FESTIVAL DO RIO - PARTE 1

Começa nesta quinta-feira (27) a maratona para os fãs de cinema do Rio de Janeiro. Entre os 400 filmes selecionados para o Festival do Rio, apenas seis fizeram parte da seleção oficial de Cannes - fato proveniente do ineditismo da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, que impossibilita a exibição de filmes nos dois eventos. Com destaque para Pietá, de Kim-Ki Duk (vencedor do Festival de Veneza), Moonrise Kingdom, de Wes Anderson (filme de abertura de Cannes), César Deve Morrer de Paolo e Vittorio Taviani (Urso de Ouro no Festival de Berlim) e Indomável Sonhadora (vencedor do Festival de Sundance), para citar alguns, o Festival do Rio estará em cartaz até o dia 11 de outubro.  E nós já vimos alguns filmes da programação. Confira os comentários:

WOODY ALLEN – UM DOCUMENTÁRIO (Woody Allen – A Documentary, EUA, 2011) de Robert B. Weide

Através do modelo documental televisivo, Weide tenta ao máximo aproximar o diretor neurótico ao público que o adora; o esforço é nítido e isso logo se transforma no êxito do longa. Acompanhamos filme a filme – sem muitos detalhes por parte de Allen, há não ser, claro, o autodepreciamento – a ascensão de um comediante a mito cinematográfico. Pela longa duração e a mesmice metodológica, o documentário não escapa do atrofiamento rítmico.
★★★
ELETRICK CHILDREN  (Idem, EUA, 2012) de Rebbeca Thomas

De conceito híbrido, Rebbeca Thomas une os dois extremos pelo tom fabuloso para resgatar o espírito de liberdade oitentista/noventista e a necessidade da quebra de paradigmas. A sensibilidade barroca de Thomas joga a favor do registro de uma época. Funciona em boa parte do tempo, mas não foge da redundância.
★★★
MOONRISE KINGDOM (Idem, EUA, 2012) de Wes Anderson

Envolto da estética característica dos filmes de Wes Anderson - muitas cores, ligação direta à maquetes e desenhos animados aliados à persona caricatada de personagens, Moonrise Kingdom faz o paralelo do sonho juvenil ao pesadelo da vida adulta através do sonho de casamento de jovens que vivem o primeiro amor, daqueles puros e simples. O longa é encantador em todos os aspectos, mas não foge da mesmice e deixa claro que Wes Anderson necessita de renovação para filmes vindouros.
★★★
O SEGREDO DA CABANA (The Cabin in the Woods, EUA, 2012) de Drew Goddard

Toda polêmica que ronda o longa de Drew Goddard vem do clássico do "ame ou odeie". O Segredo da Cabana aos poucos se revela como um filme sobre o gênero ao invés de ser mais um na lista de filmes de terror. E lá estão referências de filmes, personagens, diretores, eixos básicos narrativos como o azar, o sadismo ou a dor e, claro o perfil do público. O mais delicioso é como Goddard abraça um dos maiores pilares do gênero - o humor - e deixa o ar de dúvida se devemos realmente levar o quebra-cabeças a sério. Independente de sua decisão, verá um filme e tanto.
★★★★
TWIXT (Idem, França, 2011) de Francis Ford Coppola

O que surpreende em Twixt é como Coppola não se intimida com o tom fabuloso para homenagear Edgar Allan Poe. Extremista, tudo pode soar de gosto duvidoso no filme - inclusive o argumento -, mas é simples entrar na dança sugerida pelo diretor: use a noção de espectador para o lado leitor e vice-versa. E assim, narrativa e estética farão sentido.
★★★
UM HOMEM ADORÁVEL (Lovely Man, Indonésia, 2011) de Teddy Soeriaatmadja

Transpassando o clássico conflito paternal/maternal para os dias de hoje, Teddy Soeriaatmadja usa a pensão e um pai travesti que se prostitui para pagar as contas da filha como catalisadores. Preso aos diálogos, muitos deles em forma de pregação, a noite que desenvolve o filme se esmaece conforme cresce a previsibilidade na relação entre pai e filha. Ambos possuem características marginais em extremos e comportamentos opostos, porém, de forma particular, não escondem a dor do cotidiano.
★★
LEÕES (Leones, Argentina/França/Holanda, 2012) de Jazmín Lopez

