É Tudo Verdade 2014

Comentários sobre os filmes vistos no É Tudo Verdade 2014.

 O Homem Que é Alto é Feliz? (Is The Man Who Is Tall Happy?, França/EUA, 2013) de Michel Gondry

Os encontros de Michel Gondry e Noam Chomsky dão margem para cada um estabelecer ápices e limites. Gondry em processo de finalização de um blockbuster, mais interessado em respostas e Chomsky disposto a criar retóricas em teses filosóficas sobre a vida e se fecha enquanto pode. Se Chomsky domina o áudio em todos os sentidos, Gondry exibe sua máxima através de desenhos feitos à mão para ilustrar a conversa e usa a força do corte para se expressar. Se há algum ponto de convergência - ou que se aproxima de uma narrativa - para o cinema é a tentativa de Gondry em analisar o homem e não o filósofo Chomsky.

Homem Comum (Idem, Brasil, 2014) de Carlos Nader 

Corajosa dialética de questões fundamentais para o sentido da vida em função da montagem. Carlos Nader mescla a questão do real, do corte, da encenação e o jogo entre passado/futuro enquanto acompanha por vinte anos a vida do caminhoneiro Nilsão. Nader encontra a formalidade entre tantas opções e metáforas de vida e morte utilizando A Palavra de Carl Dreyer como uma certeza e o que exibe é  insegurança em resposta ao seu protagonista, este que sempre foi tão seguro do material que Nader gravara. 

A Família de Elizabeth Teixeira (Idem, Brasil, 2014) de Eduardo Coutinho
 
Feito para o material extra do DVD de Cabra Marcado Para Morrer, o filme exibe Coutinho despreocupado em relação ao controle que a câmera tem em seus filmes - talvez por saber o peso que seu filme guarda. Ainda que os tradicionais planos americanos e a presença do diretor em contra-plano compõem boa parte do filme, Coutinho é mais presente, conversa despreocupadamente até, enfim, dar o golpe que os entrevistados aguardam. Poucos conseguem fazer algo assim sem construir um arco dramático ao redor das questões principais. E após as perguntas-chave, o que vemos é um conjunto de traumas, remorsos e boas lembranças que de certa forma espelham a importância de Cabra em um contexto histórico.  

Sobreviventes da Galiléia (Idem, Brasil, 2014) de Eduardo Coutinho
 
Como em A Família de Elizabeth Teixeira, Coutinho volta à Cabra Marcado Para Morrer no reencontro com Cícero e João José. Coutinho dá detalhes da produção do filme (reportagem, segundo Coutinho) em tom nostálgico, transparecendo um carinho especial pela obra. Novamente despreocupado com o resultado e intencionado a criar um ambiente de ternura entre ele e os personagens, Coutinho dá força descomunal pelo tom de despedida das conversas. Pensar na circunstância que Coutinho se foi pesa ainda mais.

Alegria do Homem Que Espera (Que ta joie demeure, Canadá, 2014) de Denis Côté

Interessante espiral construída por Côté para sinalizar o trabalho como ato e necessidade. No entorno Côté faz intervenção dramática onde os contras do trabalho são analisados da mesma forma que seus filmes ficcionais como Vic+Flo Viram Um Urso e Curling. No núcleo, a rotina de trabalhadores de fábricas onde a repetição e a morte do humanismo tantas vezes pautadas no cinema traduzem um registro nada romântico sobre o capitalismo.

CORTINAS FECHADAS

Da impossibilidade de trabalhar, Jafar Panahi faz em caráter marginal um filme sobre a angústia de subsistir e o processo criativo de um cineasta em cárcere. De cunho teatral, também usado em seu filme anterior Isto Não É Um Filme, Panahi usa dois personagens (des)motivados pelo terror ao redor.  Fugitivos por motivos abstratos – fora a presença de um cachorro, animal de criação proibida pelo Islamismo -, ambos estão em constante estado de alerta e preservação.


