Sob a Pele (Jonathan Glazer, 2013)



O maior ponto a salientar em Sob a Pele é o fato do filme dirigido por Jonathan Glazer retomar a discussão sobre o discurso interior e sua forma, abordada por Sergei Eisenstein em A Forma do Filme: novos problemas. Pois o longa nada mais faz que explorar as leis de forma e composição através da fantasia e do pensamento sensorial. 


Portanto, o que vemos não é de fato a formação de uma trama aos moldes clássicos, mas apenas os traços necessários para liga-los à narrativa com a função de construir conflitos. Este é o ponto que tem criado comparações à filmografia de Stanley Kubrick, em especial 2001 – Uma Odisséia no Espaço (1968) e De Olhos Bem Fechados (1999). Nestes traços estão os diálogos superficiais e as sequências representativas, onde a morte é o eixo maior. A maior das certezas neste caso está a serviço do alerta. Ela acompanha as opções particulares do diretor no uso de um mundo frio, abandonado e extremamente carente. Destes elos saem justificativas para o estudo da personagem, interpretada por Scarlett Johansson.


Ela serve de parabólica deste mundo – distante, cruel e calculista. Porém, o diretor Jonathan Glazer não resume seu filme ao simples exercício de associação – que daria bom resultado, enfim – e desenha, sem driblar a previsibilidade, a transformação. É a transformação da mulher e sua idiossincrasia, por mais que a associação mais clara seja a de uma extraterrestre. Esta bifurcação falha, que leva ao mesmo caminho, traduz o efeito da ficção. Pois a saga de uma mulher destinada em ser e encontrar a morte aos poucos é levada para um lugar restrito, onde Glazer diminui o impacto de um filme feito para sua aura futurística e o contorna com a condenação de nossos atos, tão apressados e inconsequentes, curiosamente citados em um mundo onde sobra espaço e tempo para contemplar. 

Sob a Pele (Under the Skin, Reino Unido, 2013) de Jonathan Glazer

FANTASPOA 2014

Rápidos comentários sobre filmes vistos no Fantaspoa 2014:

 O Dia Trouxe a Escuridão (El Día Trajo la Oscuridad, Argentina, 2013) de Martín de Salvo

Filme suspendido, desenvolvido através de artifícios e representações. A decisão de fugir do sensacionalismo que o tema traz há muitos anos, usando o vampirismo como justificativa para a tentativa de entronizar personagens é acertada. Tudo aqui é dormente. E de propósito. Usar a iminência de um ataque e ambiência como sinalizadores de um filme de horror é suficiente.

O Samurai (Der Samurai, Alemanha, 2014) de Till Kleinert

O que domina o filme de Till Kleinert é como o flerte com o cinema fantástico amplifica uma espécie de "glória" que a narrativa carrega enquanto curiosamente utiliza a trivialidade da caça de gato e rato entre um  policial e uma representação de vilão das mais criativas dos últimos anos. Dinâmico como um thriller mais interessado em resultados, a força do filme está na subjetividade que o ambiente traz - tédio, passividade e, claro, crimes.  

O Beijo dos Amaldiçoados (Kiss of the Damned, EUA, 2012) de Xan Cassavetes

Tudo em O Beijo dos Amaldiçoados parte do convencionalismo e do controle. Talvez para não ultrapassar barreiras que os vampiros ganharam nos últimos anos e ficar entre o pastiche e um filme extremamente violento. O trabalho de Xan Cassavetes se resume em equilibrar pilares do tema às novas representações visuais e a descentralização da ação a partir de um triângulo amoroso e as necessidades vampirescas. 

Gerontofilia (Gerontophilia, EUA, 2013) de Bruce LaBruce

Bruce LaBruce aponta interesse às narrativas nesta versão gay de Ensina-me a Viver. Com o tradicional cinismo e fetiche estético, o grande trunfo do filme está mesmo no desprendimento do diretor às formas direcionadas como manifesto relacionado aos direitos LGBT. Além de ampliar o alcance da mensagem, Gerontofilia é LaBruce saindo do lugar comum, sem fios narrativos para justificar o diálogo com o erotismo.