Onírico e construído em boa parte por lentos planos-sequência, Leões  guarda a angústia adolescente ao largar literalmente seus personagens numa floresta, local próximo a um acidente automobilístico. Lá, estão os mistérios da vida adulta, os excessos da juventude e as brincadeiras da infância. Remetente aos conflitos à forma de Vittorio de Sica – monstro em forma de lentidão -, Jazmín Lopez mostra potencial para abordagens transgressoras ao senso dramático e desenvolvimento narrativo principalmente por conta dos limites do tempo e espaço em cena, privilegiando a atmosfera, a intensidade e a experiência sensorial.
★★★
O LIVRO DO APOCALIPSE (Nryu Myeongmang Bogoseo, Coréia do Sul, 2012) de Kim Jee-Woon e Yim Pil-sung
Cristo, Buda e alienígenas servem de suporte para o exercício da fina ironia dentro do estudo sobre o fim dos tempos. Pragas, a doentia relação do homem com as máquinas (criador vs. criatura) e, claro, o terror declarado sobre o fim do mundo, aonde nenhum deus chegará e sim uma bola de sinuca gigante. Por ser dividido em três capítulos diferentes, o longa não escapa da redundância do assunto, mas garante boas alusões.
★★★
CÉSAR DEVE MORRER (Cesare Deve Morire, Itália, 2012) de Paolo e Vittorio Taviani

Na encenação de Júlio Cesar de Shakespeare com detentos de uma penitenciária de Roma, Paolo e Vittorio Taviani estudam a gênese da direção de atores e da mise en scene e as diversas facetas históricas da Itália. A entrega dos detentos, a mudança do cotidiano e a colisão natural e densamente dramática entre realidade e ficção potencializada pelo método documental, de cortes bruscos e inserções poéticas com mudanças entre cor e preto e branco e diálogos direcionados à câmera fazem deste exercício uma experiência singular. Vencedor do Urso de Ouro no Festival de Berlim.
★★★★★

LOS CHIDOS (Idem, México/EUA/Alemanha, 2012) de Omar Rodriguez Lopez
Remetente à aura anárquica dos primeiros longas de Pedro Almodóvar, Los Chidos também abraça os cenários coloridos e lisérgicos para abordar com humor negro a relação entre México e Estados Unidos. O filme de Omar o coloca direto no posto de novo autor que passeia por gêneros e mostra abrangência em sua ótica em comparação ao esquizofrênico O Assassino Sentimental de Máquinas. Los Chidos nada mais é que o reforço de sua identidade latina ante a força americana imposta pela cultura capitalista.
★★★


BAIKONUR (Idem, Alemanha/Cazaquistão/Rússia, 2011) de Veit Helmer
Realizador desde os 14 anos de idade, com diversos projetos ambiciosos para os padrões do cinema independente e conhecido pelo projeto A Trick of Light ao lado de Wim Wenders, Veit Helmer faz de Baikonur um filme sem norte. Fora a referência do abismo existente entre o avanço da Rússia e a estagnação do Cazaquistão (foguetes e camelos), o filme de Helmer é a tentativa de unir romance aos nuances de ficção e história sem êxito. Perde em ritmo e conteúdo.
★
A ÚLTIMA VEZ QUE VI MACAO (Idem, Portugal, 2012) de João Pedro Rodrigues e João Rui  Guerra da Mata

Do conceito oriundo da videoarte e de instalações, o filme-documento que aborda o fim da identidade numa cidade que sofre catarses diárias como Macao, que foi colônia portuguesa e hoje pouco traz do país dos realizadores prende-se ao papel do narrador como maior justificativa para   trazer o sentimento de nostalgia, espiritualidade e antes de tudo, urgência para um país superpovoado e que cresce de forma incontrolável. A idéia, porém, não sustenta a sequência de simbolismos e alusões  políticas e poéticas.
★★
OVO E PEDRA (Jidan He Shitou, China, 2012) de Huang Ji

