Bom ver Brian Taylor de volta e com a mesma disposição dos tempos de Adrenalina e Gamer para um filme tão excessivo como Mom and Dad. O filme é uma espécie de coleção de interlúdios sobre a base da sociedade americana - família, educação e saúde, nesta ordem -, passeando por ambientes que associem a este pensamento num jogo frenético de artificialidade e frontalidade dramatúrgica. E quanto mais Taylor insere informações nesta história, mais dissonante ela fica e o gosto pelo excesso ganha novas dimensões - principalmente Nicolas Cage e Selma Blair, grandes córregos para o gore em uma trama que nunca se justificou. Desta ausência a comicidade ganha contornos semelhantes ao de Adrenalina, na junção de linguagem e puro absurdo - em como Taylor faz um filme sobre colunas sociais arruinadas (em especial a família) e como amor e ódio podem traçar caminhos muito semelhantes.
Melhores Filmes de 2017
Há uma única regra para a composição
desta lista: filmes vistos pela primeira vez lançados entre 2015 e 2017.
Para maiores informações sobre os
filmes, com comentários meus, inclusive, acesse:
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| Dead Slow Ahead (Mauro Herce) |
Menções #1 (100 a 51):
Creep 2 (Patrick Brice), A Parte do Mundo que Me
Pertence (Marcos Pimentel), Roda Gigante (Woody Allen), Verónica (Paco Plaza),
By the Times it Gets Dark (Anocha Suwichakornpong), Ma’Rosa (Brillante
Mendoza), O Futuro Perfeito (Nele Wohlatz), Bad Lucky Goat (Samir Oliveros), A
Ghost Story (David Lowery), Aliados (Robert Zemeckis), Destruction Babies
(Tetsuya Mariko), The Sleepless Curse (Herman Yau), Oyate (Dam Girmus), A Seita
(André Antônio), Kor (Zeki Demirkubuz), Como Nossos Pais (Laís Bodanzky), Animal
Político (Tião), A Longa Caminhada de Billy Lynn (Ang Lee), Filmus (Clément
Safra), Marjorie Prime (Michael Almareyda), Projeto Florida (Sean Baker), La
Tierra Aún Se Mueve (Pablo Chavarria), Discreet (Travis Matthews), Eu Não Sou
Seu Negro (Raoul Peck), Deux Remi Deux (Piérre Leon), The Day After (Hong
Sang-Soo), Lamparina da Aurora (Frederico Machado), Toni Erdmann (Maren Ade), Música
Para Quando as Luzes se Apagam (Ismael Caneppele), Uma Paisagem em Yangtze (Xu
Xin), Fragmentado (M.Night Shyamalan), ¾ (Ilian Metev), American Valhalla (Josh
Homme), Homo Sapiens (Nikolaus Geyrhalter), Behemoth (Liang Zhao), Adeus
Entusiasmo (Vladimir Durán), Paradox (Wilson Yip), Joaquim (Marcelo Gomes), We
Make Couples (Mike Hoolboom), Columbus (Kogonada), Dead Slow Ahead (Mauro
Herce), No Intenso Agora (João Moreira Salles), Subybaya (Leo Pyrata), Heal the
Living (Katell Quilévéré), Martírio (Vincent Carelli), Mrs. Fang (Wang Bing),
People That Are Not Me (Hadas Ben Aroya), Paterson (Jim
Jarmusch), O Sequestro (Luis
Prieto), Iran (Walter Carvalho) .
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| Get the Girl (Eric England) |
Menções #2 (50 a 36):
Death Note (Adam Wingard), The Illinois
Parables (Deborah Stratmann), A Babá (McG), Antipornô (Sion Sono), Anjos Vestem
Branco (Vivian Qu), Sexy Durga (Sanalkumar Sasidharan), A Travessia (Robert
Zemeckis), mãe! (Darren Aronofsky), The Sky Trembles and The Earth is Afraid
and the Two Eyes Are Not Brothers (Ben Rivers), Abaixo a Gravidade (Edgard
Navarro), Histórias que Nosso Cinema (Não) Contava (Fernanda Pessoa), Autocrítica
de um Cão Burguês (Julian Radlmeier), Get the Girl (Eric England), Love and Other Cults (Eiji Uchida), Antônio Um Dois Três (Leonardo Mouramateus).
