DEZ ANOS. CEM FILMES.

Relutei para fazer minha lista dos melhores filmes da década passada (2000-2009) exibidos de alguma forma no Brasil, mas arrumei um modo divertido de lembrar e posicionar os filmes (mais conhecido como MUBI). Não vi muitos filmes, provavelmente esqueci-me de alguns e certamente não deixarei muitos satisfeitos. Enfim, espero suas opiniões e seus filmes prediletos que ficaram de fora. Here i go:

100. SWIMMING POOL (2003) de François Ozon

99. PACTO MALDITO* (2004) de Jacob Aaron Estes


98. OS SONHADORES (2003) de Bernardo Bertolucci


97. DIA DE TREINAMENTO (2001) de Antoine Fuqua


96. GLÓRIA AO CINEASTA! (2007) de Takeshi Kitano


95. ABRAÇOS PARTIDOS (2009) de Pedro Almodóvar


94. ADRENALINA II (2009) de Mark Neveldine e Brian Taylor


93. DIRIGINDO NO ESCURO (2002) de Woody Allen


92. O FANTÁSTICO SR. RAPOSO (2009) de Wes Anderson


91.  GERRY (2002) de Gus Van Sant


90. OS DONOS DA NOITE (2007) de James Grey


89. SHORTBUS (2007) de John Cameron Mitchell


88. SÍNDROME E UM SÉCULO (2006) de Apichatpong Weerasethakul


87. AS CINCO OBSTRUÇÕES (2005) de Lars Von Trier


86. ARRASTE-ME PARA O INFERNO (2009) de Sam Raimi


85. O HOSPEDEIRO (2007) de Bong Joon-Ho


84. A VIDA DOS OUTROS (2006) de Florian Henckel Von Donnersmarck


83. A PARTIDA (2008) de Yôjirô Takita


82. BATALHA REAL (2000) de Kinji Fukasaku


81. XXY (2007) de Lucía Puenzo


80. BEM VINDOS (2001) de Lukas Moodysson


79. A EXPERIÊNCIA (2001) de Oliver Hirschbiegel


78. AOS DOZE E TANTOS (2005) de Michael Cuesta


77. PARANOID PARK (2007) de Gus Van Sant


76. DESEJO E PERIGO (2007) de Ang Lee

75. INVASÕES BÁRBARAS (2003) de Denys Arcand


74. BOA NOITE E BOA SORTE (2005) de George Clooney


73. FILHOS DA ESPERANÇA (2006) de Alfonso Cuáron


72. NOTAS SOBRE UM ESCÂNDALO (2006) de Richard Eyre


71. NATUREZA QUASE HUMANA (2001) de Michel Gondry


70. A PASSAGEM (2004) de Marc Foster


69. REBOBINE, POR FAVOR (2008) de Michel Gondry


68. O ARCO (2005) de Kim Ki Duk


67. CLOSER (2004) de Mike Nichols


66. THIS IS ENGLAND (2006) de Shane Meadows


65. A QUEDA (2004) de Oliver Hirschbiegel


64. O HOMEM QUE COPIAVA (2003) de Jorge Furtado


63. O ÚLTIMATO BOURNE (2007) de Paul Greengrass


62. FONTE DA VIDA (2006) de Darren Aronofsky


61. O CORTE (2005) de Costa-Gravas


60. PROCURANDO NEMO (2003) de Andrew Stanton


59. O ESCAFANDRO E A BORBOLETA (2007) de Julian Schnabel


58. GRAN TORINO (2009) de Clint Eastwood


57. O GRANDE CHEFE (2006) de Lars Von Trier


56. JCVD (2008) de Mabrouk El Mechri


55. LAKE TAHOE (2008) de Fernando Eimbcke


54. SEPARAÇÕES (2002) de Domingos Oliveira


53. CACHÉ (2005) de Michael Haneke


52. CONTRA TODOS (2004) de Roberto Moreira


51. A ONDA (2008) de Dennis Gansel


50. ONDE OS FRACOS NÃO TEM VEZ (2007) de Joel e Ethan Coen


49. NOVE RAINHAS (2000) de Fabián Belinsky


48. QUASE FAMOSOS (2000) de Cameron Crowe


47. KILL BILL: VOLUME 2 (2004) de Quentin Tarantino


46. SIDEWAYS (2005) de Alex Payne


