OS MELHORES FILMES DE 2011

A impressão que tenho é que o tempo anda em fast forward a partir de certa idade. Parece que foi ontem que batemos o martelo: Cópia Fiel de Abbas Kiarostami como o melhor filme de 2010. De lá pra cá, O Discurso do Rei de Tom Hooper levou o Oscar, Terrence Malick deixou Cannes com Palma de Ouro de melhor filme por A Árvore da Vida e Woody Allen completa nesta semana sete meses em cartaz com seu Meia Noite em Paris em terras brasilis.

Em outros posts sobre melhores filmes do ano recebemos muitos comentários questionando o critério de seleção em relação ao ano de produção e lançamento dos mesmos. O critério de classificação dos filmes é o seguinte: filmes distribuídos ou exibidos no Brasil em 2011 com produção entre em 2010 e 2011. O filme pode ter sido lançado diretamente em DVD, exibido em mostras ou festivais ou em circuito limitado que mesmo assim está apto a figurar na lista. O filme está descartado caso tenha sido lançado ou avaliado em 2010 (como o caso do próprio Cópia Fiel ou Tio Boonmee que pode recordas suas vidas passadas, por exemplo).

A novidade é que escolhemos os melhores em diversos aspectos, como roteiro, edição e elenco, ao invés de nos concentrarmos apenas nos filmes. Enfim, vamos a eles. Sintam-se livres para comentar, concordar e discordar.

Antes dos melhores, os piores:

OS PIORES FILMES DE 2011

 
01. VAMOS FAZER UM BRINDE (Idem, Brasil, 2011)

 
02. INVERSÃO (Idem, Brasil, 2011)


 
03. A GAROTA DA CAPA VERMELHA (Red Riding Hood, EUA/Canadá, 2011)

 
04. O TURISTA (The Tourist, EUA/França/Itália, 2010)

 
05. RAIVA (Kalevet, Israel, 2010)

 
06. LANTERNA VERDE (Green Lantern, EUA, 2011)

 
07. SUPER 8 (Idem, EUA, 2011)

 
08. SUCKER PUNCH - MUNDO SURREAL (Sucker Punch, EUA/Canadá, 2011) 

 
09. L.A ZOMBIE (Idem, EUA, 2010)

 
10. NÃO SE PODE VIVER SEM AMOR (Idem, Brasil, 2011)

MENÇÕES NADA HONROSAS
- CILADA.COM de José Alvarenga Jr. [Leia a crítica]
- ALIEN LÉSBICA SOLTEIRA PROCURA de Madeleine Olnek [Leia a crítica]
- THOR de Kenneth Branagh [Leia a crítica]
- VEJO VOCÊ NO PRÓXIMO VERÃO de Philip Seymour Hoffman [Leia a crítica]
- OS ESPECIALISTAS de Gary McKendry

Enfim, os melhores:
ATRIZ COADJUVANTE

 
01. Melissa Leo (O Vencedor)
 
 
02. Olivia Colman (Tiranossauro)

 
03. Melissa Leo (Red State)

 
04. Jessica Barden (O Retorno de Tamara)

0
05. Evan Rachel Wood (Tudo Pelo Poder)