A tragédia anunciada na primeira cena de Ovo e Pedra serve de trampolim para a desconstrução poética envolvendo conflitos de uma jovem num país que ainda sofre consequências de um regime ditatorial. A superpopulação exige o aborto, a religião (homens?) a condena e aponta o pecado; o dinheiro é preciso, a família não; lá está o peso da necessidade de fugir para a cidade e trabalhar ou reiniciar tudo. A diretora Huang Li, 28 anos, abraça a escuridão e silhuetas e coloca sua protagonista, Honggui, como representação de uma cultura. Ou melhor, vítima de uma cultura.
★★★★
NÓS E EU (The We and The I, EUA, 2012) de Michel Gondry

O que a priori aparenta ser o resgate da aura abandonada por Spike Lee nos idos dos anos 90 aos poucos se revela como a desconstrução plurilateral do cotidiano da juventude do Bronx, representada por imigrantes e negros. Usando um ônibus como espaço de ação, Gondry coloca a insegurança e a inconsequência juvenil no mesmo patamar para análise envolta de muito bom humor.
★★★★
UM POUCO ZOMBIE (A Little Bit Zombie, EUA, 2012) de Casey Walker

Tudo o que um terrir deve ter o filme de Casey Walker têm: péssimas atuações, argumento ruim e exageros. Porém, Um Pouco Zumbi também possui algo que estraga qualquer filme: roteiro previsível. E quando se trata de um escracho total - a transformação de um homem em zumbi que entra em conflito existencial - de um gênero, faltam referências e acima de tudo, ousadia.
★★
ALÉM DOS MUROS (Hors Les Murs, Bélgica/Canadá/França, 2012) de David Lambert

O debut de David Lambert (conhecido pelo roteiro de A Regata) consiste nos sintomas comuns de uma relação através do ponto de vista pessimista. Rejeição e arrependimento espelham a relação de Paulo e Illir, que, em tempos diferentes, tiveram que renunciar a antiga vida para continuar, sem se importar com a sintonia – seja afetiva ou narrativa por se abster da câmera como pilar linguístico.
★★
EU TAMBÉM (Ja Tozhe Hochu, Rússia, 2012) de Alexey Balabanov

O papel de um dos cineastas que mais provocam e instigam a audiência russa continua vivo para Alexey Balabanov. Dessa vez, o longa - uma gigantesca metáfora sobre o purgatório - pauta a incansável busca pela felicidade, a submissão ao pessimismo e como o ego pode destruir a vida de uma pessoa. Pinceladas de humor e tom fantástico dão ao filme o humanismo necessário para um realizador acostumado a ser cru.
★★★★

INDIE - Mostra Mundial - PARTE 2

Chega a São Paulo a décima segunda edição do INDIE, que além da Mostra que faz panorama do cinema mundial, traz na programação retrospectivas especiais de Charles Burnett, Aleksey Balabanov e Kazuyoshi Kumakiri.

Comentários sobre filmes da Mostra Mundial:

URSINHO DE PELÚCIA (Teddy Bear, Dinamarca, 2012) de Mads Mathiesen

Como o nome já entrega, o filme que deu a Mads Mathiesen o prêmio de direção no Festival de Sundance deste ano desconstrói em momentos pontuais a persona de um homem fragilizado e submisso por trás do porte físico musculoso. Acompanhamos a saga do fim da carência e do início da amizade e do amor após anos de um martírio silencioso em meio a uma guerra não declarada. Um filme que equipara fluxo e conflitos sem maiores problemas.
 ★★★★

ALÉM DOS MUROS (Hors Le Murs, Bélgica/Canadá/França, 2012) de David Lambert

O debut de David Lambert (conhecido pelo roteiro de A Regata) consiste nos sintomas comuns de uma relação através do ponto de vista pessimista. Rejeição e arrependimento espelham a relação de Paulo e Illir, que, em tempos diferentes, tiveram que renunciar a antiga vida para continuar, sem se importar com a sintonia - seja afetiva ou narrativa por se abster da câmera como pilar linguístico.
★★
CRIANÇAS ELÉTRICAS (Eletrick Children, EUA, 2012) de Rebbeca Thomas

