POTICHE - ESPOSA TROFÉU


François Ozon (O Refúgio, Swimming Pool, 8 Mulheres) pegou sua câmera, sentou na cadeira de diretor e por lá ficou. Potiche – Esposa Troféu é Ozon em sua zona de conforto – ou o exercício de resgate de sua essência. Cenários de cores cítricas, personagens pitorescos, relação intensa dos personagens com a música e o tradicional sarcasmo costuram uma comédia agridoce sobre a luta pelos direitos femininos no fim dos anos setenta que é baseada na peça de Pierre Barillet e Jean-Pierre Grédy.

De “potiche” (jarro, em francês) à diretora da maior fábrica de guarda-chuvas do país, Suzanne Pujol (Catherine Deneuve) cria um acirrado embate de poder com seu marido, Robert Pujol (Fabrice Luchini), pautando relações extraconjugais, o marasmo da rotina e a influência que o dinheiro exerce sobre a política. Ao desenvolver estes temas, Ozon raramente ousa e quando o faz, cria momentos memoráveis e engajados dentro de uma narrativa apoiada em sua margem por estereótipos.

Estes momentos - boa parte deles com o típico sarcasmo francês - sustentam o filme, que no geral alimenta uma relação morna com seus coadjuvantes e satura a identidade da protagonista, que no último ato personifica toda força que habitara ao seu redor na mesma intensidade que o filme perde ritmo. Potiche – Esposa Troféu é imerso em irregularidades, porém tem em sua base macetes funcionais de um diretor consagrado. E isso conta muito.

Potiche - Esposa Troféu (Potiche, França, 2010) de François Ozon

Comentários

  1. Estou louca pra ver esse filme, mas não está em cartaz em BH e nem sei se ficará =/
    Abraços!

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