O ASSASSINO SENTIMENTAL DE MÁQUINAS

tses_still13_1 

A narrativa de O Assassino Sentimental de Máquinas é fragmentada ao extremo a ponto do último ato completo exija atenção redobrada. Mas não é o aspecto mais importante do debut de Omar Rodriguez-Lopez, líder do grupo The Mars Volta na direção. O Assassino Sentimental de Máquinas é uma experiência sensorial, onde figuras de linguagem, unem-se para criar as possibilidades do sonho e traumas, acopladas a já citada frenética edição transformam a grande crise existencial de Barlam, um jovem que não suporta o peso de uma cartilha comportamental adolescente numa viagem abstrata e extremamente envolvente.

Os questionamentos de Barlam se desdobram em um quadro que elimina dicotomias e uma lógica interpretativa. Na pulsante mente do garoto está a relação quase incestuosa com a irmã, a religião, a inativa vida sexual, o abandono dos pais e carrinhos em miniatura. A insegurança e a postura inerente à pressão de amigos, aos poucos entrega distúrbios ou simplesmente a permissão para que Barlam exerça o livre-arbítrio. A interpretação é nossa. O quadro é pintado pelas nossas mãos.

Omar Rodriguez-Lopez entrega um filme pulgente, que insere conflitos comuns da adolescência e despacha clichês. Dentro desta experiência há espaço para interpretar, desconstruir e quem sabe, ter alguma conclusão sobre a verdade do protagonista.

★★★★
O Assassino Sentimental de Máquinas (The Sentimental Engine Slayer, México/EUA, 2010) de Omar Rodriguez-Lopez

CARTAS DO DESERTO (ELOGIO A LENTIDÃO)

Um convite para conhecer uma realidade completamente diferente. Onde tempo não é virtude e sim, companheiro agradável. Cartas do Deserto (Elogio a Lentidão) apesar de registrar o cotidiano de habitantes de uma ilha aparentemente esquecida no tempo, serve como antítese do nosso corrido e caótico cotidiano em linguagem semi-documental, preservando entre a (óbvia) lenta narrativa, belíssimas imagens.

Hari é um entregador de cartas. Caminha pelo deserto, conversa com seus clientes e lê a maioria das correspondências para eles. Conhece a vida de cada um deles intimamente por isso. A inevitável proximidade entre o carteiro e seus clientes representa o resgate de uma humanidade perdida com a vida estressante no ocidente. Na realidade de Hari, o asfalto sucumbe a areia. O tempo existe para edificação espiritual, contemplar a natureza, jogar conversa fora e calmamente, cumprir suas tarefas.

Ao primeiro sinal de modernidade (representada por uma antena para telefones celulares), apesar do silêncio e da prévia vantagem para comunicar-se com seus parentes distantes, Hari sabe que o seu modo de levar a vida será atingido. Tudo ficará mais urgente, seu trabalho será substituído por uma máquina, as pessoas se distanciarão e de certa forma, virarão máquinas e deixarão sua humanidade para raros momentos.

★★★
Cartas do Deserto (Elogio a Lentidão) (Letters From The Desert (Eulogy to Slowness), Itália/India, 2010) de Michela Occhipinti

ALGUNS DIAS SÃO MELHORES QUE OUTROS




Num condado americano qualquer, pessoas comuns com problemas comuns vivem num estado de melancolia por um problema nem tão ordinário no primeiro mundo: a falta de oportunidades para realização de um sonho.

A câmera de Matt McCormick desconstrói esse estado de espírito coletivo através da plástica. Cada personagem parece ter um motivo para continuar numa busca que parece sem fim, por mais esquisitos que eles possam parecer. Uns bem explícitos, outros nem tanto, mas suficientemente naturais para a identificação. E o cotidiano destes personagens batiza o filme.

A interpretação de realidade do diretor é convincente até certo ponto, quando cai em redundância e deixa essa apatia virar pretensão e se confundir com a problemática narrativa do filme.