45. FROST/NIXON (2008) de Ron Howard


44. HEDWIG - SEXO, ROCK E TRAIÇÃO (2001) de John Cameron Mitchell


43. SOBRE MENINOS E LOBOS (2003) de Clint Eastwood


42. DURVAL DISCOS (2002) de Anna Muylaerte


41. ADAPTAÇÃO (2002) de Spike Jonze


40. A CASA DE ALICE (2007) de Chico Teixeira


39. A BANDA (2007) de Eran Korilin


38. CONDUTA DE RISCO (2007) de Tony Gilroy


37. ESTÔMAGO (2007) de Marcos Jorge


36. TIROS EM COLUMBINE (2002) de Michael Moore


35. DONNIE DARKO (2002) de Richard Kelly


34. ALTA FIDELIDADE (2000) de Stephen Frears


33. WAKING LIFE (2001) de Richard Linklater


32. ANTES QUE O DIABO SAIBA QUE VOCÊ ESTÁ MORTO (2007) de Sidney Lumet


31. CRONICAMENTE INVIÁVEL (2000) de Sérgio Bianchi


30. ROCKY BALBOA (2007) de Sylvester Stallone

30
29. BATMAN - O CAVALEIRO DAS TREVAS (2008) de Christopher Nolan


28. ASSIM ME DIZ A BÍBLIA (2007) de Daniel G. Karslake


27. TEMPO (2006) de Kim Ki Duk


26. BASTARDOS INGLÓRIOS (2009) de Quentin Tarantino


25. REJEITADOS PELO DIABO (2005) de Rob Zombie


24. WALL-E (2008) de Andrew Stanton


23. FALE COM ELA (2002) de Pedro Almodóvar


22. ÁGUAS TURVAS (2009) de Erik Poppe


21. LOREN CASS (2006) de Chris Fuller


20. OLDBOY (2003) de Chan Wook Park

19. VANILLA SKY (2001) de Cameron Crowe


18. AMNÉSIA (2000) de Christopher Nolan


17. KURT COBAIN - RETRATO DE UMA AUSÊNCIA (2007) de AJ Schnak 


16. CANÇÕES DO SEGUNDO ANDAR (2000) de Roy Andersson


15. BRILHO ETERNO DE UMA MENTE SEM LEMBRANÇAS (2004) de Michel Gondry


14. ANTICRISTO (2009) de Lars Von Trier


13. SANGUE NEGRO (2007) de Paul Thomas Anderson


12. NA NATUREZA SELVAGEM (2007) de Sean Penn


11. CIDADE DOS SONHOS (2001) de David Lynch


10. OS EXCÊNTRICOS TENENBAUMS (2001) de Wes Anderson


09. E O BUDA DESABOU DE VERGONHA (2007) de Hana Makhmalbaf


08. CIDADE DE DEUS (2002) de Fernando Meirelles


07. 21 GRAMAS (2003) de Alejandro González Iñárritu


06. A VIAGEM DE CHIHIRO (2001) de Hayao Miazaki


05. KILL BILL: VOLUME 1 (2004) de Quentin Tarantino


04. DANÇANDO NO ESCURO (2000) de Lars Von Trier


03. AMORES BRUTOS (2000) de Alejandro Gonzáles Iñárritu


02. IRREVERSÍVEL (2002) de Gaspar Noé


01. DOGVILLE (2003) de Lars Von Trier

* Pacto Maldito também foi lançado no Brasil como Quase Um Segredo.
É isso. Espero que tenham gostado da lista. :)

O ESCRITOR FANTASMA


Nove entre dez capas de DVD’s estampam frases como “o melhor filme do ano” ou “impactante e surpreendente” com intuito de te convencer a alugar ou comprar o filme. Pois é, assumo que seria capaz de escrever essas frases cafonas na capa de O Escritor Fantasma. Este é um caso onde podemos perceber claramente a diferença em ter um bom diretor à frente de um roteiro que poderia transformar o filme num show de pieguices. O filme não traz absolutamente nada de novo ao gênero policial, mas Roman Polanski dissolve qualquer previsibilidade ao ignorar macetes comuns e construir personagens como pilares na estrutura narrativa.