Camaleão (Buqälämun, Azerbaijão/França/Rússia, 2013) de Elvin Adigozel e Ru Hasanov
Em análise superficial pós-sessão a questão da necessidade de Camaleão integrar a seleção de filmes de um festival como o Fantaspoa veio à mente. Principalmente por se tratar de um filme que opta pela distância dos personagens, sem eixos e de um silêncio esmagador. Porém, é interessante ligar o filme de Elvin Adigozel e Ru Hasanov ao formato do cinema fantástico. Camaleão é um estudo intrínseco acerca da sobrevivência e da ética sob olhar misantropo - logicamente seguida da ironia que esta ótica traz.  

O Deserto (El Desierto, Argentina, 2013) de Christoph Behl

O fato de Christoph Behl estruturar seu filme conforme a iminência de um ataque de zumbis faz de O Deserto um filme de intromissões. Se o muro separa os personagens do "mundo fantasioso", Behl usufrui deste norte e constrói a tensão dentro da casa e lá exibe as diversas formas de intervenção do real e principalmente de linguagem sem perder a meada de um filme de suspense. 

The Dirties (Idem, Canadá, 2013) de Matthew Johnson

Kevin Smith escreveu no ano passado sobre a importância de The Dirties pela facilidade de justificá-lo como narrativa e torná-lo em produto. Ainda que o filme seja um objeto pra lá de estranho que aborda a cultura pop e o mercado cinematográfico - e seus respectivos legados negativos -, Johnson entrelaça sem pudor a comédia de humor negro estudantil à história de jovens vítimas de bullying que desejam produzir um filme.

Mulher Coelho (Mujer Conejo, Espanha/Argentina/Venezuela, 2013) de Verónica Chen

Por se revelar um filme-denúncia no primeiro ato - o que é de extrema coragem e ambição por unir tal postura à trama fantasiosa -, a estrutura de Mulher Coelho transparece certa inocência por parte de Verónica Chen em ligar suas partes através do ponto de vista de imigrantes sobre a corrupção em um país estrangeiro.

Jug Face (Idem,  EUA, 2013) de Chad Crawford Kinkle

Provavelmente o filme mais convencional da programação do Fantaspoa, Jug Face se configura como uma simples metáfora acerca da opressão religiosa e o fim da compaixão. Serve de contraponto à ótica moderna do gênero e um resgate às tramas oitentistas.


A Estranha Cor das Lágrimas do Seu Corpo (L'étrange couleur des larmes de ton corps, Bélgica/França/Luxemburgo) de Hélène Cattet e Bruno Forzani

A imagem em seu embrião e função básica - a de encadear códigos; A Estranha Cor das Lágrimas do Seu Corpo possui sequências que dobram, desdobram, manipulam resultados e a orientação do espectador que nutre a experiência de um jogo sensorial justificado pelo terror. Experiência válida, ainda que Hélène Cattet e Bruno Forzani não saiam do ponto onde seu filme anterior, Amargo, parou.


Raze (Idem, EUA, 2013) de Josh C. Waller

Um dos  mais divertidos e legítimos discursos acerca de assuntos tão sérios como a opressão  e a margem para discutir a violência doméstica, machismo e a representação da instituição familiar na sociedade. Waller parte de um cinema tão desgastado como prático para circular estes assuntos com humor e coreografia invejável. 

 Ruína (Ruin, Austrália/Camboja, 2013) de Michael Cody e Amiel Courtin-Wilson
 
Prêmio do júri no Festival de Veneza, o filme de Michael Cody e Amiel Courtin-Wilson exibe um exorcismo desenvolvido na base um drama muito consciente de seus eixos. Trata-se de um filme que não faz questão de exibir problemas e sim consequências, como um sintoma universal que pede uma discussão aprofundada. Logicamente estamos falando de corrupção e violência em um filme apropriado por corpos.

