Monster Hunter (Paul W.S Anderson, 2020)

 

 

Paul W.S Anderson geralmente me derruba quando nivela mitologia e filosofia e não só exercita seu lado estético sempre artificial e rarefeito e que muitas vezes beira a cafonice com grande arrojo. São nos filmes notáveis da filmografia de Paul W.S Anderson como Pompéia, Alien Vs. Predador e Resident Evil: Retribution que este equilíbrio se mostra mais latente. Em Monster Hunter, logicamente há um peso forte de justificativas a partir do jogo que se adapta, mas é possível notar como a ideia de um novo mundo exigirá funções ainda básicas da filosofia do "nosso mundo". Na destruição e na possibilidade de (re)construção, na notável efemeridade da vida (não são poucos os planos que apequenam Artemis no quadro), na intercomunicação e na preservação de espaço que se designam ao próximo - aqui como contraponto ao inferno. Nesta ordem parece um filme presunçoso, mas a verdade é que este é o filme que W.S Anderson exibe mais suas influências de Tsui Hark e leva o espaço fantástico a um jogo criativo nada moderado de possibilidades no corte, nos simbolismos destes mundos e como eles funcionam, antes de tudo, como um filme de batalha.

Melhores Filmes de 2020


Ar Condicionado de Fradique

 
 
 Um ano atípico que pude me resguardar de certa forma nos filmes. Portanto, produzir esta lista foi um ato menos mecânico e a subjetividade me parece mais pulsante. O critério é o de sempre, da única regra ser de filmes lançados entre 2018 e 2020. Espero que gostem e deixem seus comentários.
 
 
100. Lulu Faustine (Stephen Broomer, 2020)
Esquematismo: conceito vs. imagem.


99. Undine (Christian Petzold, 2020)
Falseado como certeza de reanimação do amor.


98. A Casa de Plástico (Allison Chhorn, 2019)
Nostalgia disfarçada de ação.

97. The Half of it (Alice Wu, 2020)
Rashomon Netflix.
 
96. Fauna (Nicolás Pereda, 2020)
Todos os tipos de representação.

95. Belonging (Burak Çevik, 2019)
Ode ao narrador.
 
 
94. Alone (John Hyams, 2020)
Da atualização de Duel ao esteticismo dos corpos.
 
 93. Pig (Mani Haghighi, 2018)
O espelho para o autoritarismo e para o autor de cinema.
 
92. The Lovebirds (Michael Showalter, 2020)
O feel good movie do ano.
 
91. The Golden Age (Jean-Baptiste Alazard, 2020)
Brakhage dá forma a um filme de Reichardt.
 
 
90. You Have the Night (Ivan Salatić, 2018)
O sequestro da alma na ressaca moral.
 
89. Oferenda (Juan Mónaco cagni, 2020)
Tempo em medida.

88. Fatal Pulse (Damon Packard, 2018) 
À nostalgia de um fã de horror dos anos 90.

87. The Sky Socialist: The Environs (Ken Jacobs, 2019)
Nova Iorque a ferro e fogo.
 

86. Who Laughs in Hell (Liam Bilsky, 2020)
Korine finalmente vai ao inferno. 
 
85.Shiva Baby (Emma Seligman, 2020)
Todos os tipos de tensão.

 
84. We Are Little Zombies (Makoto Nagahisa, 2019)
Sion Sono para iniciantes.
 
83. Um Animal Amarelo (Felipe Bragança, 2020)
Macunaíma sucumbe ao golpe.
 
82. Cabeça de Nêgo (Déo Cardoso, 2020)
Brasil e seu necessário didatismo.
 
81. Le Pays (Lucien Monot, 2019)
Encenações sobre o separatismo francês.
 
80. Magic Lantern (Amir Naderi, 2018)
Tempo e amor: dois fantasmas de cinema.
 
79. It Feels So Good (Haruhiko Arai, 2019)
Corpos em erupção.

78. O Tango do Viúvo e seu Espelho Deformador (Raul Ruiz, 2020) 
Sombras do tempo como eixo para o horror.

77. Para Onde Voam as Feiticeiras (Carla Caffé, Eliane Caffé, Beto Amaral, 2020)
Intenso desajuste.
 
76. CidadeFantasma (Jon Cates, 2020)
Western e glitch art se encontram como meios possíveis. 
 
75. Luz nos Trópicos (Paula Gaitán, 2020)
De Pialat a Khalik Allah: entre a alvorada e o crepúsculo, a História.

74. Esperando Magrão (Fernando Costa, 2018)
Não há outro filme que emule Tarantino com tamanho sucesso.
 
73.Un Soupçon d'amour (Paul Vecchiali, 2020)
Gêneros cinematográficos e suas enganações.

