RÂNIA


Na bela sequência inicial de Rânia, a câmera da diretora Roberta Marques exibe e delineia território de conflitos e aborda a questão entre partida e chegada de Fortaleza. Afinal, nesta espinha dorsal o longa se desenvolve. Por se tratar de um panorama social ante a análise do entorno que invariavelmente dialogará com a plateia, torna-se, então, um filme sobre limites e reinvenção.

A fronteira que Rânia (Graziela Félix) deve atravessar, seja a da realização de um sonho ou de manter-se como pilar de uma família em ruínas, é clara. Tão clara que a protagonista necessita de antítese, representada na pele de Zizi (Nataly Rocha), pois a concepção de personagens é baseada em representações básicas do inconsciente social. Ao contrário do terreno que o semelhante O Grão de Petrus Cariry aborda em caráter observacional, o filme de Roberta Marques vai à busca de soluções entre a imensidão do mar e a escuridão da noite ao redor da protagonista.

No paralelo entre subsistência e sobrevivência - envolvendo arte e trabalho, está a transparência da chance do recomeço. Esta que é tão grosseira que cabe à intenção lúdica da história desenhar um mundo à parte e sustentar os nichos criados.

Entre as luzes da capital cearense vemos a inquietude adolescente, algo que nem sempre se manifesta por vontade e sim por necessidade. A mudança, ou passagem, vem através de Zizi e Estela, a última, representação máxima do sudeste como lugar almejado para uma nova vida. E para Rânia, como exposição da incoerência no sentido de funcionalidade dos sonhos dos Brasileiros, o novo caminho vem na base do sentimento de desamparo.
Rânia (Idem, Brasil, 2011) de Roberta Marques

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