A ilusão que cortinas fechadas protegem é a catapulta que Panahi utiliza para assim, sinalizar a angústia do processo de escrita e o monstro que o mundo externo tornou-se para o diretor. E levado ao seu extremo, Panahi toma o filme para si, escancara um discurso escondido nos diálogos. Derruba as cortinas, quebras as janelas e exibe enfim, sua posição. Interpretado pelo co-diretor e amigo Kambuzia Partov que por vez passa pela mutação óbvia da co-direção e do real autor, o responsável por escrever um roteiro e que passa por crises. De fora para dentro. Pode tanto destruir seu passado como o futuro – a opressão que transforma em autoboicote.


Portanto, Cortinas Fechadas serve mais como um novo desabafo. Um novo tour de force corajoso para exibir o terror sem que o próprio seja despertado. Pois para Panahi o estopim é móvel e intenso como as ondas do mar. Estas que impedem que ele se esqueça de sua prisão.

Cortinas Fechadas (Pardé, Irã, 2013) de Jafar Panahi e Kambuzia Partov

Um Episódio na Vida de Um Catador de Ferro-Velho (Danis Tanovic, 2013)


No limite entre o documental e a ficção, Um Episódio Na Vida de Um Catador de Ferro-Velho pulveriza a esperança do que é chamado de pós-moderno ao acompanhar a via crucis de Nazif, homem que renuncia suas vontades e necessidades para atender uma emergência médica da mulher e contornar as exigências das filhas. 

Um Episódio Na Vida de Um Catador de Ferro-Velho em primeiro lugar coloca a questão da representatividade da rotina no cinema de Danis Tanovic, vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro por Terra de Ninguém em 2002. Vemos sua funcionalidade em um filme sem eixos e tão áspero quanto a realidade. Tanovic logo constata que a tendência em vivermos em comunidades e afastarmos nosso olhar do próximo ainda é atual. 

Esta é a proposta de Tanovic para trazer o efeito poético no sofrimento, este que poderia ser retratado em qualquer lugar do mundo. O filme projeta o mal estar e faz questão de se esvaziar na trivialidade para refletir o vazio de um local abandonado pelas autoridades.

O encaminhamento retórico que o filme possui principalmente traz às questões sociais e o cunho histórico de um país assolado por eventos trágicos como a Bosnia-Herzegovina. Esta é a raiz da história. Portanto é comum que Um Episódio Na Vida de Um Catador de Ferro-Velho se assimile aos trabalhos de diretores como Alexey Balabanov, Elem Klimov e as recentes visitas de Sergei Lonitza à ficção por equivaler o pessimismo na composição de planos. Neles notamos que toda atenção dada à rotina sinaliza que até no menor dos atos, Tanovic guarda simbolismos  históricos pertinentes. 

Um Episódio Na Vida de Um Catador de Ferro-Velho (Epizoda U Zivotu Beraca Zeljeza, Bosnia-Herzegovina/França/Eslovênia/Itália, 2013) de Danis Tanovic


Paixão e Virtude (Ricardo Miranda, 2014)

 

Há muito a dizer sobre Paixão e Virtude, mas para sintetizar o impacto que a obra de Ricardo Miranda traz após a notícia de sua morte na última semana é necessário ampliar a ótica sobre o curso da carreira daquele que montou filmes de mestres como Ivan Cardoso, Glauber Rocha e Paulo Cesar Saraceni e dirigiu Assim Na Tela Como no Céu e Djalioh. Portanto será necessário um tempo maior de digestão e exclusão do filme da cobertura de luto e consideração. E o que pode-se comentar sobre o longa por enquanto...