72. Gloria Mundi (Robert Guédiguian, 2019)
Sitcom noir.
 
71. Saint-Narcisse (Bruce LaBruce, 2020)
O filme frances de LaBruce.
 
70. Estratos Fantasmas (Ben Rivers, 2019)
Crise de tempos em tempos.
 
69. A Densa Nuve, o Seio (Vinícius Romero, 2020)
O gameplay de Solomon.
 
68. Talking About Trees (Suhaib Gasmelbari, 2019)
Magia para contornar a morte.
 
67. Mapping Lessons (Philip Rizk, 2020)
Pelos arquivos, a implosão do sistema.
 
66. On Paradise Road (James Benning, 2020)
Autocitações.
 
65. Private Life (Tamara Jenkins, 2018)
Atualização dinâmica do cinema clássico.
 
64. The White Storm 2: Drug Lords (Herman Yau, 2019)
Yau e a consciência do formalismo.
 
63. All the Light We Can See (Pablo Escoto, 2020)
Deformidades no Straubfilme do ano.
 
62. Ghost Tropic (Bas Devos, 2019)
Delinear a solidão.
 
61. Dawn Breaking (Yang Fudong, 2018)
Narrativa de texturas e sobreposições.
 
60. Ordem Moral (Mário Barroso, 2020)
Bellocchio e a novela das efermidades.
 
59. The Man in the Woods (Noah Buschel, 2020)
Cinema político e o filme noir.
 
58. On the Rocks (Sofia Coppola, 2020)
Detective Story do ano.
 
57. Spring Blossom (Suzanne Lindon, 2020)
O impossível amor entre a dança jovial e a estagnação adulta.
 
56. Sertânia (Geraldo Sarno, 2019)
O cinema novo como análise e o princípio da milícia.
 
55. Victoria (Liesbeth De Ceulaer, Sofie Benoot, Isabelle Tollenaere, 2020)
Fé no deslocamento.
 
54. Rodson ou (Onde o Sol Não tem Dó) (Cleyton Xavier, Clara Chroma, Orlok Sombra, 2020)
Nick Zedd adapta William Gibson (ou o Brasil de 2020 é a distopia ideal).
 
53. Na Cabine de Exibição (Ra'anan Alexandrowicz, 2019)
Golpear a imagem para forjá-la.
 
52. Bottled Songs 1-4 (Kevin B. Lee, Chloé Galibert-Lâiné, 2020)
No espaço entre as imagens.
 
51. Never Rarely Sometimes Always (Eliza Hittman, 2020)
Onde a opressão opera silenciosamente.
 
50. O Índio Cor de Rosa Contra a Fera Invisível: A Peleja de Noel Nutels (Tiago Carvalho, 2020)
Humberto Mauro narra um extermínio.
 
49. Icemeltland Park (Liliana Colombo, 2020)
Aplaudir o fim do mundo.
 
48. The American Sector (Pacho Velez, Courtney Stephens, 2020)
Como o capital compra a história.
 
47. Lobster Cop (Li Xinyun, 2018)
Olhar afiado para a comicidade num filme de ação (e vice-versa).
 
46. Crime Sem Saída (Brian Kirk, 2019)
Na ponta da faca.
 
45. Sofá (Bruno Safadi, 2019)
Narrativa das artificialidades na rotina de colagens e política.
 
44. The Nightingale (Jennifer Kent, 2018)
Entre Ford e Reichardt.
 
43. The Assistant (Kitty Green, 2019)
Jeanne Dielmann e o cinema popular americano.
 
42. Forensickness (Chloé Galibert-Lâiné, 2020)
Todos os lados de uma imagem.
 
41. O Paraíso Deve Ser Aqui (Elia Suleiman, 2019)
Jacques Tati observa o mundo.
 
40. L. Cohen (James Benning, 2018)
À potencia da imagem e do som.
 
39. Crazy Samurai Musashi (Yoji Shimomura, 2020)
Samurai gameplay ou exercício de tensão e coreografias.
 
38. Canto dos Ossos (Jorge Polo, Petrus de Bairros, 2020)
O filme de vampiros de Sganzerla.
 
37. Ar Condicionado (Fradique, 2020)
Memórias de um país em queda livre.
 
36. The Head Hunter (Jordan Downey, 2018)
Tensão em contra-planos.
 
35. 1982 (Lucas Gallo, 2019)
Como a tela molda a História.
 