Algumas Garotas (Algunas Chicas, Argentina, 2013) de Santiago Palavecino

Convenções do cinema de gênero a serviço do tempo. A morte simbólica - ou o constante flerte com a literalidade - dialogam de forma ingênua com o abismo criado pelo fim da juventude e a vida adulta. E neste espaço as personagens usam a inconsequência como fuga e a dor, enfim, como terror.


Return to Nuke'Em High - Parte 1 (Idem, EUA, 2013) de Lloyd Kaufman
Contra o tédio das comédias contemporâneas, Lloyd Kaufman usa os tradicionalismos de "Tromaville" para criticar as rédeas usadas nos filmes de hoje e a anemia social americana neste retorno ao centro "educacional" de Kaufman. A base parece ser coesa no primeiro ato, mas não sustenta a gratuidade que vem a seguir.

 A Terra das Cartas (Tasher Desh, Índia, 2012) de Qaushiq Mukherjee

Entre as super produções de Bollywood e o cinema indiano de baixíssimo orçamento, Qaushiq Mukherjee produz um híbrido de lisergia e ode ao intervalo entre ações na teatralidade. É possível notar fortes influências do cinema independente americano dos anos 90 quando livre da narrativa, e em especial a tendência de transformar o filme em objeto de decifração, o que esvazia e muito a proposta inicial de A Terra das Cartas.

Promoção: Getúlio

Para quem acompanha o cinemaorama nas redes sociais, o sorteio de ingressos de Getúlio, filme dirigido por João Jardim está no ar. É só procurar os posts relacionados ao assunto e seguir as regras para participar.


Hotel Mekong (Apichatpong Weerasethakul, 2012)




Hotel Mekong é um filme particular e extremamente passional. Seu cunho contemplativo e diálogos supostamente soltos são construídos a partir de códigos facilmente captados para os familiarizados com o cinema de Apichatpong Weerasethakul, que exibe controle sobre a proposta de um filme que está muito mais para uma carta de amor que narrativa. 

Nos primeiros minutos de filme, vemos um personagem colocar uma camiseta escrita “Joe”. É o caminho a seguir. Não é por menos, afinal este é o nome por qual o diretor tailandês é conhecido no ocidente. A partir daí, Hotel Mekongse torna uma espécie de poema particular  dividido com o seu público cativo. A vida após a morte, espiritualidade e sexualidade, temas recorrentes nos filmes de Apichatpong ganham atenção, construídos por fatos sobrenaturais vividos no hotel que batiza o filme.

De frente para o rio Mekong, o olhar se torna objeto principal de discurso, onde a postura do diretor é tão harmoniosa ao acaso quanto à postura firme de quem sabe o que escolheu para viver. E neste caso, viver não é fugir do tempo e dos dias, como num jogo de gato e rato ou uma corrida de jet skis, Mekong, o hotel ou o rio, continuarão lá. E o espírito também. Alimente-o, sacie-o, viva-o.

Hotel Mekong (Mekong Hotel, Tailândia/Reino Unido, 2012) de Apichatpong Weerasethakul

GETÚLIO



Há em Getúlio uma imposição simples feita já na primeira sequência do filme; o atentado a Carlos Lacerda, maior adversário político de Getúlio Vargas, próximo à residência do então presidente da república. Ela é rápida, remetente a estetas do cinema contemporâneo como Michael Mann (Inimigos Públicos) e James Gray (Os Donos da Noite) e salientada pela excelência da direção de fotografia de Walter Carvalho. Assim, com esta evidente abordagem João Jardim sacramenta a formalização narrativa ante um possível tributo feito aos moldes de um épico ou de um drama histórico.