O tal escritor fantasma foi contratado pelo ex-primeiro ministro britânico Adam Lang para escrever suas memórias e substituir o fantasma antecessor, morto em circunstâncias misteriosas. Obviamente, o novo escritor seria o próximo alvo, mas quando Lang é acusado de crimes de guerra, o escritor assume a postura de investigador e mediador do caso após achar brechas na história do político durante pesquisas para o livro. Metáforas sobre o caso de Tony Blair e o escritor Robert Harris (também roteirista do filme) à parte, Polanski cria um mosaico de teorias conspiratórias, apesar de seguir o mesmo fio narrativo, que é o do escritor fantasma, o mocinho, na busca de informações que possam ligar o passado do político e a morte do fantasma anterior de Lang.

Os diálogos sempre afiados sustentam e assumem parte da ação do filme, seja para reafirmar intenções do diretor a respeito de seus personagens ou justificar fugas para determinadas sequências. Algo que só um mestre como Polanski poderia fazer sem soar tendencioso. O clássico caso de ser implícito e tendencioso num roteiro de investigação policial pode parecer banal, mas o peso da direção pesa na hora de construir os personagens, suas personalidades e principalmente as possibilidades de desfecho da trama. Justamente nesses aspectos que O Escritor Fantasma se difere dos outros filmes que discutem manipulações políticas e conspirações. E o final, completamente pessimista, é prova disso.

O Escritor Fantasma (The Ghost Writer, França/Alemanha/Inglaterra, 2010) de Roman Polanski

OLHOS AZUIS

 

Totalitarismo, remorso e a busca por redenção guiam a narrativa de Olhos Azuis. Por mais contemporâneos (e de certa forma batidos) que tais assuntos possam ser, existe algo a mais no filme de José Joffily. Não só a coragem para peitar uma força chamada Estados Unidos da América ao mostrá-los com autoritarismo exacerbado na relação com estrangeiros, em especial, os da América Latina. Não é preciso sair da sala de departamento de imigração, onde os latinos buscam uma carimbada em seus passaportes e que autorizem a entrada na “terra das oportunidades”. De personalidades distintas e muito bem construídas, os policiais aqui têm o poder absoluto sobre o futuro de cada um que está na sala de espera.

Intercalando com esta sistemática que oferece aos policiais diversão durante o horário de trabalho, vemos a busca do policial Marshall em terras brasileiras pela filha de um homem que estava na sala de imigração. Aos poucos, Joffily vai construindo um quadro sócio-político brutal que envolve diversos aspectos. Por outro lado, o diretor mostra a entrega de um homem às suas fraquezas e sua última chance de redenção. A pose de um homem invencível dada por um núcleo é desfigurada pelo outro. O grande trunfo dessas duas esferas é que o diretor consegue fazer dois filmes diferentes, com dois gêneros diferentes. A primeira, um thriller explosivo, social. A segunda, um road movie contemplativo.

Ao fragmentar o filme dessa forma brusca, irregularidades no ritmo do filme parecem inevitáveis. Principalmente por se tratar de uma interação crescente à respeito de informações sobre Marshall. De qualquer forma, as intenções de Olhos Azuis são claras e bem sucedidas. Conflitos externos são comedidos na medida certa e os internos suficientemente implícitos para transformar o filme em entretenimento e fonte para reflexões.


Olhos Azuis (Idem, Brasil, 2009) de José Joffily

NOVO ENDEREÇO

 Amigos, agora estou neste endereço: www.7a1filmes.com/blog Deixarei este blog aqui como arquivo de quase 20 anos de blogs, sites e revistas...