TOM NA FAZENDA



Longe da histeria e da etiqueta que seu nome carregou nos últimos anos em festivais no qual havia passado em branco até então, Xavier Dolan, enfim, fez cinema. Tom na Fazenda se configura como um mergulho simples e dinâmico à narrativa e ao gênero sem grandes afetações estéticas e muito mais concentrado nos eixos da obra ao contrário de seus outros filmes, muito mais norteado pela construção de ícones e elementos extracampo. 


No thriller baseado na peça homônima de Michel Marc Bouchard – algo que explica a rédea vista em Tom na Fazenda - as referências são menos argilosas e funcionais. Hitchcock é constantemente lembrado e Gosto de Sangue de Joel e Ethan Coen é um dos títulos que vem à mente pela maneira que Dolan coloca o lado trágico da trama e pelo jogo de sombras. O filme é composto por extremidades e se torna hipnótico pela forma que Dolan insere os planos, sempre exageradamente abertos ou fechados. Eles acentuam a intenção do filme e mostram que a simplicidade no cinema é arrebatadora. 


O filme narra os dias angustiantes de Tom (Xavier Dolan) vividos na fazenda onde a família de Guillaume, seu ex-namorado recentemente falecido mora. Decidido a esconder da mãe a opção sexual do irmão, Francis (Pierre Yves-Cardinal) costura um jogo de gato e rato com Tom. À primeira vista o discurso de Dolan parece redundante a respeito da identidade sexual e o preconceito latente. Porém, com o desenvolver do filme, vemos que a ideia é mais complexa. Em outro plano, a iminência se torna a maior armadilha para o filme, sem grandes opções de desenvolvimento ou de surpresas. 

Curiosamente, quando Dolan sai da zona de conforto - ou de um fashionismo inexplicável -, ele foi premiado pelos críticos no Festival de Veneza. E não há como discordar da formalidade que o jovem canadense apresenta personagens cínicos e perigosos; Tom na Fazenda significa um novo tempo em sua carreira, enquanto revisita os bons tempos de um gênero e brinca com a ilusão de uma obra orgânica, que muda até mesmo a sua janela de exibição e declara sua artificialidade. 

Tom na Fazenda (Tom à la ferme, Canadá/França, 2013) de Xavier Dolan

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