atos extremos.

E ao fim do primeiro ato, quando é constituída uma bifurcação à Gobert, o diretor toma o caminho mais fácil até o fim – ser representativo pelo imagético, tornar-se refém de soluções previsíveis, usando articulações de um modelo menos compreensível à primeira vista para contornar o que seria a maior problemática do filme: domar o espectador. Consegue, mas o leva à exaustão.


Simon Werner Desapareceu... (Simon Werner a Disparu..., França, 2010) de Fabrice Gobert

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