“Niilismo em HD” diz um dos espectadores do espetáculo que se justifica como gameplay e que atravessa certos limiares a respeito de narrativas cinematográficas e formalismo, sobretudo visual. A recepção discreta de Baby Invasion em Veneza reflete um incomodo com a possível assimilação de um exercício feito à base de superficialidades para narrar uma gangue de gamers em tarefa subversiva neste mundo paralelo. O que chama atenção é que o filme de Korine vai pelo caminho oposto desta suposta interpretação. Este talvez seja o filme definitivo a respeito da imagem das primeiras duas décadas do século XXI. A banalização da imagem é inerente à vida moderna. E Korine parte da justificativa do game, mas se esmera nos cortes e nos efeitos visuais sem grandes amarras. O gameplay que remete a dois trabalhos recentes do diretor, Aggro Drift (2023) e Spring Breakers (2012), se falarmos como trama, mas ao longo que Baby Invasion espaça acontecimentos narrativos, sobram os comentários sobre todos os mecanismos e dispositivos que fizeram ou fazem parte da vida de todos. Das transmissões em streaming, webcams, câmeras de baixa resolução, VR, glitches, inteligência artificial e celulares, o filme é um mostruário de funcionamento destes meios e que mudam por completo a relação com o mundo e a vida. Importante lembrar que falamos de uma vida paralela, mas, ironicamente, Korine faz o final mais analógico possível.