MISS BALA

Outrora considerada estética marginal ou o ode à sujeira pelos os mais puritanos, a ideia de Miss Bala, hoje, é suficiente para leva-la à candidatura ao Oscar na categoria de melhor filme estrangeiro pelo México. Esta configuração se tornou um subgênero e hoje, com o apoio de grandes estúdios que ao envernizá-lo, leva filmes com esta característica ao êxito comercial; uso os exemplos de Traffic e Tropa de Elite, aproveitando a temática do filme de Gerardo Naranjo para citá-los. Câmera na mão, planos muito fechados, edição frenética e no caso de Miss Bala, a escuridão para alinhar a persona de Laura (Stephanie Sigman), aspirante a miss da Baixa Califórnia que se envolve no mundo de corrupção do tráfico de drogas.

Naranjo lapida os diálogos de sua protagonista; deixa que o derredor fale por ela. Vítima do acaso, ela se torna bode expiatório do grupo La Estrella, o mais perigoso cartel do México, que como qualquer outro país latino-americano, tem ligações com instituições e pode tornar o sonho de Laura em realidade. O desenvolver do longa de Naranjo ainda que implícito, não sai da obviedade – pontuado por sequências de ação que adormecem e se opõem ao lirismo imposto pela narrativa, elas são elucidativas para as articulações do filme, que no fim, espetaculariza a violência no México.

Intimidada pela drástica mudança em sua rotina, Laura está em campos fechados, impossibilitada de respirar pelas câmeras de Naranjo. Em boa parte, não mostra sua face por inteiro. Seu corpo fala mais que as motivações, afinal, ele é a ignição para os sonhos – o dela e dos bandidos. Quando vemos Laura em sua plenitude, iluminada por holofotes, teoricamente completa, Miss Bala transparece o vazio deste objetivo, afinal, ele é sobre os demônios que regem as diversas industrias do vício.

★★★
Miss Bala (Idem, México, 2011) de Gerardo Naranjo

Comentários

  1. Baixei esse filme semana passada, a história me interessou. Que bom que tem boas referências! hahah

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