Da mesma maneira que Djalioh (2012), Paixão e Virtude faria parte de uma trilogia e tem Flaubert como base. Nesta linha o que vemos é um respeito crível à literatura (linguagem), teatro (espaço e performance) e o cinema como ato contínuo, uma necessidade de expressão garantida pela evolução de uma espécie necessitada de inexatidão. Miranda questiona esta evolução em fina ironia, evitando problematizações acerca da moral pois os personagens se entregarão a cada quadro - metaforica ou literalmente, dependendo da motivação de Miranda. A matéria é o mesmo humano que escraviza e moraliza até pensamentos e não se inibe ao colidir com impulsos. 

Miranda deu ao narrador o papel de termômetro instintivo. É a forma clássica de se desenvolver uma história em conflito com a liberdade da imagem e a força de um embate de performances que não seguem o texto à risca. Toda riqueza oriunda desta parabólica acompanha o controle de Miranda sobre as motivações de um devorador de autores e artistas. Desta relação entre diretor e obra a força do filme duplica e toma forças ainda maiores com os últimos acontecimentos. Eis uma declaração de amor à inconstância e contradições humanas que permitem declarações angustiantes e cínicas acima de qualquer consideração. Diagnósticos tampouco. O que se celebra em Paixão e Virtude é a vida, ainda que a tela insista em abordar a morte. 

Paixão e Virtude (Idem, Brasil, 2014) de Ricardo Miranda

Instinto Materno


Entre tantos filmes recentes que abordam um desastre emocional, Instinto Materno não trabalha com a subjetividade para questionar até onde o incondicional amor materno é nocivo. Assim se configura um filme que parte do conflito entre assunto e ponto de vista. Mesmo com o foco na figura da mãe e com momentos de hibridez entre diversos alicerces – o filho, o pai, a namorada e o fato que rege a trama – o filme está a favor dos contrapontos, geralmente adormecidos pela opção de Calin Peter Netzer em manter a dialética regida por sequências verborrágicas.

Tal escolha serve de recurso para deteriorar este ponto de vista; há no filme uma insistente dinamização das emoções, acabando de vez com a essência do assunto e dando o filme alicerces, ou seja, personagens mitificados. A consequência é um simbolismo sem vida regido por maneirismos estilísticos.


É curioso o desenho de Instinto Materno, pois ele abre espaços para o intervalo, para a contemplação e arritmia de ações. Mas o que se vê é a intensa afirmação de contradições e uma tentativa vã de achar a média da análise entre integridade e a premeditação. Tudo aqui é embalado por um lamento incomodo e agudo, onde o que mais se faz presente é a questão sobre o futuro de um filho, além de sua reputação, para a sociedade. Incólume à tragédia, esta mãe suporta ao que Calin Peter Netzer intenta por sua posição híbrida de vilania e heroísmo, tantas vezes exibida e dita, banalizada – tão quanto à morte – frente à câmera. Portanto, se a instituição familiar passa por mutações, Calin Peter Netzer faz um minucioso raio-X sobre o inferno que pode ser feito a partir da cruel relação de poder sobre a vida do outro.

Instinto Materno (Pozitia Copilului, Rômenia, 2013) de Calin Peter Netzer

15 filmes para 2014

O Oscar passou, o carnaval terminou e o ano começa em nossa terrinha de Copa do Mundo. Hora de listar os filmes mais esperados para 2014. E claros, alguns têm estreia prevista por aqui, outros só em festivais e caso nem isso aconteça, procure o torrent mais próximo. Vamos a eles:
Boyhood (Richard Linklater)
Processo de doze anos de produção e filmagem para investigar reações (imediatas e a longo prazo) de um garoto acerca da separação dos pais. Urso de Prata no último Festival de Berlim. 
Adeus à Linguagem (Jean-Luc Godard)
Godard. Em 3D.

 The Smell of Us (Larry Clark)
Clark volta ao mundo da autodestruição, skatistas, fetiche, violência e afins. O filme, ambientado em Paris, conta com Michael Pitt e Valérie Maës no elenco. Em 2012, Clark lançou Marfa Girl na internet declarando ser contra o injusto plano de distribuição de filmes. Portanto, é possível que a première do filme aconteça em sua TV.