★★
Alguns Dias São Melhores Que Outros (Some Days Are Better Than Others, EUA, 2010) de Matt McCormick

MINHA MÃE É UMA PUTA

 

Não é só no título de seu filme que Lee Sang Woo (que também escreve e protagoniza o longa) pretende instigar o público. Sua câmera registra a inversão de valores numa sociedade que cresceu com o peso de uma doutrina cristã. Mas para posicionar a religião em nosso tempo, o diretor se perde com o desenvolvimento narrativo, fazendo contraponto com as desconstruções de planos da cartilha do cinema clássico americano.

Minha Mãe é Uma Puta busca a fuga em extremos, que só resulta num riso tímido ou na reprovação instantânea, enfrentando literalmente a única possibilidade que o diretor nos permite. Seja pela visão de um desvio comportamental, da "real liberdade" ou uma triste herança, no fim das contas, o filme de Sang Woo perde a chance de elaborar personagens ou uma situação social para, simplesmente, chocar.

O grande problema do filme é como o diretor coloca suas mensagens imbuídas em situações que buscam denegrir classes, gostos e escolhas pessoais. Se não fosse isso apenas, a ladeira desce um pouco mais por conta da bagunça narrativa.

 ★
Minha Mãe é Uma Puta (Mother is a Whore, Coréia do Sul, 2009) de Lee Sang Woo

BORBOLETA BRANCA

 

Ser independente. Sair de casa e viver a tão esperada liberdade, que logo implica numa autonomia financeira. Como realizar estes sonhos sendo diretor de cinema? O título do filme de Kim Sam Ryeouk vem da metáfora da realização do sonho da mariposa ao se transformar numa borboleta branca.

O cinema pode ser um grande elo entre expressão e arte, mas também é mercado.  O protagonista Sang-Ho aprende isso na marra, junto com sua namorada Hye-Jin, que é atriz e sofre para conseguir um papel que a faça pagar as contas. O sonho se transforma em pesadelo às vezes. Aturar alguns contratempos faz parte para recomeçar. Criar  e ganhar cicatrizes.

Mas, como funciona o ditado, o tempo chega e quem espera, uma hora alcança. Mesmo que nesta aventura, o próprio Ryeouk apresenta sérias derrapadas narrativas com o excessivo uso de elipses, o sonho vira realidade. E enfim, podemos ver uma borboleta, tímida, medrosa e errada, almejando o primeiro voo.

★★★
Borboleta Branca (White Butterfly, Coréia do Sul, 2010) de Kim Sam Ryeouk

ALGUM LUGAR ENTRE O AQUI E O AGORA

 

Qual é o lugar que te faz sentir realmente em casa? Aliás, é um lugar? Você tem dono(a)? Para onde vai no próximo dia? Essas são algumas da milhares de perguntas sugeridas por Olivier Boonjing em Algum Lugar Entre o Aqui e o Agora.

Como o título sugere, o diretor capta momentos de uma noite, onde seus personagens parecem nômades (literal e emocionalmente) e um afago gratuito ou uma longa conversa parecem como a salvação. Completamente artesanal (por escolha, que fique claro) e às vezes forçado além da conta, o filme de Boonjing não se limita em esconder a câmera, mas também nos convida para fazer parte de uma festa, para sentar no bar e papear com seus personagens.

A aventura de explorar o desconhecido, através de idéias e atitudes repentinas, sem uma segunda chance para reflexão guiam esse mosaico de sentimentos. Não há chance de voltar atrás, para todos eles. O agora é o momento. Para aproveitar, para se declarar e até chorar. Mas que seja feito ali. Na hora.

★★★
Algum Lugar Entre o Aqui e o Agora (Somewhere Between Here  and Now, Bélgica, 2009) de Olivier Boonjing

MOBÍLIA MÍNIMA

 

Uma comédia tipicamente indie. Mobília Mínima tem narrativa dinâmica, deliciosa e não perde oportunidades para ridicularizar com propriedade costumes da vida moderna.

Nesta proposta, o entrave maior, que seria o de discutir a banalização e saturação de diversos estilos de vida e aspectos comportamentais é bem sucedido. Mobília Mínima apresenta na média um painel de conflitos (ainda) adolescentes de uma menina que acabara de se formar na faculdade interpretada pela própria diretora Lena Dunham. Estão lá o desdém da mãe, os homens, sexo, drogas, síndromes, (a falta de) popularidade e etc.