A escolha de filmar um thriller suspendido pelos conflitos políticos que culminam no suicídio de Getúlio Vargas e a desconstrução da persona de um homem solitário cria uma bifurcação no filme. Passado por boa parte dentro do Palácio do Catete, a sensação de claustrofobia aumenta; Getúlio, mesmo ao redor de tantos assessores e seguranças, está só. Não há em Getúlio Vargas a ideia em quem confiar. 


Há uma quantidade considerável de cenas onde João Jardim coloca em cheque a posição da câmera pois o que vemos são momentos de extrema intimidade daquele homem e a sensação é de invasão, de quebra e intromissão à história. A posição do político de viver como um homem solitário e de comportamento suicida em até certo ponto acanhado, em poucos momentos caminha ao lado do filme em si, do thriller que domina boa parte da duração de Getúlio.


Nesta grande parte, João Jardim desenha um filme em crescendo. A partir do atentado, Getúlio Vargas vai além de premissas ideológicas do povo e rompe o limite da cartilha política e vira vilão através de jogadas midiáticas de Lacerda. Não se trata de uma questão e sim de constatação. A mesma câmera que rompeu a solidão afirma a verdade ou o lado que seu público deve interagir de forma afetiva, ainda que não fique tão claro isto, já que a sensação é como fora dito antes, de intromissão.


Mesmo com a ausência de harmonia entre as duas colunas concebidas por um ato político nunca julgado pelo diretor – apenas seus expoentes -, a rivalidade é entreposta às saídas pessoais de Vargas. Sua preocupação flutuava entre o orgulho político e a integridade física. E sua carta de despedida parece como o ponto de partida para associação ou a absorção total de seu caráter sem qualquer tipo de julgamento, pois João Jardim nos lembra a cada plano que se trata de cinema. 

Getúlio (Idem, Brasil, 2014) de João Jardim

Lançamentos em VOD

O mercado em Video on Demand no Brasil não para de crescer. Por outro lado, as locadoras decretam falência. É o fim de um tempo de troca de ideias frente ao balcão, sugestão de filmes, diretores e informações principalmente de amizades. Inicia-se o tempo de compras/downloads de filmes de forma oficial. Sendo assim, vamos a eles.

 
Bad Milo (Idem, Jacob Vaughn, 2013) 
 
Como ponto de partida de Bad Milo está a melhor (talvez única) representação cinematográfica da reação do sistema gastrointestinal ao stress de uma vida baseada em resultados e traumas.  Bad Milo tem o hibridismo de Basket Case de Frank Hennenloter e a justificativa tensionada ao humor do cinema de gênero como suporte para a violência, tantas vezes visitada em filmes como Peeping Tom e Re-Animator. 

Dark Horse (Idem, EUA, 2011) de Todd Solondz
Para variar, chegando com muito atraso no Brasil. 
Crítica completa aqui. 

 Veronica Mars (Idem, EUA, 2014) de Rob Thomas

Exibido entre 2004 e 2007, a série homônima criada por Rob Thomas coloca em sua versão longa-metragem apenas a leveza de continuar o formato consagrado e a ironia com os sete anos que separam a série e o filme. Rob Thomas parece à vontade para adaptar seus personagens ao tempo de Twitter, Facebook e tablets enquanto usa esta alavanca para, com controle  exigido por qualquer filme feito para a TV, representar um gênero. 
  
 Vida de Adulto (Adult World, EUA, 2013) de Scott Coffey
  
Vida de Adulto é por excelência um filme de relações. Com a vida em primeira instância, ainda que a busca por afirmação da protagonista ganhe mais atenção. Exemplar das comédias independentes americanas adotadas pelo festival de Sundance, o filme tem a frustração como norte da trama, abordada através de núcleos - pais, emprego, amigos, etc. Esta separação paralela aos conflitos comuns da recém-chegada vida adulta adormecem os eixos mais simples do filme, resultando em uma experiência genérica.