Expresso do Amanhã (Bong Joon-Ho)
Depois de travar batalhas contra produtores e distribuidores para lançar o seu corte, Joon-Ho, diretor de Mother e O Hospedeiro, finalmente viu seu filme ver a luz do dia no fim de 2013. O drama pós-apocalíptico tem previsão de estreia no Brasil para abril com distribuição da PlayArte.  

White Bird in a Blizzard (Gregg Araki)
Shailene Woodley (Os Descendentes) encara Gregg Araki para contar a história de uma adolescente que se vê diante do caos quando sua mãe desaparece. Espere, lisergia, exageros, nudez e rock noventista, como qualquer outro filme de Araki. A Imovision distribuirá o filme no Brasil, mas sem data de estreia prevista.

Hoje Eu Quero Voltar Sozinho (Daniel Ribeiro)
Baseado no curta-metragem Eu Não Quero Voltar Sozinho também de Daniel Ribeiro, o longa vencedor do Teddy e do prêmio FIPRESCI em Berlim conta a história do jovem Leonardo, que por conta de sua deficiência visual luta contra a superproteção da mãe e descobre o amor adolescente com a chegada de Gabriel. Estreia prevista para 10 de abril com distribuição da Vitrine Filmes.

Maps to the Stars (David Cronenberg)
O olhar de Cronenberg sobre a cultura ocidental. O filme tem distribuição garantida para 2014, mas sem data confirmada.

Club Sandwich (Fernando Eimbcke)
Do diretor dos belos Temporada de Patos e Lake Tahoe, Club Sandwich narra a ansiedade de uma mãe ao ver o filho se aproximar de uma mulher mais velha. Prêmio de melhor diretor no Festival de San Sebástian. Estreia prevista para 3 de julho com distribuição da Esfera Filmes em parceria com a Vitrine Filmes.

God Help the Girl (Stuart Murdoch)
Dirigido pelo frontman da banda Belle & Sebástian, o filme é referencia direta a outro projeto musical de Stuart Murdoch batizado de, claro, God Help the Girl. O filme é um musical (!) sobre o verão. Seleção oficial do Festival de Berlim. Sem previsão de estreia no Brasil.
O Lobo Atrás da Porta (Fernando Coimbra)
Premiado como melhor filme da Première Brasil no último Festival do Rio, o longa de Fernando Coimbra ainda não tem previsão de estreia, mas a distribuição está garantida pela Imagem Filmes. O longa narra as perversidades de um triangulo amoroso vindo de um misterioso sequestro. 

La Distancia (Sergio Caballero)
Mais conhecido como diretor do festival de música Sonar, Caballero também é responsável pelo bizarro Finisterrae, filme vencedor do Tiger Award no Festival de Rotterdam que acompanha a saga de doisfantasmas de volta à vida. La Distancia, segundo o Hollywood Reporter é uma "ficção científica cômica". Sem chances de lançamento por aqui. Torça para algum festival se interessar pelo filme.

Aliança (Gabriel Martins, João Toledo e Leonardo Amaral)
Exibido na última Mostra de Tiradentes, Aliança é o mais próximo que o cinema nacional chegou da comicidade nos últimos anos, mesmo com estes mesmos garotos aprontando um exemplar como Estado de Sítio, de 2011. E justamente o gênero e suas (im)possibilidades no cinema, em particular o brasileiro, que o filme trata. Infelizmente o filme não tem previsão de estreia. 

Inherent Vice (Paul Thomas Anderson)
Nova parceria entre Paul Thomas Anderson e Joaquin Phoenix para narrar a busca de um detetive viciado por sua namorada. Estreia prevista para o último semestre no Brasil e nos EUA. 
Amar, Beber, Cantar (Alain Resnais)
Há poucas semanas atrás Alain Resnais recebeu o Urso de Prata dedicado a diretores inovadores por beber "Amar, Beber, Cantar". Diretor de filmes fundamentais como "Hiroshima Mon Amour" e "Noite e Neblina", Resnais deixou seu legado como uma das colunas da Nouvelle Vague. Resnais se foi no dia 1º de março e seu último filme tem  distribuição da Imovision, sem data confirmada. 