O roteiro, também de Lena Dunham, claramente foi construído numa espécie de moldura para agradar diversos nichos. Não se mostra corajoso para passar de um limite que ameaça por diversas vezes; contorna esta situação praticamente impondo o riso para o público. E é bem sucedido.

★★★
Mobília Mínima (Tiny Furniture, EUA, 2010) de Lena Dunham

ORLY

 

A busca incessante pelo acaso para a  diretora Angela Schanelec traduz Orly em longos planos com câmera estática, ausência narrativa e assuntos abordados com naturalidade e velocidade que estampam o cotidiano de um aeroporto.

Esta visão tão próxima do acaso transparece sentimentos comuns e contemporâneos. Mas se um repentino momento ele pode ser brilhante (as revelações de um filho para a mãe sobre sua opção sexual e a paixão relâmpago de um homem por uma mulher no caminho para comprar algo enquanto espera o seu voo), ele também pode remeter à momentos entediantes.

Nesta forma, Angela Schanelec apresenta um filme nem tão claro quando falamos sobre construção de personagens, mas absolutamente profundo no viés existencial. Funciona, mas de maneira irregular.

 ★★
Orly (Idem, França/Alemanha, 2010) de Angela Schanelec

HaHaHa


Não há título mais apropriado para este filme de Hong Sangsoo, contemplado com o prêmio de melhor filme da mostra "Um Certo Olhar" no Festival de Cannes deste ano. No longa são desconstruídos diversos caminhos tomados pelo humor numa trama que apresenta os mesmos personagens sob dois pontos de vista diferentes.

Sangsoo aborda a inocência e sua ausência em momentos paradoxais. Já e o bastante para o diretor nos remeter à Monty Python, Chaplin e claro, o humor oriental sem cair no ativismo contemporâneo das "homenagens". A equivalência destas possibilidades surgem sem escadas para o riso por sabedoria de Sangsoo; A câmera é o maior condutor desta linguagem. Ela nos sugere o riso. Seus personagens estão na tela para serem objeto do ridículo, expostos às fraquezas sem pudor.

E assim vemos sequências memoráveis quando Sangsoo explora o absurdo com sutileza e o justifica pela identificação imediata do espectador. HaHaHa aborda a decadência sob um olhar extremamente humano e humanizado a ponto de debochar e entronizar seus personagens na mesma cena.

 ★★★★
HaHaHa (Idem, Coréia do Sul, 2010) de Hong Sang-soo

INDIE - MOSTRA DE CINEMA MUNDIAL



119. Este é o número de filmes que fará os cinéfilos correrem por Belo Horizonte pelos cinemas que hospedarão o Indie Festival por sete dias. Completando dez anos em 2010, o festival já levou mais de 190 mil espectadores às salas entre diversas mostras e retrospectivas numa espécie de encontro às escuras com novos diretores.

Neste ano, o festival apresenta além de suas tradicionais e (e por que não visionárias?) mostras (Mostra Mundial, Indie Brasil, Musica do Underground e Cinema de Garagem) e retrospectivas de diretores que infelizmente não ganharam espaço em circuito comercial por aqui, mas carregam filmes maravilhosos na bagagem. Neste ano os escolhidos foram o vencedor da última edição do Festival de Cannes Apichatpong Weerasethakul e o cultuado diretor de terror (que vez ou outra foge do gênero) Kiyoshi Kurosawa.

Para a mostra mundial ficam os destaques para White Material de Clare Denis, A Vida Durante a Guerra de Todd Solondz, que revisita os personagens de Felicidade dez anos depois, o debut do músico Omar Rodriguez-Lopez em O Assassino Sentimental de Máquinas, o prêmio da mostra “Um Certo Olhar” em Cannes HaHaHa e o argentino Dois Irmãos de Daniel Burman. A música do underground tem foco no poder que a música tem: seja para revolucionar, curar, salvar. E lá estão sete filmes para imprimir esta relação de amor. A Indie Brasil, entre os cinco filmes selecionados, ganham destaque o premiado Leite e Ferro de Claudia Priscilla e A Falta que me Faz de Marília Rocha.

Estarei lá para conferir os filmes e, aos poucos, postarei minhas impressões sobre eles. Adoraria discuti-los com vocês, portanto, quem quiser, deixe comentários.

