A RIVIERA NÃO É AQUI

 

Há muito tempo não vejo uma comédia francesa que carregue as características que consagraram o país como uma das maiores fontes  de filmes deste gênero. Em sua maioria, todas eram cativadas por um humor refinado, intelectual e desbravadas a partir de uma boa sinopse. É o caso dos filmes de Jacques Tati até os mais recentes de Francis Veber (O Closet, O Jantar dos Malas). E tudo indicava que A Riviera Não é Aqui iria pelo mesmo caminho, seguindo a tradição de uma boa premissa: Phillipe Abrams, diretor de uma agência dos correios, sonhava em ser transferido para o sul da França para melhorar sua vida e principalmente seu casamento. Mas para isso, teria que participar de uma fraude que é desmascarada em uma cena antológica. Como penitencia, ele é enviado para o norte, local temido por sua esposa não só pelo frio, mas pelo comportamento dos habitantes daquela região.

A aventura começa quando Phillipe pega a estrada. É a chance dele de se conhecer melhor e também explorar novos costumes e até um novo dialeto, este que o diretor Dany Boon faz questão de usá-lo como fonte de piadas de duplo sentido por todo filme. Com o passar dos dias e uma rapidíssima adaptação a um novo modelo de vida, ele consegue se livrar de fardos que mantinha no passado. É ai que Boon usufrui de uma narrativa enaltecida pela leveza da amizade e a descoberta de uma oportunidade mesmo que ainda tropece em momentos exagerados, onde o diretor utiliza longas sequências para debochar de males como o alcoolismo e a depressão.

Em A Riviera Não é Aqui não existe tempo para conflitos. Nem daqueles mais rasos e costumeiros em comédias. Tudo se resolve facilmente e com bom humor. O roteiro parece ser um emaranhado de situações corriqueiras de um tempo de adaptação e tramas paralelas que servem como uma ponte para o resto da história. Talvez isto venha das intenções do diretor que fez uma obra para entreter apenas, mas fica no meio do caminho na hora de elaborar uma mensagem para os seus espectadores. Assim, Dany Boon coloca em cheque o seu público: Entrar de cabeça na previsibilidade da trama e se divertir ou esperar por uma reviravolta genial e considerar o filme como uma verdadeira comédia francesa? Aconselho a escolher a primeira opção.

A Riviera Não é Aqui  (Bienvenue chez les Ch'tis, França, 2008) de Dany  Boon

Comentários

  1. Parece ser dispensável... talvez eu veja por ser francês (o que costuma me agradar quase sempre).

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  2. Tinha muita curiosidade neste filme, mas esta crítica desencorajou-me.

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  3. Não tinha ainda ouvido falar desse filme, mas gostei desse teu texto!

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  4. Não gosto de filmes franceses e depois desse seu texto, rs. Abração! Ah, tomara que "Os Perdedores" seja bom mesmo, porque a arte está mais do que meaboca, está terrível!

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  5. Ainda hoje li sobre esse filme, e ótimas referências. Chego aqui e vejo mais uma opinião favorável, então chego a conclusão de que é, estou perdendo tempo em não vê-lo. Infelizmente aqui esses filmes não passam, então quando for a São Paulo, vou conferir. Um abraço!

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  6. Essa pretensa comédia é muito ruim: óbvia, sem qualquer frase espirituosa. Não consigo imaginar quem pode gostar de um filme tão previsível. Às vezes, a previsibilidade nem atrapalha, se contar com um bom roteiro, bons diálogos, o que absolutamente não é o caso deste filme chato. Boas locações, bons atores, mas no mais chega a ser deprimente. Melhor assistir aos Trapalhoes e lidar com a brasilidade do que perder tempo com esse filme enfadonho.

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  7. Vi a maioria dos iflmes, mas senti falta mesmo do Across The Universe, que conta a histf3ria de Jude, um ingleas que decide viajar ate9 os Estados Unidos atras de seu pai, la ele conhece o rebelde Max e sua irme3 Lucy, com quem acaba tendo o caso, o filme retrata os anos 1960, com suas lutas, guerras e paixf5es, ambientando toda uma e9poca atrave9s da obra dos Beatles. Tendo participae7f5es especiais de Bono (interpretando a sensacional I am the Walrus), Joe Cocker e Salma Hayek! Fica a dia pros fe3s dos Beatles!!!

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