PHILOMENA




Acerca de seus alicerces, em especial a trilha sonora e a mise en scène, o melodrama busca acima da forma do roteiro clássico, a conciliação. Ainda que muitos deles no cinema contemporâneo rejeitem a ideia de ciclo, de encerramento e sim do reconhecimento e de um ponto pertinente para a sugestão de avanço na fronteira delineada pelo diretor, Philomena transforma-se em um caso curioso, pois o filme se desenrola sob o antigo domínio. 


Em seus primeiros minutos, Philomena entrega seu único objetivo: abre com elementos que o reconheçam como melodrama e traça rapidamente um paralelo entre as trivialidades do ceticismo e da espiritualidade, traduzidos aqui como a sabedoria de um jornalista e a esperança de uma mãe. 


A estranheza oriunda deste encontro após um flashback dispensável – afinal a história é relembrada a cada segundo – parte de interesses, novamente, distantes. A mãe procura o filho. O jornalista procura se reerguer com uma história “para pessoas comuns”. Esta dicotomia é a maior e enfraquecida metáfora sobre o método em que a história se desenrola. Dois conflitos que se resolverão em um só espaço cênico, regidos por um só eixo narrativo, onde um acredita em profundidade e outra na simplicidade. Como se espera, admiração e desprezo são implícitos, e logicamente a primeira hora de filme se resume à aproximação e quebra destas ideias enquanto Philomena (Judi Dench) e Martin SixSmith (Steve Coogan, também roteirista do filme) buscam por justiça, cada um a sua moda.


Philomena é um filme magro justamente por conta de seus apoios. Assumir uma forma não o enfraquece, mas se dilui por não permitir que ele fale por si. Sua meia hora final dá vida às reais intenções de Stephen Frears e ali o longa desenha uma teia interessante entre os personagens, passado e presente, inclusive flertando com outros gêneros. Por esta escolha aguda e o destoante ato final, a sugestão do filme é que se faça a comparação e para qual caminho o filme deveria ter sido desenhado.  

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