RESENHAS:

ORLY de Angela Schanalec
HAHAHA de Hang Sangsoo
O ASSASSINO SENTIMENTAL DE MÁQUINAS de Omar Rodriguez-Lopez
BORBOLETA BRANCA de Kim Sam Ryeouk
MOBÍLIA MÍNIMA de Lena Dunham
MINHA MÃE É UMA PUTA de Lee Sang Woo
WHITE MATERIAL de Claire Denis

CABEÇA A PRÊMIO

cabecapremio 

Marco Ricca dispensa a tradicional sede que diretores debutantes vêm ao pote em Cabeça a Prêmio. Em execução, o diretor mostra que sabe bem o que faz.  Mas para transferir a obra de Marçal Aquino que retrata a decadência de uma família burguesa que vive graças a atividades ilegais para a tela, o roteiro problemático se sobrepõe aos olhos afiados da direção.

A impressão é que Ricca tenta justificar a presença de vários personagens e ligá-los à trama naturalmente, mas cai na armadilha da previsibilidade. Perto do epílogo, Ricca ainda corre para apresentar personagens. Para isso, a omissão de fatos é saída mais urgente e se desprende da intenção inicial, que era de seguir o caminho existencialista numa trama que inevitavelmente cai numa rede de crimes.

O grande suspiro do longa está em sequências que nos imergimos na decadência dos personagens, todos completamente contaminados por um sentimento que não sabem descrever. Cada um tem sua forma de descontar esta espécie de frustração, e assim, é possível se aproximar deles. Pena que são raros os momentos que Ricca não confunde este bons momentos com a necessidade de criar uma narrativa linear.

★★
Cabeça a Prêmio (Idem, Brasil, 2009) de Marco Ricca

OS MERCENÁRIOS

os mercenários 

Chame de oportunismo, de tosco ou do que quiser. A idéia principal de Sylvester Stallone em Os Mercenários é o resgate, não só de atores, mas de uma estética de filmes de ação e o tradicional hábito escapista aliado ao gênero. Se durante a década de 90 eliminava-se um plot convincente para construir os filmes e nos últimos dez anos a grande protagonista era a pós-produção com seus efeitos especiais, a década de 80, em que o gênero se consagrou, volta como referência, com espaço para conhecermos um pouco mais de cada personagem (neste caso podemos chamar de Dream Team?) e justificar a porradaria desenfreada.

E este time formado por pilares  como Sylvester Stallone, Jason Statham, Jet Li e Dolph Lundgren (e algumas participações especiais que prefiro não contar, mas que rendem, de longe, a melhor cena do filme) só quer saber da grana. A famosa paz mundial é ignorada e nós agradecemos por isso. Aqui vive a mais fina ironia, pois o diretor/ator faz questão de equivaler esta visão a uma mensagem de direita, em tempos de intensas brigas em Hugo Chavez e os Estados Unidos. Esta visão vai até o seu limite de sobrevivência e ganha uma nova motivação para sustentar o filme e não funciona bem.

De qualquer jeito, o prato principal – as sequências de ação - vem com câmeras tremidas, cenas brutais de mutilação que remetem ao último filme de John Rambo, tiroteios, perseguições de carros e claro, dezenas de explosões. Infelizmente, a fórmula se repete algumas vezes e cansa – muito, por sinal. Afinal, os personagens já foram apresentados, já temos o suficiente para saber o que cada um ali deseja no meio do tiroteio e o ideal é o show cinematográfico e não um aprofundamento maior nos personagens, que Stallone soube fazer muito bem na primeira metade do filme.

Os Mercenários merece ser visto muito mais pelo fato de juntar diversos protagonistas de fitas de ação de diversas épocas em um filme. Não espere uma trama grandiosa o bastante para encaixar todos eles com seu devido valor e sim como uma típica trama de ação produzida nos anos 80.