ATOR COADJUVANTE
 
01. Geoffrey Rush (O Discurso do Rei)

 
02. Harmony Santana (Gun Hill Road)

 
03. Christian Bale (O Vencedor)

 
04. Aaron Eckhart (Reencontrando a Felicidade)

 
05. Clive Owen (Confiar)

EDIÇÃO

 
01. DRIVE

 
02. 127 HORAS

 
03. BELLFLOWER

 
04. MISS BALA

 
05. SUCKER PUNCH - MUNDO SURREAL

ROTEIRO ADAPTADO
 
01. Hossein Amini (Drive)

 
02. Beatriz Bacher  (O Abismo Prateado)
 
03. Debra Granik e Anne Rosellini (Inverno da Alma)

 
04. Pedro Almodóvar (A Pele que Habito)
 
 
05. George Clooney, Grant Heslov e Beau Willimon (Tudo Pelo Poder)

ROTEIRO ORIGINAL
 
01. Woody Allen (Meia Noite em Paris)

 
02. Petrus Cariry, Firmino Holanda e Rosemberg Cariry (Mãe e Filha)

 
03. Ricardo Pretti, Luiz Pretti, Pedro Diogenes e Guto Parente (Os Monstros)

 
04. Sion Sono (Culpada por Romance)

 
05. Mark Heyman e Andres Heinz (Cisne Negro)

ATRIZ
 
01. Natalie Portman (Cisne Negro)

 
02. Yahima Torres (Vênus Negra)
 
 
03. Jennifer Lawrence (Inverno da Alma)
 
04. Zoé Héran (Tomboy)
 
05. Sara Fostier (Os Nomes do Amor)

ATOR
 
01. Javier Bardem (Biutiful)

 
02. Ryan Gosling (Tudo Pelo Poder)

 
03. Thomas Doret (O Garoto da Bicicleta)
 
04. Johnny Depp (Rango)

 
05. Fernando Bezerra (Transeunte)
ELENCO
 
01. O DISCURSO DO REI

 
02. O VENCEDOR

 
03. TUDO PELO PODER

 
04. INVERNO DA ALMA

 
05. RED STATE

DIRETOR
 
01. Béla Tarr (O Cavalo de Turim)

 
02. Nicolas Winding Refn (Drive)

 
03. Terrence Malick (A Árvore da Vida)

 
04. Tom Hooper (O Discurso do Rei)

 
05. Darren Aronofsky (Cisne Negro)

MELHORES FILMES DE 2011
 
10. INVERNO DA ALMA
Direção: Debra Granik
 Exibido em circuito

 
09. RANGO
Direção: Gore Verbinski
Exibido em circuito

 
08. RED STATE
Direção: Kevin Smith
Exibido no Festival do Rio 2011

 
07. RISCADO
Direção: Gustavo Pizzi
Exibido em circuito

 
06. MÃE E FILHA
Direção: Petrus Cariry
Exibido no Indie - Mostra de Cinema Mundial 2011

 
05. O CAVALO DE TURIM
Direção: Béla Tarr
Exibido no Indie - Mostra de Cinema Mundial 2011

 
04. OS MONSTROS
Direção: Luiz Pretti, Ricardo Pretti, Gustavo Parente, Pedro Diogenes
Exibido em circuito

 
03. CISNE NEGRO
Direção: Darren Aronofsky
Exibido em circuito

 
02. MEIA NOITE EM PARIS
Direção: Woody Allen
Exibido em circuito

 
01. DRIVE
Direção: Nicolas Winding Refn
Exibido no Festival do Rio 2011

MENÇÕES HONROSAS
- FINISTERRAE de Sergio Caballero [Leia a crítica]
- A ÁRVORE DA VIDA de Terrence Malick [Leia a crítica]
- HOMENS E DEUSES de Xavier Beavous [Leia a crítica]
- O GAROTO DA BICICLETA de Jean-Pierre e Luc Dardenne [Leia a crítica]
- TUDO PELO PODER de George Clooney [Leia a crítica]
É isso. Espero que tenham gostado da lista e de toda cobertura de lançamentos nos cinemas, DVD, festivais e colunas que o Cinema O Rama dispinibilizou para leitura em 2011. Agradecemos o carinho e todos que comentaram, opinaram, criticaram e elogiaram.  Que venha 2012!

COMPRAMOS UM ZOOLÓGICO


Revestido da aura noventista que consagrou a carreira de Cameron Crowe com filmes como Say Anything e Singles – Vida de Solteiro, Compramos um Zoológico transpassa para as telas o livro homônimo de Benjamin Mee onde o próprio autor conta o escapismo de algumas fases do luto pela morte de sua esposa ao associar o trabalho de revitalização de um zoológico na Califórnia.

Edificante, o longa é preciso ao abordar a negação à morte e a intensidade das lembranças que logo se tornam conflitos entre Benjamim (Matt Damon) e seu filho Dylan (Colin Ford). A leveza da descoberta de um mundo de múltiplas oportunidades – remetente direto ao ideal americano que entroniza o trabalho como uma aventura em sua essência e alusória ao tom do reencontro com o patriotismo após 11/09 -, ganha perspectivas dicotômicas que pautam, no fim das contas, a maturidade e o amor fraterno.