35. O ESTRANHO CASO DE EZEQUIEL (Guto Parente)
Histórias que se ignoram.
Histórias que se ignoram.
34. SHIN GODZILLA (Hideaki Anno, Shinji Higuchi)
Fragmentos históricos via cinema fantástico.
Fragmentos históricos via cinema fantástico.
33. O AUGE HUMANO (Eduardo Williams)
As extensões de Macluhan.
As extensões de Macluhan.
32. SIERANEVADA (Cristi Puiu)
"O teatro não é a vida nem o seu contrário, ele é como a vida" (Biette)
31.CUMP4RSIT4 (Raul Perrone)
Guerra, rostos e texturas. Uma jornada pelo cinema dos anos 20/30.
Guerra, rostos e texturas. Uma jornada pelo cinema dos anos 20/30.
30. LOVE & PIECE (Sion Sono)
Um filme de Sion Sono: Papai Noel mendigo, renegado que vira punk e uma tartaruga gigante.
Um filme de Sion Sono: Papai Noel mendigo, renegado que vira punk e uma tartaruga gigante.
29. BARONESA (Juliana Antunes)
O lado B do filme de gangster.
O lado B do filme de gangster.
28. STRAIGHT OUTTA COMPTON (F. Gary Gray)
O lado A do filme de gangster.
O lado A do filme de gangster.
27. WEREWOLF (Ashley McKenzie)
Contravenções imagéticas.
Contravenções imagéticas.
26. CACAYA (Peter Azen)
Corpos e performances. Bressane em exílio americano.
Corpos e performances. Bressane em exílio americano.
25. OS INCONTESTÁVEIS (Alexandre Serafini)
Monte Hellman e Edgard Navarro às margens da civilização.
Monte Hellman e Edgard Navarro às margens da civilização.
24. APESAR DA NOITE (Philippe Grandrieux)
Amor, masculino.
Amor, masculino.
23. ARÁBIA (Affonso Uchôa)
Enunciado e enunciação.
Enunciado e enunciação.
22. A MORTE DE LUIS XIV (Albert Serra)
Dentro da moldura.
Dentro da moldura.
21. HOW TO TALK TO GIRLS AT PARTIES (John Cameron Mitchell)
Cinema fantástico.
Cinema fantástico.
20. NA VERTICAL (Alain Guiraudie)
Obsessão, solidão e a torpe fragilidade humana.
Obsessão, solidão e a torpe fragilidade humana.
19. A BRIDE FOR RIP VAN WINKLE (Shunji Iwai)
Thriller fantasma.
Thriller fantasma.
18. MILLA (Valérie Massadian)
Jeanne Dielman adolescente.
Jeanne Dielman adolescente.
17. Z - A CIDADE PERDIDA (James Gray)
O cinema no monopólio da crença (ou como gostamos tanto de um cinema já tão distante)
16. 4 DAYS IN FRANCE (Jérôme Reybaud)
João Pedro Rodrigues encontra Vecchiali nas paisagens de Straub/Huillet.
João Pedro Rodrigues encontra Vecchiali nas paisagens de Straub/Huillet.
15. BITTER HONEY (Sogo Ishii)
Conto de fadas sobre a morte.
Conto de fadas sobre a morte.
14. THE LOVE WITCH (Anna Biller)
A morte do cinema ou o slasher de Wes Anderson.
13. REY (Niles Atallah)
Perrone e Jodorowsky se encontram para narrar um capítulo esquecido da história chilena.
Perrone e Jodorowsky se encontram para narrar um capítulo esquecido da história chilena.
12. 9 DEDOS (F.J Ossang)
Ossang convida Garrel e a máfia para o divã.
Ossang convida Garrel e a máfia para o divã.
11. SEM FÔLEGO (Todd Haynes)
Gestos e linguagens: o cinema em mutação.
Gestos e linguagens: o cinema em mutação.
10. SLEEP HAS HER HOUSE (Scott Barley)
Catálogo de sensações.
Catálogo de sensações.
09. NÃO ME FALE SOBRE RECOMEÇOS (Arthur Tuoto)
Entre tantos filmes sociais, o mais incisivo é aquele que se interessa pelas imagens.
Entre tantos filmes sociais, o mais incisivo é aquele que se interessa pelas imagens.
