O ABISMO PRATEADO


 A livre adaptação da canção “Olhos nos Olhos” de Chico Buarque por Karim Aïnouz batizada de O Abismo Prateado pode ser dividida em duas partes: na primeira, a câmera está para o caos de Copacabana; os atores estão para a câmera. O desenho que o dispositivo faz, mesmo em planos fechados, representa o caos no entorno de Violeta (Alessandra Negrini), dentista abandonada por seu marido através de uma mensagem de voz. A segunda, mais contemplativa e de planos abertos com representações personificadas, consolida o futuro da protagonista.

O Abismo Prateado pontua o sufoco que o caos urbano nos traz. Em cada vida, um mundo cheio de complexidades e ao redor, barulho, sujeira e desorganização. Na calada da noite – ponto de virada do filme –, Violeta parece ressurgir; a realidade alheia instiga o desbravamento de sua própria força. As palavras, para ela, pesam o dobro. O sofrimento chegou ao ápice rapidamente.

Ainouz mostra como domina seu ofício; cria alusões imagéticas a todo o momento sobre o desespero de Violeta e a vida corriqueira, urgente e que necessita de atenção redobrada, pois a plenitude não está no que é palpável. Para Violeta, agora uma transeunte à procura de sua identidade, restam as canções e memórias.

 
O Abismo Prateado (Idem, Brasil, 2011) de Karim Aïnouz

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