★★★
Os Mercenários (The Expendables, EUA, 2010) de Sylvester Stallone

Análise: Cinemas do Rio de Janeiro

Sempre falo sobre filmes, mas nunca sobre os lugares onde passo boa parte de meu tempo livre. Pensando nisso, resolvi fazer esse post que pode servir como utilidade pública e expor minhas opiniões sobre as salas de cinema do Rio de Janeiro. Analiso programação, estado de conservação das salas e outros detalhes.

downtown

CINEMARK DOWNTOWN (Barra da Tijuca) – Segue o padrão das salas Cinemark e sua programação predominantemente blockbuster. Tem imperfeições de projeção em algumas salas (principalmente na sala 5). Óculos para 3D pesado, apesar de ser o melhor que já usei. O som das salas é bom. Apesar da programação mais pop, o Cinemark Downtown abre espaço para o Cine Cult, o Dia do cinema Brasileiro, o Festival Internacional de Cinema Infantil e o Festival do Rio.

espaco01
ESPAÇO DE CINEMA (Botafogo) – A base do grupo Estação e do Festival do Rio. É lá que cinéfilos escolhem sua programação e formam filas intermináveis para comprar ingressos em um ambiente bem agradável. Fora da época do festival, a programação também tende a oferecer filmes que não se encontram em cinemas de shopping. Projeção e som ok. A bela estrutura de fora com bombonière e livraria, não reverbera nas salas. O carpete mofado traz um cheiro desagradável e atrai bichos (não é exagero meu...). O grupo Estação promove cursos de cinema, mantém locadoras e hospeda boa parte de nossas queridas cabines.

vivo gávea
VIVO GÁVEA (Gávea) – Não parece, mas é um cinema do grupo Estação. Dentro do shopping da Gávea e com programação que tende à agenda comercial, as salas também tem estrutura modernosa com lâmpadas coloridas nas salas, mas mantém algumas tradições do grupo Estação, como as espreguiçadeiras e o ar condicionado quebrado.

espaço de cinema
ESTAÇÃO BOTAFOGO (Botafogo) – O que falta na estrutura tem na programação. Filmes ditos alternativos e sempre em continuação, para aqueles que deixam pra ver os filmes quando estão prestes a sair de cartaz. Neste cinema de rua, cadeiras e desenho da sala mantém o visual de cinema antigo.

barra point
ESTAÇÃO BARRA POINT (Barra da Tijuca) – Também com o visual antigo, o Barra Point traz à região uma programação diferenciada ao bairro que tem zilhões de shoppings e cinemas onde predominam franquias cinematográficas e comédias românticas.

laura alvim
CASA DE CULTURA LAURA ALVIM (Ipanema) - Três pequenas salas sempre com muitos filmes em circuito, geralmente aqueles que se consagraram com poucos dias em cartaz ou que merecem uma segunda chance. Agradável para quem prefere sessões tranquilas e perfeito para quem também gosta de uma sessão dupla com cinema/teatro.  As salas também o problema de carpete mofado.

cgoes23
LEBLON – Sobrevivente da matança de cinemas de rua, é preso à programação blockbuster por motivos óbvios. Infelizmente, toda sua grandiosidade não se equivale na qualidade. Na sala 1, que é imensa e belíssima, o som e a projeção ficam devendo. A sala 2, que tem projeções em 3D, a tela é grudada no teto, o mapeamento das poltronas é horrível e nas poucas sessões que fui nesta sala, ela estava sempre suja.

uci
UCI New York (Barra da Tijuca)– O cinema de shopping. Boa projeção e som. O teto das salas tem mofo pra dar e vender. Se você preza por silêncio e educação durante seu filme, fique bem longe.

kinoplex fashion mall
KINOPLEX FASHION MALL (São Conrado) – Mais um cinema de shopping. Boa projeção e som. Às vezes troca uma comédia romântica qualquer para exibir um Lars Von Trier da vida.

Cinema São Luiz 2_tela
CINE SÃO LUIZ (Largo do Machado) – Digo o mesmo sobre o São Luiz. Só não gosto dos óculos 3D de lá. São sujos.

ccbb
CCBB (Centro) – Se você não conhece, deve ter passado alguns anos em Marte. Mostras de cinema, exposições, livraria e tudo referente à arte. O som das salas é absurdo. Boa projeção também. O público às vezes é bem mala (aqueles velhos reclamões, sabe?), mas ai não é culpa do local.

via parque
VIA PARQUE (Barra da Tijuca) – Desenho de sala pitoresco (já experimentou ver um filme de lado?), programação boa para um cinema de shopping e boas promoções.

arteplex
ARTEPLEX (Botafogo) – Programação ideal, com filmes comerciais e de arte. Ótima infra-estrutura, com bombonière, livraria e restaurante. Boa projeção e som. Salas limpas e cara de grande complexo de cinema.

aud-jane
INSTITUTO MOREIRA SALLES (Gávea) - Mostras, exposições e palestras num dos locais mais bonitos do Rio. Recomendo comer algo lá mesmo e curtir o visual antes ou após o filme. O único senão é a acesso ao local, que fica no topo da Marquês de São Vicente, uma ladeira gigantesca.