Amor, Plástico e Barulho (Renata Pinheiro)
O conflito entre o sucesso e a artificialidade que o show business oferece. Vencedor de três candangos no último Festival de Brasília. 

Outros possíveis títulos com lançamento previsto para 2014: Jersey Boys (Clint Eastwood), Bill The Galatic Hero (Alex Cox), Winter Sleep (Nuri Bilge Ceylan), Clouds of Sils Maria (Olivier Assayas), Horizontal Process (Abbas Kiarostami), The Sacrament (Ti West), Welcome to New York (Abel Ferrara), The Vatican Tapes (Neveldine/Taylor), Twinkle Twinkle (Harmony Korine), A Igreja do Diabo (Manoel de Oliveira) , Branco Sai Preto Fica (Adirley Queiroz), Faroeste (Abelardo de Carvalho), A Vizinhança do Tigre (Affonso Uchoa), Gone Girl (David Fincher), Is The Man is Tall Happy? (Michel Gondry), Hellions (Bruce McDonald), The Zero Theorem (Terry Gilliam), Praia do Futuro (Karim Ainouz), Sob a Pele (Jonathan Glazer), Miss Violence (Alexandre Avranas), No Limite do Amanhã (Doug Liman), A Million Ways to Die in the West (Seth McFarlene), Os Mercenários 3  (Patrick Hughes), The Green Inferno (Eli Roth), Kill The Messenger (Michael Cuesta), Tom na Fazenda (Xavier Dolan).

ELES VOLTAM



 

Eles Voltam, debutdiretorial de Marcelo Lordello (Vigias) em longas de ficção tenta englobar diversos meios e abordagens sociais para o elemento básico do cinema contemporâneo pernambucano: o desenvolvimento desenfreado do mercado imobiliário e a reconfiguração do modelo de cidade. O avanço tecnológico e a globalização servem como formalismos para identificação do discurso de extrema fluidez com essência vinda da ação e da ambivalência entre ambiente e dramaturgia. 


Eles Voltam, porém, começa pela margem. Abandonados pela estrada pelos pais, Peu (Georgio Kokkosi) e Cris (Maria Luiza Tavares) estão longe da cidade, num ambiente inóspito à primeira vista e que se apresenta, com a força do trabalho dramatúrgico de Lordello, em extremo oposto. Cris encontra outra realidade; o sobrenome, o tom da pele, costumes e necessidades distintas de sua rotina na cidade. Este panorama vem à força - concretizado lentamente - e no momento ideal na construção da personadesta menina introspectiva.  Deste conflito o filme é feito e sobrevive.


Cris é um personagem nômade, pois visita diversas óticas de vida em pouco tempo. Seja rodeada por sonhos, pessimismo ou prédios, Eles Voltam prega o discurso da vivência ante o julgamento, ainda que de forma frágil. A adolescência é o momento pertinente para se sentir órfão, desamparado e sufocado, sem a certeza de que tudo pode voltar para o lugar. E assim, Lordello tem a licença para abolir o olhar feminino, dentro de um filme, em sua maioria, feito por mulheres.


E, como seu título, o filme é a análise de um grande sofisma. Inerente ao concreto e ao asfalto, o humanismo aqui acompanha o discurso político sobre a divisão de classes e costumes moldados por máquinas, sonhos e construções.

Eles Voltam (Idem, Brasil, 2012) de Marcelo Lordello  

NOVO ENDEREÇO

 Amigos, agora estou neste endereço: hellocinephilia.substack.com Deixarei este blog aqui como arquivo de quase 20 anos de blogs, sites e re...