BRILHO DE UMA PAIXÃO

 

Em algum momento da sua vida você assistiu alguma novela que enclausurava lições de moral em relação aos valores familiares, um amor impossível e uma história de mocinho e bandido num mesmo roteiro. Brilho de Uma Paixão é exatamente isso, uma trama novelesca, com a vantagem de se resolver em duas horas e não cair num labirinto que tem compromisso com a popularidade de cada personagem. A história do poeta John Keats reúne elementos básicos na construção de roteiros e por eles, tenta resgatar diretrizes lacrimosas do melodrama. Mas o resultado é desastroso.

O ponto de partida logicamente é o amor impossível, que curiosamente a diretora Jane Campion mantém certa distância para não exacerbar suas intenções sentimentais. Dificuldades financeiras e a abstrata (e ótima) figura de um vilão são os maiores contratempos para esse caso acontecer. Talvez por quebrar esse paradigma de um romance, Campion impede a total imersão na história, mas utiliza todos os clichês possíveis do gênero para construir seu roteiro.

Sendo assim, a trama cai na armadilha da pieguice romântica: entre poesias e momentos de desespero pela ausência de sua alma gêmea, a única coisa que Campion arranca de seu público é a vergonha alheia. Ela ensaia um novo caminho para o filme em sua segunda metade quando faz pequenas metáforas à materialização do amor, mas que logo são esquecidas. Infelizmente, as intenções da diretora alimentaram irregularidades irreversíveis para a trama que só desce a ladeira conforme o tempo passa.

A coibição da natural evolução de um sentimento transparente como o amor poderia se transformar numa angustiante e envolvente história, mesmo num molde melodramático, mas toda a distância sugerida serve como uma catapulta para a atenção do espectador.

Brilho de Uma Paixão (Bright Star, Inglaterra/Austrália/França, 2009) de Jane Campion

Comentários

  1. ah, pedro, por isso que eu gosto de você. achei o filme um saco. pior que vi no fest. do rio ano passado.

    []s

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  2. Pedro, como vai?

    Poxa, não esperava uma nota tão baixa.

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  3. Nossa! De longe, essa foi a pior opinião que li sobre "Bright Star". Mesmo assim, eu tendo a gostar desses filmes com aspectos novelescos.

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  4. Pedro, fiquei chocado ao ler sua análise, pois nunca aplicaria tantas características negativas para um filme da Jane Campion. Bem, ao menos naqueles que já pude assistir, que são maravilhosos. Taí um filme que veria nos cinemas em meio a uma programação totalmente desinteressante.

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  5. Não vi o filme, logo não posso opinar, mas essa é definitivamente a primeira impressão totalmente desfavorável quer li acerca do filme. Caso concorde contigo, saberei que Campion é mesmo uma diretora irregular.

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  6. Acabei de ler uma crítica apaixonante sobre o filme, o exaltando completamente. Então foi com choque que li a sua. Não sei o que esperar, sinceramente...

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