De conceito híbrido, Rebbeca Thomas une os dois extremos pelo tom fabuloso para resgatar o espírito de liberdade oitentista/noventista e a necessidade da quebra de paradigmas. A sensibilidade barroca de Thomas joga a favor do registro de uma época. Funciona em boa parte do tempo, mas não foge da redundância.
 ★★★

A GRANDE FESTA DO CINEMA (The Great Cinema Party, Coréia do Sul/Filipinas, 2012) de Raya Martin

Das cenas de arquivo que antecipam o convite à festa ("André Bazin e Andrei Tarkovsky estarão lá") e que logo remetem à mesmice americana em filmar a guerra através do século e na imortalidade da intolerância, Raya Martin cria um painel de referências no encontro de uma equipe estrangeira com profissionais de cinema filipinos. Do expressionismo alemão ao enquadramento Eisensteiniano à proximidade na desconstrução de sentimentos que o cinema traz de Blue de Derek Jarman, Martin isola qualquer tipo de intenção clara. Seu experimentalismo deve ser palatável àqueles que estão dispostos.
★★★

VALE DOS SANTOS (Valley of Saints, Índia, 2011) de Musa Syeed

Insatisfação e o sonho de recomeço servem como ponto de partida para a fria análise ao sentido de pertencer a um lugar. Família e amizades reforçam a idéia, porém, não impedem o fluxo de destruição literal de um pequeno vilarejo indiano. Vale dos Santos serve como caleidoscópio de uma nação que cresce de forma irregular, curiosamente da mesma forma que o desenvolvimento narrativo.
★★

DREDD


Se a HQ de John Wagner é comparação automática para o filme dirigido por Pete Travis (“Ponto de Vista”), o longa de 1995 estrelado por Sylvester Stallone dirigido por Danny Cannon também servirá como pilar comparativo. Afinal, o que vemos em Dredd é nada mais que a revitalização da representação do policial disciplinado num tempo apocalíptico.

E Travis equipara seu filme ao que é atual, onde sua força está justamente na estética – imagem e som, sujeira, quadros referentes aos gibis e diversos tempos de ação remetentes ao moderno e clipado cinema de Guy Ritchie, Mark Neveldine e Brian Taylor. Estamos diante do fim, do tempo de videogames e clipes.

Como um sintoma realista, Dredd é menos anti-herói; pois, hoje em dia, é comum não criarmos identificação com nenhum personagem. Estamos diante de um espetáculo visual hipnotizante, onde balas e chamas voam tão alto que raros são os momentos de aproximação com o Dredd (Karl Urban) e Anderson - policial-médium em primeira missão – com o público.

Pois na proposta de realismo e crítica ao imediatismo de nossos dias está a grande falha do longa; Dredd é fabuloso e espetaculoso, porém, com argumentos ocos, justificativas nada plausíveis e o desfoque geral da proposta inicial de atrelar panorama histórico à linguagem cinematográfica.

★★
Dredd (Dredd 3D, EUA/Reino Unido/Índia, 2012) de Pete Travis

TOP 10 JOHN HUGHES

Por Natália Alonso

Obviamente, os adeptos ao cinema conhecem há tempos este nome e, merecidamente, creditam o roteirista preferido dos adolescentes nas décadas de 80 e 90. Muitos dos filmes que as pessoas nunca cansam de ver em “Sessão da Tarde” e afins tiveram embutidos o talento e a visão empática de John Hughes.

Hughes não vale ser lembrado apenas como roteirista e diretor, mas, como alguém que compreendeu, acima de tudo, a alma adolescente e soube tratar os conflitos de forma leve e delicada, sem banalizá-los. É difícil escolher dez filmes entre seus trabalhos de direção e roteiro, mas, certamente, algum deles marcou a vida de alguém em algum momento. E pode-se afirmar com veemência que, pelo menos, um destes filmes você já assistiu mais de uma vez.

10.       Alguém Muito Especial  (Some Kind of Wonderful) – 1987.

Dois conflitos: Em um deles, o garoto que quer tomar suas próprias decisões em relação à faculdade e é reprimido pelo pai. No outro, apaixona-se pela garota mais popular e bonita do colégio, que namora um garoto rico, e pede ajuda para sua melhor amiga, que cultiva sentimentos por ele, para conquistá-la. O roteiro é de Hughes.

