ELENA


Ausência. Vazio. Petra Costa viu sua irmã sumir aos sete anos de idade. Lentamente, “virando água”, como diz a diretora. Elena, como muitos, foi esmagada por uma doença que traz cicatrizes apenas para a alma. Como uma boa artista, sabia como expressar a dor e usufruía destes momentos para se inspirar. Como herança da mãe, Elena e principalmente Petra souberam como delinear seus sentimentos e traduzi-los em imagens, diluindo a inerente melancolia proporcionada pelo amadurecimento.

Pela estrutura, o filme dirigido por Petra toma rumos de carta aberta, uma declaração escancarada de saudades e homenagens à irmã. Em via dupla, a obra sussurra os males oriundos da depressão e ilustra o caminho da irmã, lamentando sua ausência pelas ruas de Nova Iorque. Levantar a questão do berço deste mal e como driblar os artifícios da saudade, seja em um quarto vazio ou como transformar o amor em memória, faz de Elena, em meios abstratos – influenciados por colagens –, em boa parte do arquivo da família ou por constatações de Petra, de amigos ou da mãe das meninas, uma obra sensorial e volátil.

Portanto, o que constitui os oitenta minutos de filme é a possibilidade de comparações acerca da vida – público/autor, protagonista/imagem, etc. Elena vai além do olhar poético e exuberante sobre a dor. Ele é um pedido de atenção para o silêncio que encobre sentimentos e inibe o grito de socorro.  Assim como Elena, muitos gritam por alívio.  Como uma franca conversa sobre a vida como ela é. Os artifícios e licenças ficam para o cinema. Em comum, apenas a nostalgia.



Elena (Idem, Brasil, 2012) de Petra Costa.

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