Lançamentos em V.O.D

Mais uma leva de comentários sobre filmes lançados diretamente em Video on Demand no Brasil:

A História da Eternidade (Idem, Brasil, 2014) de Camilo Cavalcante

Vencedor do último Festival de Paulínia, o filme de Camilo Cavalcante tem lançamento simultâneo em Video on Demand e nos cinemas, ensaiando uma possibilidade para os filmes nacionais contra a perversidade do circuito brasileiro de distribuição. A História da Eternidade é o retorno simbólico ao cinema narrativo e de densidade dramatúrgica num sertão mítico. Funciona até o momento que o filme deixa de ser análise contida e poética para os efeitos práticos - e nefastos - da obrigatoriedade de um destino concreto para os personagens. A impressão é de um recuo grande demais para se preencher no último ato.

 Tusk (Idem, EUA, 2014) de Kevin Smith

Um filme feito sobre a pluralidade na relação discurso-forma. Tusk se resume à crítica à sociedade americana feito no escracho e terror, apoiado entre o ridículo e a potência máxima do descaso às convenções do cinema fantástico. No mínimo, corajoso.

Batguano (Idem, Brasil, 2014) de Tavinho Teixeira

Filme entregue ao denso trabalho dramatúrgico sobre a apropriação da decadência (e consequentemente o ato de envelhecer) em um interessante jogo de associações da cultura pop americana e na sinalização do apocalipse. Do culto à imagem ao fascínio que fragmentos causam - através da infindável troca de canais -, Tavinho Teixeira traça a tênue linha entre o significado do real e da ficção - ou seja, o que de fato acreditamos - através da afirmação, o mesmo princípio induzido ao espectador. É preciso imergir na fantasia para a consciência do terror que assola o real.

 Palo Alto (Idem, EUA, 2014) de Gia Coppola

Palo Alto é um filme absorto pela experiência de atualização sobre uma verdade já conhecida e a fuga do teor genérico da forma. Em monocórdio e simplicidade estética, Coppola subverte o "teenager flick" no campo da análise, ainda que o norte seja mantido.

Uma Dose Violenta de Qualquer Coisa (Idem, Brasil, 2013)

O filme de Gustavo Galvão esteve em poucas salas no Brasil e provavelmente fará carreira maior em VOD. Trata-se de um road movie de fuga onde Kerouac e Bukowski são os primeiros nomes a citar pelos excessos e entrega ao desconhecido. Desenhado como um filme para estetas deste gênero, o filme se reserva para o terço final, quando enfim tira seus personagens dos moldes e os transforma em conflitos ambulantes.

Paixão (Passion, França/Alemanha, 2012) de Brian DePalma

DePalma hitchcockiano, sobretudo na subversão de estereótipos e valores através de um thriller frio com a identidade e formalidade que produtores europeus tanto gostam. Paixão dá abertura para clichês e escolhe cair no ridículo através de saídas próximas ao do cinema fantástico. Mais um trabalho de mestre.

Obvious Child (Idem, EUA, 2014) de Gillian Robespierre

Um curioso caso de prólogo-elipse-epílogo revestido da linguagem que podemos considerar já como uma nova onda dos queridinhos de Sundance - em especial os de diretores oriundos do Mumblecore. Obvious Child se resume à fruição ao lado comediante da protagonista para justificar o seu bom humor e silver lining a uma situação trágica. Acerta pela organicidade na construção narrativa.

Serena (Idem, EUA, 2014) de Susanne Bier

Ainda que Serena seja um breve respiro na queda incontrolável da carreira de Susanne Bier após incursão ao cinema americano, o filme sofre do mesmo problema de sempre - a idealização do amor (aqui em caráter emblemático e passível à reviravoltas, seguindo a cartilha de filmes de anti-heróis). Em Serena não há um personagem com a reputação limpa, um contraponto aos recentes filmes da diretora, ensaiando um possível retorno à relevância.

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