08. RYUZO AND THE SEVEN HENCHMEN (Takeshi Kitano)
Exemplar de Kitano insano mais interessante que o contemplativo.
Exemplar de Kitano insano mais interessante que o contemplativo.
07. JOHN WICK: UM NOVO DIA PARA MATAR (Chad Stahelski)
Espelhos e simulacros.
Espelhos e simulacros.
06. LE PARC (Damien Manivel)
Chiaroscuro sobre os tempos modernos.
Chiaroscuro sobre os tempos modernos.
05. 1048 MOONS (Charlotte Serrand)
Straubfilme do ano.
04. EX LIBRIS: NEW YORK PUBLIC LIBRARY (Frederick Wiseman)
Monumento cinematográfico.
Monumento cinematográfico.
03. A CÂMERA DE CLAIRE (Hong Sang-Soo)
Deliciosamente honesto.
Deliciosamente honesto.
02. OFFICE (Johnnie To)
O PlayTime de To.
O PlayTime de To.
01. NA PRAIA À NOITE SOZINHA (Hong Sang-Soo)
Brutal.
Brutal.
Faltou algum filme? Curtiu a lista? Comenta aí!
Top 10 Festival do Rio
63 filmes depois, eis os meus dez favoritos
do Festival do Rio 2017:
01. A Câmera de Claire (Hong
Sang-Soo)
02. Milla (Valérie Massadian)
03. Ex Libris: Biblioteca Pública de Nova York (Frederick Wiseman)
04. How to Talk to Girls at Parties (John Cameron Mitchell)
05. Lobisomem (Ashley Mckenzie)
06. Antipornô (Sion Sono)
07. Sexy Durga (Sanalkumar Sasidharan)
08. Anjos Vestem Branco (Vivian Qu)
09. Autocrítica de um Cão Burguês (Julien Radlmaier)
10. Discreet (Travis Matthews)
02. Milla (Valérie Massadian)
03. Ex Libris: Biblioteca Pública de Nova York (Frederick Wiseman)
04. How to Talk to Girls at Parties (John Cameron Mitchell)
05. Lobisomem (Ashley Mckenzie)
06. Antipornô (Sion Sono)
07. Sexy Durga (Sanalkumar Sasidharan)
08. Anjos Vestem Branco (Vivian Qu)
09. Autocrítica de um Cão Burguês (Julien Radlmaier)
10. Discreet (Travis Matthews)
Festival do Rio (Parte 3)
Uma
Criatura Gentil de Sergei Loznitsa
Filme
que inflexiona a ideia de burocracia e hierarquia em uma prisão como reflexo de
um país. Quando Loznitsa deixa explícitas suas intenções, o filme ganha força,
principalmente quando se apoia em alegorias. No restante é um morno exercício
de repetição de fórmulas.
Ex
Libris: Biblioteca Pública de Nova York de Frederick Wiseman
Wiseman
segue seu olhar às instituições americanas. Aqui, um estudo antropológico como
forma de observar Nova York como núcleo social, uma comunidade que necessita de
atos maiores, da cultura à política, para chegar a real democracia recheado de
momentos espetaculares em especial a celebração das senhoras e as palavras de
Patti Smith.
Golden Exits de Alex Ross
Perry
Depois
de emular Polanski em Queen of Earth, Ross Perry perde a linha neste filme que
mais parece as tentativas de Woody Allen em parecer Bergman. Entre o
interminável balé de fades, as relações interpessoais exibem adultos infantis e
jovens adultos. A balada da insegurança respinga no diretor.
How to Talk to Girls at Parties
de John Cameron Mitchell
Desregrado,
cartunesco, infantil e antes de tudo uma boa análise dos jovens – punks –
ingleses na era de Tatcher no partido conservador. O filme luta diretamente
contra convenções da ficção científica ao uni-la com uma comédia teenager numa
estranheza deliciosa.
Fuga! de
Jimmy Henderson
Henderson
mirou no Johnnie To e acertou no Dante Lam fazendo filme televisivo. A
brincadeira com o espaço fílmico termina antes mesmo de começar pois ela é
suportada por um fio narrativo de quinta categoria aliado às frágeis cenas de
ação. É o típico caso de se relevar tudo e seguir até o fim.
