A HORA MAIS ESCURA


Sem idealismos em relação à inerência de guerra e política, curiosamente, A Hora Mais Escura falha. Justamente por o ser minucioso exercício observacional da caça ao terrorista Osama Bin Laden e revela-se como um filme tremendamente humano por atrelar-se à fadiga e ou cansaço de longos anos atrás de uma duvidosa glória.

Matéria intrínseca do cinema de Kathryn Bigelow, o gênero faz-se dormente, norteando o caminho iniciado em Guerra ao Terror, onde seu maior êxito está na ausência da ação. Ainda que sair incólume de A Hora Mais Escura seja tarefa árdua, por ainda abraçar a ideia de espetáculo e a demanda de público e associações, os dez anos entre os ataques às torres do World Trade Center e a morte do terrorista são abordados por Bigelow, entre enquadramentos burocráticos e cansativos planos/contraplanos verborrágicos, como suas investigações utópicas.

A recompensa, ou melhor, o êxito, é magro. A matemática é simples, pois ao se distanciar de seus personagens e usá-los apenas em suas funções profissionais – em grande parte descartáveis e em grande rodízio, a figuras de Bigelow e Maya (Jessica Chastain) são como reflexo da subversão que caberia comparações à escolha de Bigelow e o gênero de ação ou o da perseverança americana em busca de “justiça”. Maya, afinal, não é protagonista ou ponto de identificação e sim suporte para noção de continuidade.

Portanto, A Hora Mais Escura se exibe como um protótipo pois adota gêneros e não os utiliza. Determina o drama como novo suporte, mas dispensa grandes anseios. Ação e thriller estão lá, mas sem um vilão – ou ao menos a construção de um. Apoiar todo seu conteúdo na figura de Maya e a longa duração em metodologia saturada faz o filme irregular.

 
A Hora Mais Escura (Zero Dark Thirty, EUA, 2012) de Kathryn Bigelow

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