A ORIGEM

a origem 

Uma pequena e óbvia analogia às possibilidades do cinema pode ser atrelada ao roteiro de A Origem. Afinal, só a sétima pode se assemelhar tanto aos sonhos. Só na tela de cinema podemos ver a materialização de um sonho em “tempo real”. Esta brecha é explorada minuciosamente por Christopher Nolan, um diretor que sempre foge de convencionalismos. O tempo, a imersão, a sensação de queda e o vespertino despertar são apenas algumas identificações que o diretor desenvolve com o espectador. Sabendo desse vasto leque de informações, Nolan dispensa a fragmentação da narrativa, mas não deixa de confundir, o que é de praxe em seus filmes.

E criar a equivalência entre a realidade e os sonhos é o tour de force do filme de Nolan. A impressionante plástica e ótimo timing para representar e desconstruir facetas distintas deste estado aumentam o impacto para configurar um filme de gênero. Envolve-se muito mais pelos aspectos citados que pela trama em si. A construção do thriller é igual a qualquer outro. Não estamos à frente de um filme de múltiplas saídas, como os de David Lynch, por exemplo.

A composição de personagens e seus conflitos são batidos e não condizem com toda originalidade do filme. Estão lá os conflitos amorosos e as mesmas motivações para os personagens se corromperem: ganância e incerteza. Fica evidente em certo momento que Nolan busca criar uma nova experiência ao espectador sem ultrapassar as fronteiras de seu conforto. Que não saia da passividade e resolva interagir com o filme. Em devidas proporções, A Origem se conclui sem fugir de um lugar comum no cinema contemporâneo.
★★★
A Origem (Inception, EUA/Inglaterra, 2010) de Christopher Nolan

Os Melhores Filmes de 2010...até agora.

Passamos da metade do ano e justamente nesta segunda parte que os grandes festivais de cinema do país acontecem. Logicamente eles mudarão boa parte dessa lista, mas acho difícil que os primeiros  fiquem de fora da lista final dos melhores filmes lançados por aqui em 2010 (produzidos entre 2009 e 2010). Por enquanto, esta é a minha lista. Sinta-se livre para discordar, comentar e sugerir outros filmes.

10. LUNAR (Moon, Inglaterra, 2009) de Duncan Jones

09. HISTÓRIAS DE AMOR DURAM APENAS 90 MINUTOS (Idem, Brasil, 2010) de Paulo Halm

08. CAPITALISMO: UMA HISTÓRIA DE AMOR (Capitalism: A Love Story, EUA, 2009) de Michael Moore


07. MARY & MAX - UMA AMIZADE DIFERENTE (Mary & Max, Austrália, 2009) de Adam Elliot


06. O ESCRITOR FANTASMA (The Ghost Writer, França/Alemanha/Inglaterra, 2010) de Roman Polanski

tudo pode dar certo
05. TUDO PODE DAR CERTO (Whatever Works, EUA, 2009) de Woody Allen


04. KICK-ASS - QUEBRANDO TUDO (Kick-Ass, EUA, 2010) de Matthew Vaughn


03. AS MELHORES COISAS DO MUNDO (Idem, Brasil, 2010) de Laís Bodanzky


02. UM HOMEM SÉRIO (A Serious Man, EUA, 2009) de Ethan e Joel Coen


01. O SEGREDO DOS SEUS OLHOS (El Secreto de Sus Ojos, Argentina, 2009) de Juan José Campanella

NOVO ENDEREÇO

 Amigos, agora estou neste endereço: hellocinephilia.substack.com Deixarei este blog aqui como arquivo de quase 20 anos de blogs, sites e re...