Ashley (Idem, EUA, 2013) de Dean Ronalds

Tentativa desarmoniosa de traçar o cotidiano de uma garota amedrontada pelos traumas de infância. Não há um simples núcleo que funcione aqui. Do roteiro ao elenco, nada encaixa e a impressão é que Ashley é um pastiche dos mais ousados dos últimos anos. Ou o pior filme que vi em muito tempo. 

Apagar Histórico (Clear History, EUA, 2013) de Greg Mottola

Por se tratar de um filme feito para TV, Apagar Histórico mostra Greg Mottola contido e sem a astúcia de Superbad e Paul. Fica claro em poucos minutos de filme que a intenção é produzir uma versão estendida de um episódio de qualquer seriado cômico no qual Larry David passou. O senso crítico de Apagar Histórico está diluído em personagens anêmicos e tão caricatos a ponto de criar dúvidas da postura de Mottola ao próprio filme.


O Perigo Vem do Lago (Beneath, EUA, 2013) de Larry Fessenden

O retorno à direção de Larry Fessenden após Colapso no Ártico reúne elementos básicos  do slasher com filmes de monstro, aqui representado por um peixe assassino que serve de mutação da figura do assassino e a redução do espaço de ação. E O Perigo Vem do Lago investiga o respeito dessa fronteira de espaços - lago e barco -, claro, na base da violência. E com ela Fessenden faz sequências belíssimas e de extrema coragem, sem medo do velho debate envolvendo efeitos especiais em filmes de baixo orçamento. Por outro lado, a velha história de um grupo de adolescentes insuportáveis e perdidos não ganha a tradicional carga de humor que serve como escape para tamanha canastrice. 

TOM NA FAZENDA



Longe da histeria e da etiqueta que seu nome carregou nos últimos anos em festivais no qual havia passado em branco até então, Xavier Dolan, enfim, fez cinema. Tom na Fazenda se configura como um mergulho simples e dinâmico à narrativa e ao gênero sem grandes afetações estéticas e muito mais concentrado nos eixos da obra ao contrário de seus outros filmes, muito mais norteado pela construção de ícones e elementos extracampo. 


No thriller baseado na peça homônima de Michel Marc Bouchard – algo que explica a rédea vista em Tom na Fazenda - as referências são menos argilosas e funcionais. Hitchcock é constantemente lembrado e Gosto de Sangue de Joel e Ethan Coen é um dos títulos que vem à mente pela maneira que Dolan coloca o lado trágico da trama e pelo jogo de sombras. O filme é composto por extremidades e se torna hipnótico pela forma que Dolan insere os planos, sempre exageradamente abertos ou fechados. Eles acentuam a intenção do filme e mostram que a simplicidade no cinema é arrebatadora. 


O filme narra os dias angustiantes de Tom (Xavier Dolan) vividos na fazenda onde a família de Guillaume, seu ex-namorado recentemente falecido mora. Decidido a esconder da mãe a opção sexual do irmão, Francis (Pierre Yves-Cardinal) costura um jogo de gato e rato com Tom. À primeira vista o discurso de Dolan parece redundante a respeito da identidade sexual e o preconceito latente. Porém, com o desenvolver do filme, vemos que a ideia é mais complexa. Em outro plano, a iminência se torna a maior armadilha para o filme, sem grandes opções de desenvolvimento ou de surpresas. 

Curiosamente, quando Dolan sai da zona de conforto - ou de um fashionismo inexplicável -, ele foi premiado pelos críticos no Festival de Veneza. E não há como discordar da formalidade que o jovem canadense apresenta personagens cínicos e perigosos; Tom na Fazenda significa um novo tempo em sua carreira, enquanto revisita os bons tempos de um gênero e brinca com a ilusão de uma obra orgânica, que muda até mesmo a sua janela de exibição e declara sua artificialidade. 

Tom na Fazenda (Tom à la ferme, Canadá/França, 2013) de Xavier Dolan

NOVO ENDEREÇO

 Amigos, agora estou neste endereço: hellocinephilia.substack.com Deixarei este blog aqui como arquivo de quase 20 anos de blogs, sites e re...