9.         Férias Frustradas (Vacation) – 1983. 

A típica viagem de férias estadunidense está prestes a dar errado quando uma simples ida a um parque de diversões é impedida por diversas desventuras, protagonizadas por Chevy Chase. Fez tanto sucesso, que ganhou continuação. Mais uma vez, o roteiro é de Hughes.


8.         Beethoven – O Magnífico (Beethoven) – 1992 

De todos os filmes envolvendo animais como macacos, golfinhos, chimpanzés e cães, “Beethoven” é um dos poucos que valem assistir e re-assistir. Apaixonante história do desastrado cão da raça São Bernardo que adota a família Newton e conquista um por um, aos poucos. Personagens trabalhados e histórias individuais, embora o foco esteja no cachorro, o restante não é esquecido nem tratado com superficialidade. Assim como Férias Frustradas, teve sequência, porém, entre os cinco da série, o primeiro e original é o mais consistente.

7.         Dennis, o Pimentinha (Denis the Menace) – 1993. 

O inesquecível Walter Matthau dá vida ao mal humorado e rabugento “Senhor Wilson” das telas do cinema. Baseado em um desenho animado, conta a história de um garoto aparentemente angelical que inferniza a vizinhança e, claro, seu alvo principal: Senhor Wilson.

6.         Gatinhas e Gatões (Sixteen Candles) – 1984.

Molly Ringwald era a musa adolescente da época, queridinha de Hughes. Samantha Baker (Molly) teve seu aniversário esquecido pela família, é constantemente assediada por um inconveniente garoto e ainda é apaixonada por alguém que namora, simplesmente, a garota mais bonita do colégio. No elenco, John e Joan Cusack.

5.         A Garota de Rosa-Shocking (Pretty in Pink) – 1986.

A sinopse é simples: garota pobre que namora garoto rico e é constantemente pressionado pelos amigos (um deles, James Spader – sim, de Sexo, Mentiras e Videotape!). Diversos conflitos para Molly (novamente): a mãe que foi embora e a deixou com o pai, que não consegue superar a perda; o preconceito por sua classe social; o conturbado namoro com um garoto rico. E, para piorar, seu melhor amigo (interpretado por ninguém mais que Jon Cryer – Two and a Half Man) é apaixonado por ela. Sem dinheiro para comprar roupa para ir ao baile, ela constrói seu próprio vestido.


4.         Mulher Nota Mil (Weird Science) – 1985.

O sonho de todos os “nerds”: criar a mulher perfeita no computador e ela se materializar na sua frente. Foi o que aconteceu com Gary e Wyatt. E fez tanto, mas tanto sucesso, que virou seriado.


3.         Esqueceram de Mim (Home Alone) – 1990.

Brigar com a família, desejar ser sozinho, acordar e o sonho ter sido realizado: para poucos. Aconteceu com Kevin McCallister e, desde então, acontece todo Natal, seja em canal aberto ou fechado. Tornou-se um clássico e ganhou sequência à altura.


2.         Clube dos Cinco (The Breakfast Club) – 1985.
Os cinco adolescentes de diferentes grupos sociais precisam cumprir a detenção durante o sábado, vigiados pelo diretor da escola. Durante as 8 horas que são obrigados a conviver na biblioteca, trocam xingamentos, elogios e confidências. E descobrem que, embora com personalidades e vidas distintas, têm muito em comum.

1.         Curtindo a Vida Adoidado (Ferris Bueller’s Day Off) – 1986.

Ferris Bueller finge estar doente para aproveitar o dia com seu melhor amigo e sua namorada. Embora seus pais sejam condescendentes com a atitude e acreditem em sua doença, o diretor (Jeffrey Jones) e sua irmã (Jennifer Grey) tentarão de tudo para que sua farsa venha à tona. Mas não será tão fácil assim.

