AMOR


Amor, título sugerido pelo protagonista Jean-Louis Trintignant, é perturbador, como qualquer outro Haneke. Porém, o diretor revela em seu filme vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes outra faceta de seu lado violento em filmes como Violência Gratuita ou A Professora de Piano.

Georges (Jean-Louis Trintignant) e Anne (Emanuelle Riva) vivem em Paris, num amplo apartamento, apaixonados após anos de relação. Apartamento este que ganha dimensões diversas, como a claustrofobia causada por um corpo (seja Anne, seja um livre pombo) ou a imensidão causada pela lentidão dos passos dos personagens. Em ambos espectros, há dor e agonia. A ausência de trilha e os longos planos acentuam tais sensações.

Em Amor, observar é função incômoda, intrusa. O voyeurismo do sofrimento e do fim é a delicada provocação de Haneke em relação à incapacidade; seja de pai ou de filha. Iminente e sem suspenses – como entrega a sequência de abertura do filme, o fim oferece opções plausíveis para uma convivência submissa, mesmo que ela se aproxime da autodestruição. Por amor.

A dor, como elemento narrativo é Haneke como conhecemos; Entendê-la é exercício lento e cru, como a câmera parada, pronta para acenturar a solidão e o desejo de fuga, como a sequência onde quadros ganham a tela. Quadros esses com pinturas da natureza, do mundo externo. O desejo. Justifica-se o entendimento, a força sobrenatural, a renúncia e principalmente a identificação do espectador por uma palavra: amor.

Amor (Amour, Áustria/França/Alemanha, 2012) de Michael Haneke

*colaborou Juliana Pinheiro

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