A fuga do caos de uma metrópole se espelha na metafórica doença de um tigre no zoológico batem de frente à organicidade do filme de Crowe, que está mais preocupado em arrancar o melhor de seu elenco; desde a pequena e ótima Maggie Elizabeth Jones aos calejados Scarlett Johansson e Matt Damon. Esta irregularidade é vista por toda a duração de Compramos um Zoológico, que imprime à Crowe uma gama de sequências que desembocam na idéia de otimismo em relação ao recomeço. Um ode aos velhos em legitimidade.

★★★
Compramos um Zoológico (We Bought a Zoo, EUA, 2011) de Cameron Crowe

TUDO PELO PODER

Na sequência que representa a ambiguidade do poder – onde o governador Mike Morris (George Clooney) enfrenta uma turbulência no vôo a caminho de mais um debate político, o também diretor George Clooney dilui a representação do candidato à eleição presidencial: Morris se transforma ali numa figura frágil e substituível para o comitê do partido. Tudo pelo Poder coloca em pauta a luta pelo controle. Afinal, este é o ingrediente que sustenta as campanhas políticas. E ele é totalmente abstrato em época de eleições.

A partir desta idéia, uma teia é construída – sempre pelos diálogos reforçados que sintetizam diversas tonalidades de persona – envolvendo dignidade e integridade na disputa. Cada personagem, num elenco com nomes de porte como Philip Seymour Hoffman, Marisa Tomei, Evan Rachel Wood e Paul Giamatti, é esquadrinhado e padronizado no sentido de referência e representação.

Como pilar da história está Stephen Myers (Ryan Gosling), que serve como peça-chave para desconstrução imagética da lealdade em tempos de interesses exclusivamente políticos. Nesta situação, um erro pode tomar proporções gigantescas, envolvendo a imprensa, renúncias de cargos e sumiços de bodes expiatórios a partir de um jogo de chantagens e escândalos – com o reforço da interação de elementos plásticos que transparecem o estado emocional de cada personagem em pequenos detalhes, como o desatar do nó de uma gravata e o desvio de um olhar.

Clooney desenha com ritmo e riqueza de detalhes um filme que segue o estatuto de sua temática, o que em nenhum momento implica que Tudo pelo Poder fuja da originalidade e inovação de perspectiva de convicções e referências.

★★★★
Tudo Pelo Poder (The Ides of March, EUA, 2011) de George Clooney

As melhores cenas do cinema em 2011

É dada a largada para as nossas listas de fim de ano. As dez cenas inesquecíveis no cinema em 2011 (de filme produzidos entre 2010 e 2011) estão listadas abaixo (sem ordem preferencial e sim, Melancolia e A Árvore da Vida estão fora!), mas utilizando critérios técnicos e líricos para composição. Alguns filmes foram exibidos apenas em festivais pelo Brasil, portanto, caso você não conheça algum, clique no link, leia a crítica e procure-o!

 
O tsunami em ALÉM DA VIDA

 
O jantar em HOMENS E DEUSES

 
O show em OS MONSTROS

 
A transformação em CISNE NEGRO

 
Bianca e a parede em RISCADO
 
A primeira tempestade em O CAVALO DE TURIM

 
O encontro com o homem sem nome em RANGO

 
A vingança em BELLFLOWER

 
A primeira fuga em DRIVE

 
Salvador Dalí e Luis Buñuel em MEIA NOITE EM PARIS

Na próxima semana (para ser exato no dia 26/12) divulgaremos nossa lista com os melhores do ano (incluindo Melhor Ator, Atriz, Coadjuvantes, Roteiro, Filme, etc.) Aguardamos os seus comentários!

TRIÂNGULO AMOROSO


O amor como antagonista em Triângulo Amoroso esfria as motivações castradas pela saturação do tema e colocam o filme de Tom Tykwer (Corra, Lola, Corra) na invariável pauta existencialista. Seus protagonistas vivem silenciosamente as frustrações de uma relação fria que desenvolve carências e pessimismo em relação ao futuro.