Motorrad
de Vicente Amorim
Compêndio
de tentativas: do uso do dispositivo, de linguagem, de narrativa e atmosfera.
Fica mais para um comercial sinistro do comercial do canal Off obcecado pela
estética sem êxito em nenhuma dessas tentativas.
O
Animal Cordial de Gabriela Amaral Almeida
Thriller
delimitado pelo espaço com alusões sociais na primeira parte, no miolo um
sinistro conto de terror e no fim um filme extremamente problemático para se resolver.
Na média, falta diálogo maior com a locação e a sustentação da atmosfera
sinistra que o filme sugere em alguns momentos.
Alguma
Coisa Assim de Esmir Filho e Mariana Bastos
A
intenção parece ser a de catalogar lembranças
como contraponto de uma tragédia existencialista – muito duvidosa, por
sinal – e é o melhor que acontece no filme, pois de resto é um drama pouco
envolvente, mais gratuito com as emoções e fiel às imagens.
Unicórnio
de Eduardo Nunes
O filme
tem signos interessantes entre a estética permeada pela linguagem de Béla Tarr
e Tarkovsky, mas muitas apostas inseridas destoam por completo do drama rural,
principalmente um tom fabuloso dispensável, pois Unicórnio tem elementos
oníricos embutidos a cada movimento de câmera.
Antipornô
de Sion Sono
Manifesto
contra o falso puritanismo japonês num vômito justificado: “é cinema!”, “é
arte!”. Um filme basicamente sobre o incômodo constante que a arte produz e sua
força de reverberação àqueles que a consomem. O completo descontrole de Sion
Sono em apenas 70 minutos.
Barbara
de Mathieu Amalric
Proto
cinebiografia. Uma espécie de Noite Americana mais indireta, interessado tanto
na quebra da quarta parede quanto na obsessão dos atores com seus personagens e
representações maiores. Um exercício interessante sobre o cinema, ainda que
Almaric não fuja da repetição.
Patti
Cake$ de Geremy Jasper
A
balada da rejeição e a busca por realização e aprovação vêm no arquétipo do
cinema independente americano, muito próximo à “esperteza” de Sundance. A
profundidade de Patti Cake$ é oferecida na troca pela estética e a opção de ser
um filme “livre” – ou seja, de ritmo, mas de pouca relevância.
Zama de
Lucrecia Martel
Filme
truncado que briga com os signos possíveis, sempre dentro de uma moldura
estipulada como forma de análise de caráter de seus personagens. É agradável
acompanhar como o filme briga com estas imposições, mas esgota o espectador
pela falta de diálogos com o que há de fora dessas paredes.
Os 8
Magníficos de Domingos Oliveira
O mais
agudo experimento feito por Domingos Oliveira também é a sua forma de revisitar
sua fase adulta, a do cinema do digital e de entrega completa de seus filmes à
dramaturgia. Um raio-x com bons momentos, outros duvidosos de oito atores em um
apartamento na zona sul carioca.
Anjos
Vestem Branco de Vivian Qu
Qu
denuncia as diferentes formas do capitalismo e do poder através de um thriller
fantasma sem um vilão visível, mas com um desfecho realista e de um profundo
lamento sobre nossa monstruosidade e nosso futuro.
Os
Meyerowitz: Família Não se Escolhe (Histórias Novas e Selecionadas) de Noah
Baumbach
Mal
decupado, editado, sem graça, uma mistura porca de Woody Allen com filmes do Adam
Sandler. Baumbach chegou ao limbo a se dedicar a fortalecer a domesticação de
um público. Tão gratuito e desleixado que chega a impressionar.
Manifesto
de Julien Rosefeldt
Pura
alusão a um manifesto sobre arte e seus impactos. Verborrágico, subestima a
força da imagem para a mesma função, formando um compêndio de performances
amorfas de Cate Blanchett sobre sociedade e arte num exercício de difícil
sustento.
Açúcar
de Renata Pinheiro e Sérgio de Oliveira
Os
primeiros minutos de filme são muito interessantes, num clima de horror
remetendo a Kiyoshi Kurosawa, mas o logo cai em simbolismos baratos e diálogos
ainda mais pobres para transparecer as intenções de “justiça” à história do
país. A média entre conteúdo e gênero é discrepante.
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