EDUCAÇÃO

 

Não é de hoje que o cinema questiona os moldes da vida ideal imposta pela sociedade. A diretora Lone Scherfig não coloca explosivos conflitos para buscar uma óbvia lição de moral em Educação, pelo contrário, ao longo do filme ela faz um caminho oposto e deixa claro que sua intenção é de mostrar com certa indiferença um momento específico da vida que pode trazer consequências para a protagonista Jenny por tomar uma decisão na qual os jovens não têm maturidade necessária para tal e mostrar o desvio de um caminho aparentemente perfeito.

Até onde um jovem pode alimentar-se de desejos que vão além dos costumes de um cidadão padrão? As incógnitas tão batidas em filmes deste segmento são logo eliminadas por Lone, que novamente usa a indiferença à conflitos e resoluções surpreendentes, pois Educação é exatamente sobre isso: subverter valores da dramatização. O filme não impõe um crescente envolvimento do espectador. No lugar de macetes comuns do cinema, ficam as sugestões dentro de uma história linear, mas que ainda se agarra em clichês narrativos para caminhar.

Dentro desses clichês, a trama desbrava um novo mundo para Jenny e deixa brechas desnecessárias para que a previsibilidade transpareça mais que transição da adolescência para a vida adulta. Lone Scherfig conseguiu mesmo com tropeços exaltar sua intenção maior: manifestar-se sobre os limites de idade e maturidade para se aventurar e se “educar” por conta própria, de colher e plantar e saber as consequências de cada ato. De aprender pela dor e pelo amor.

Educação (An Education, Inglaterra, 2009) de Lone Scherfig

Comentários

  1. Clichês inclusos, é o tipo de jornada que smepre me interessa. E Mulligan parece adorável e talentosa.

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  2. Educação é de bastante bom gosto, sendo os seus vinte primeiros minutos altamente empolgantes. Possui uma fotografia muito boa, devendo isso ao John de Borman, que nos presenteia com belíssimos momentos. Tudo isso ainda acompanhado pelo trabalho de Paul Englishby, que põe na trilha sonora do longa, músicas da Juliette Gréco, Ray Charles, Madeleine Peyroux, dentre outros.

    Outra coisa boa de An Education é a Carey Mulligan. Sua atuação é digna de uma grande atriz, com ela, Mulligan mostra possuir um futuro promissor. Um ótimo filme nesse final de temporada.

    Abraço!

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  3. Realmente o filme traz clichês, mas sabe utilizá-los de uma excelente maneira - e, atualmente, são poucas produções que conseguem isso.

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  4. Achei que a diretora exagerou nos clichês, o que comprometeu o projeto como um todo. As discussões acerca dos temas que você citou acima ficaram superficiais demais.

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  5. Guerra ao terror merece. Até porque tem a alegação do "Bastardos Inglórios" ser como "Cães de Aluguel".

    Ainda tenho que ver "Um Homem Sério" e "Educação". E to louca pra ver "Fita Branca". Vc já viu? Sabe se é bom? Pq o trailer arregaça!!

    Pô, a gente fica 3 anos estudando interpretação pra ver "Avatar" ganhar? Não dá!!

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  6. Muito boa a tua colocação sobre o filme. Eu tive praticamente a mesma percepção. Estava achando tudo ótimo até a metade, que é quando o filme despenca em clichês. Salva-se a atuação de Mulligan!

    Abraço!

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