34. s01e03 (Kurt Walker, 2020)
O mundo das imagens não rejeita o mundo da lógica.
 
33. Jay and Silent Bob Reboot (Kevin Smith, 2019)
Um divertido "Kevin-meta-Smith".
 
32. Frankie (Ira Sachs, 2019)
O filme português de Sang-Soo.
 
31. Meu Pretzel Mexicano (Núria Gimenez, 2019)
Controle sobre imagens, narrativas e fantasmas.
 
30. Lovers Rock (Steve McQueen, 2020)
Potência nos corpos, vozes e músicas.
 

29. Isabella (Matías Piñeiro, 2020)
Deslocamentos em Shakespeare. 
 
28. A Vastidão da Noite (Andrew Patterson, 2019)
Imaginação de Spielberg e voz de Shyamalan.
 
27. The Berlin Bride (Michael Barlett, 2020)
Aos fantasmas do cinema mudo.
 
26. Ontem Havia Coisas Estranhas no Céu (Bruno Risas, 2020)
Jeanne Dielman pela Filmes de Plástico.
 
25. Light From Light (Paul Harrill, 2019)
O romance de Shyamalan.

24. The Tree House (Truong Minh Quy, 2019)
Um lugar como identidade.

23. The Whistlers (Corneliu Porumboiu, 2019)
Um filme de emboscada à distância.
 
22. I Wish I Was Like You (Luca Onorati, Francesco Gargamelli, 2019)
Nostalgia palpável.
 
21. White Noise (Antoine D'Agata, 2019)
A morte na moldura.

20. É Rocha e Rio, Negro Leo (Paula Gaitán, 2020)
Brasil, 2020.

19. Fanny Lye Deliver'd (Thomas Clay, 2019)
A vingança de Cristo.
 
18. I Was at Home, But... (Angela Schnalec, 2019)
Para os que devoram e não observam (e vice--versa).

17. Ariadne (Jacky Connolly, 2019) 
Uma crise de pânico por David Lynch.

16. O Sal das Lágrimas (Philippe Garrel, 2020)
Rohmer narra a solidão do cafajeste.
 
15. Gênero Pan (Lav Diaz, 2020)
Capital belicoso na saga da morte.
 
14. Dias (Tsai Ming-Liang, 2020)
Dois corpos: um filme tão frio quanto o mundo que registra.

13. Atarrabi & Mikelats (Eugène Green, 2020) 
Culpa para Cristo e alegorias para o diabo.


12. Red Moon Tide (Lois Patiño, 2020)
Entre o barroco e o cyberpunk, um sci-fi polido por adereços.
 
11. Siberia (Abel Ferrara, 2020)
Divã no inferno.
 

10. Love Poem (Xiaozhen Wang, 2020)
114 minutos dedicados ao rigor e à performance.
 
09. First Cow (Kelly Reichardt, 2019)
Subverter princípios do velho oeste.
 
08. Her Socialist Smile (John Gianvito, 2020)
Rejeitando a lógica no mundo das imagens.
 
07. A Metamorfose dos Pássaros (Catarina Vasconcelos, 2020)
Relendo cartas de Straub e Huillet.
 
06. The Woman Who Ran (Hong Sang-Soo, 2020)
Mulher-gato.
 
05. Blood Machines (Seth Ickerman, 2019)
Homem dúvida vs. Máquina certeza no mundo do frame-porn.
 
04. Love Affair(s) (Emmanuel Mouret, 2020)
Aprimoramentos na alma.
 

03. Telemundo (James Benning, 2018)
Um filme pré-histórico. O fim da prosa e o início da representação.
 
02. Não Haverá Mais Noite (Éléonore Weber, 2020)
Um sorriso para Paul Virílio.
 
01. City Hall (Frederick Wiseman, 2020)
A cidade se locomove subterraneamente.

Monster Hunter (Paul W.S Anderson, 2020)

    Paul W.S Anderson geralmente me derruba quando nivela mitologia e filosofia e não só exercita seu lado estético sempre artificial e rare...