BLUE JASMINE



Em primeira instância seria necessário comentar a abordagem de Woody Allen entre seus clássicos meandros e as palavras de teóricos (profetas?) sobre existência e dinheiro em Blue Jasmine. O longa, em outro extremo oferece novidades em relação à filmografia do diretor norte-americano que sobressaem o tema principal.


É notório que ao redor da trilha sofisticada demais para o tema e locações ensolaradas, Woody Allen tem sua presença diminuída em Blue Jasmine. O realismo se dá à entrega do roteiro para os personagens. O filme não é sobre crise financeira ou sobre o sonho americano, apesar de suporte constante para a crise de Jasmine (Cate Blanchett). Aos poucos eles dominam a tela, inclusive em planos mais fechados que o usual, quase largando a crença comum no lado teatral do cinema de Allen.


Allen investiga os novos “cidadãos comuns” através de Jasmine, mas à priori suas intenções estão na postura em relação à simplicidade da vida. Ela é engolida por verbos como “acordar”, “vencer”, “perder”, “aprender”, “ser”. Como contraponto, está sua irmã, Ginger (Sally Hawkins), que vive de maneira humilde e evita o rancor pela própria irmã após diversos traumas envolvendo dinheiro. 


Ao contrário de muitos contos de superação ou adaptação, o filme é determinante em sua visão distanciada, capaz de delinear diferentes mundos separados pelas paredes da casa de Ginger. Jasmine nunca é apresentada pela ótica de uma pessoa derrotada. Vencedora ou mutante menos ainda. Ela participa de uma corrida transloucada ao sucesso, onde o maior inimigo é seu próprio ego. Como apoio para alimentar a tradicional neurose desenhada por diálogos tão casuais como potentes, estão os ansiolíticos e iminente desvio de caráter. Este ponto é potencializado pela divisão dos tempos e nos faz questionar sobre um passado não divulgado de Jasmine.


Blue Jasmine é feito de personagens dependentes. Seja do status, dos remédios, ou até mesmo de pessoas. Eis a incapacidade do ser humano de se suportar. Pedem constantemente momentos solitários para esconder as fraquezas ou se remediarem, mas nunca, de fato, para ficar sozinhos.  Allen volta ao teor provocativo de momentos como Interiores e Match Point- Ponto Final e se livra momentaneamente de suas próprias amarras.

Blue Jasmine (Idem, EUA, 2013) de Woody Allen

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