Maldita Realidade: O ponto em comum dos filmes do Indie

"O Rio era um Homem"
Conhecido por trazer em sua programação uma vasta quantidade de assuntos e abordagens em sua mostra mundial, a décima segunda edição da Mostra de Cinema Indie traz, curiosamente, o diagnóstico do sentimento de frustração que os novos tempos trouxeram. É possível analisar em filmes de diversos países, gêneros e linguagens que em comum, todos eles possuem o grito de desespero; o fim precede o reinício (o que adormece a idéia de história edificante), realidades paralelas, desespero e carência são consequências de um sintoma comum.

Decepção é o ponto de partida para muitos filmes da Mostra Mundial do Indie; se não está lá no primeiro plano, ela se desenvolverá como um monstro conforme a narrativa em diversos tons. Prova disto é a comédia americana O Círculo Cromático, comédia fortemente influenciada pela geração indie dos anos 80 e 90 que conta a história de dois irmãos beirando os trinta anos frustrados com a vida profissional e amorosa que pegam a estrada para um recomeço forçado e Ovo e Pedra, denso drama chinês vencedor do Tigar Awards no Festival de Roterdã. O longa dirigido por Huang Ji de apenas 28 anos buscou a sua própria essência – protagonista Honggui, deslocada, culpada, que toma a aparência de um vulto pelas câmeras aprende a lidar com os fantasmas da vida na força e no sangue.

A discrepância de gêneros com o assunto em comum continua – a comédia de humor negro Los Chidos, dirigida por Omar Rodriguez Lopez, conta a história de uma família desonesta que cuida de um ferro-velho que tem sua rotina transformada com a chegada de um americano disposto a ajudá-los. A metáfora da relação entre EUA e México amplifica a sensação de desespero por um futuro próspero. Já o belo Nunca é Tarde Demais relata a volta forçada de um homem a Israel ainda indisposto em relação a um acerto com o passado. Crônicas Sexuais de uma Família Francesa dispensa comentários. Os fantasiosos Baikonur e Uma Nuvem em um Copo D’Água e o cru O Rio era um Homem flertam com a existência e o espiritual, sempre desmembrados pelas decepções, sejam elas imediatas ou não.

É interessante, mesmo que de forma acidental, a mostra faça o panorama de um sintoma realista em seus argumentos. O Indie traz em sua programação filmes de nomes contemplados em Cannes como Brillante Mendoza (Em Nome de Deus) e Apichatpong Weerasethakul (Hotel Mekong) e consagrados como Raya Martin (A Grande Festa do Cinema) e Naomi Kawase (Vestígio), o vencedor do Urso de Prata do Festival de Berlim Apenas o Vento e 3.11 – Sentir-se em Casa, filme produzido a partir de curtas de três minutos e onze segundos com diretores como os já citados Mendoza, Weerasethakul e Kawase, além de Jia Zhang Ke e Patti Smith.

INDIE - Mostra de Cinema Mundial - PARTE 1

Começa nesta quinta (6) a décima segunda edição do Indie - Mostra de Cinema Mundial e nós preparamos uma espécie de guia com pequenos comentários sobre os filmes da Mostra Mundial que traz também retrospectivas dos diretores Aleksey Balabanov, Kazuyoshi Kumakiri e Charles Burnett.

O CÍRCULO CROMÁTICO (The Color Wheel, EUA, 2011) de Alex Ross Perry

A sucessão de acertos de O Círculo Cromático deve-se justamente às claras influências do cinema independente americano ao longo dos anos. Do No Wave das décadas de 70/80 ao mumblecore dos anos 00’s via Slackers dos anos 90, o filme passeia sem medo por estas vertentes ao narrar com bom humor a viagem entre dois irmãos que dividem muito mais que a insegurança que a vida adulta os oferece. Outro ponto a ser ressaltado é a força da atuação de Carlen Altman em livre improviso. Altman, assim como o diretor/protagonista Alex Ross Perry, é figurinha carimbada dos filmes “batizados” pelo festival de Sundance, berço dos filmes independentes nos EUA, onde os irmãos Duplass e Joe Swanberg apareceram para o mundo.
★★★★