Com referências a Uma Mulher para Dois de François Truffaut a sua própria filmografia, Tykwer mostra que o processo é natural: encontrar o oposto, completar um ciclo, mesmo que para isso tenhamos que correr riscos. O que está no gene nos matará de alguma forma.

Tykwer faz questão de transformar o âmago de sua história em cartada estilística, o que após alguns filmes faz a característica se tornar obviedade. A falta de sobriedade distancia os personagens mais que o permitido. O prazer carnal cria conflitos flutuantes, que cercam o cerne da história, mas nunca encontram o real – representado pela figura de Adam, um homem que não sabe o que quer da vida, fora se relacionar com o maior número de pessoas que puder. E Triângulo Amoroso pode ser sintetizado pela quase ditatorial e fetichista estética de Tykwer com a falsa idéia de bem-estar que o casal Simon e Hanna vive: da frivolidade à profundidade que as obrigações matrimoniais e até mesmo fraternais exigem, por um choque, colocam livre arbítrio e destino em harmonia.

★★★
Triângulo Amoroso (3, Alemanha, 2010) de Tom Tykwer

ISTO NÃO É UM FILME


Sentenciado a seis anos de prisão pelo governo iraniano – acusado pela suposta intenção de cometer crimes contra a segurança nacional do país e propaganda contra a República Islâmica, Jafar Panahi (O Balão Branco, Offside) conta com a ajuda do documentarista e amigo Mojtaba Mirtahmasb para registrar um dia de sua vida em prisão domiciliar.

Isto Não é um Filme parte do dispositivo da censura por qual Panahi passa neste momento e aos poucos se revela como um panorama sobre a vida no Irã. O diretor vende sua imagem como referência – tentar contar em detalhes o que seria o seu próximo filme e exibe conversas com sua advogada, mas em nenhum momento é o alicerce entre tema e imagem. A era que possibilita a realização de filmes com a câmera de um celular é a mesma que ainda tem a ditadura como centralidade destas obras.

Mirtahmasb, no momento mais eloquente do filme, dirige Panahi, que assim chega mais perto da representação do cotidiano – afinal, é sempre pertinente dentro da improvisação de Panahi e Mirtahmasb questionar o que era pré-estabelecido – para grande parcela da população iraniana. Flagras da intolerância no país invadem o conforto da casa do diretor, que através da linguagem cinematográfica direciona sua dedicação pela arte – e questões para artistas, seus consumidores e teóricos. Nada mais que a releitura do cinema iraniano dos últimos anos, sempre aberto às interferências da realidade.

★★★★
Isto Não É Um Filme (In Film Nist, Irã, 2010) de Jafar Panahi, Mojtaba Mirtahamsb

OS NOMES DO AMOR


Michel Leclerc concebeu Os Nomes do Amor como contraponto à discussão etno-política que insere na mesma receita a imigração, religião e a intolerância. Tal ideal vem da abordagem lúdica do tema, quebrando a dimensão do tempo, apresentando passado e presente na mise-en-scene.

Se Leclerc aborda a postura radical da política de direita francesa, ela é mero pano de fundo da trama de Bahia (Sara Fostier), esquerdista fervorosa que utiliza o sexo como arma política. Se ação e reação de conflitos religiosos estão em pauta, logo viram trampolim para o sarcasmo sobre a relação dos franceses com a guerra da Argélia. Essa ousadia teve reconhecimento, rendendo o César 2011 de melhor roteiro original e melhor atriz para Fostier.

Outro grande acerto do filme está na construção dos personagens, com características valiosas para definição de distintas visões e índoles políticas, e assim, moldá-los para, paralelamente, escrever um caso de amor. Leclerc foi por outro caminho, onde conteúdo e bom humor também são possíveis de despertar a passionalidade. Um conto que traz na medida conteúdo e diversão.

★★★★
Os Nomes do Amor (Le Nom des gens, França, 2010) de Michel Leclerc

NOVO ENDEREÇO

 Amigos, agora estou neste endereço: hellocinephilia.substack.com Deixarei este blog aqui como arquivo de quase 20 anos de blogs, sites e re...