LOS CHIDOS (Idem, México/EUA/Alemanha, 2012) de Omar Rodriguez Lopez

Remetente à aura anárquica dos primeiros longas de Pedro Almodóvar, Los Chidos também abraça os cenários coloridos e lisérgicos para abordar com humor negro a relação entre México e Estados Unidos. O filme de Omar o coloca direto no posto de novo autor que passeia por gêneros e mostra abrangência em sua ótica em comparação ao esquizofrênico O Assassino Sentimental de Máquinas. Los Chidos nada mais é que o reforço de sua identidade latina ante a força americana imposta pela cultura capitalista.
★★★★

 QUANDO CAI A NOITE (Wo Hai You Hua Yao Shuo, Coréia do Sul/China, 2012) de Ying Liang

A dor de uma mãe prestes a perder o filho para a burocracia e manipulação política do governo chinês vem traduzida em planos fechados, câmera estática e lentidão narrativa. O filme de Ying Liang, vencedor do festival de Locarno, ganha – e muito – nas inserções poéticas que representam a dor de uma mãe dedicada à compreensão do suposto ato do filho e à superação da dor através da simplicidade. O filme de Liang é baseado no caso que marcou a morte de seis policiais em Shanghai.
★★★

OVO E PEDRA (Jidan He Shitou, China, 2012) de Huang Ji

A tragédia anunciada na primeira cena de Ovo e Pedra serve de trampolim para a desconstrução poética envolvendo conflitos de uma jovem num país que ainda sofre consequências de um regime ditatorial. A superpopulação exige o aborto, a religião (homens?) a condena e aponta o pecado; o dinheiro é preciso, a família não; lá está o peso da necessidade de fugir para a cidade e trabalhar ou reiniciar tudo. A diretora Huang Li, 28 anos, abraça a escuridão e silhuetas e coloca sua protagonista, Honggui, como representação de uma cultura. Ou melhor, vítima de uma cultura.
★★★★
 

O RIO ERA UM HOMEM (Derr Fluss War Einst Ein Mensch, Alemanha, 2011) de Jan Zabell

A breve representação da tensão racial durante a visita de um turista alemão à África toma proporções inesperadas quando Zabell flerta com o lado espiritual e de certa forma com a contracultura do local. Jan Zabell costura o seu filme aos moldes de um tour de force com ritmo narrativo lentíssimo, cortes bruscos entre cenas – em sua maioria – sem diálogos e rico em alusões políticas.
★★★

UMA NUVEM EM UM COPO D’ÁGUA (Un Nuage Dans Un Verre D’Eau, França/Canadá, 2011) de Srinath C. Samarasinghe

Apresentado como um falso documentário, o filme que dá a ilusão de tomar caminhos existenciais é bruscamente interrompido pelo tom de thriller. Seja lá por qual lado for, personagens e representações são cercados pela abordagem fantástica - algo completamente dispensável. O resultado é um longa sem identidade, perdido entre o conflito “morrer ou ser assassinado”, sem ao menos investigar o significado da morte neste contexto.
★

NUNCA É TARDE DEMAIS (Aff Paam Lo Meuchar Miday, Israel, 2011) de Ido Fluk

Enfrentar a frustração de voltar para a casa dos pais, os fantasmas do passado e recomeçar, mesmo quando tudo parece perdido. O que parece clichê nesta abreviação é subvertido por Ido Fluk, que não teme em criar dobras pro seu filme e reforçá-las quando a narrativa de ritmo e fluxo consistentes pede. O filme de Fluk está mais interessado em captar o que está ao redor da solidão, o interior de seu protagonista, ao invés de vendê-lo como  estereótipo. 
★★★
BAIKONUR (Idem, Alemanha/Cazaquistão/Rússia, 2011) de Veit Helmer

Realizador desde os 14 anos de idade, com diversos projetos ambiciosos para os padrões do cinema independente e conhecido pelo projeto A Trick of Light ao lado de Wim Wenders, Veit Helmer faz de Baikonur um filme sem norte. Fora a referência do abismo existente entre o avanço da Rússia e a estagnação do Cazaquistão (foguetes e camelos), o filme de Helmer é a tentativa de unir romance aos nuances de ficção e história sem êxito. Perde em ritmo e conteúdo.
★

NOVO ENDEREÇO

 Amigos, agora estou neste endereço: hellocinephilia.substack.com Deixarei este blog aqui como arquivo de quase 20 anos de blogs, sites e re...