Instinto Materno


Entre tantos filmes recentes que abordam um desastre emocional, Instinto Materno não trabalha com a subjetividade para questionar até onde o incondicional amor materno é nocivo. Assim se configura um filme que parte do conflito entre assunto e ponto de vista. Mesmo com o foco na figura da mãe e com momentos de hibridez entre diversos alicerces – o filho, o pai, a namorada e o fato que rege a trama – o filme está a favor dos contrapontos, geralmente adormecidos pela opção de Calin Peter Netzer em manter a dialética regida por sequências verborrágicas.

Tal escolha serve de recurso para deteriorar este ponto de vista; há no filme uma insistente dinamização das emoções, acabando de vez com a essência do assunto e dando o filme alicerces, ou seja, personagens mitificados. A consequência é um simbolismo sem vida regido por maneirismos estilísticos.


É curioso o desenho de Instinto Materno, pois ele abre espaços para o intervalo, para a contemplação e arritmia de ações. Mas o que se vê é a intensa afirmação de contradições e uma tentativa vã de achar a média da análise entre integridade e a premeditação. Tudo aqui é embalado por um lamento incomodo e agudo, onde o que mais se faz presente é a questão sobre o futuro de um filho, além de sua reputação, para a sociedade. Incólume à tragédia, esta mãe suporta ao que Calin Peter Netzer intenta por sua posição híbrida de vilania e heroísmo, tantas vezes exibida e dita, banalizada – tão quanto à morte – frente à câmera. Portanto, se a instituição familiar passa por mutações, Calin Peter Netzer faz um minucioso raio-X sobre o inferno que pode ser feito a partir da cruel relação de poder sobre a vida do outro.

Instinto Materno (Pozitia Copilului, Rômenia, 2013) de Calin Peter Netzer

Comentários

  1. Pedro,

    Esse filme é simplesmente maravilhoso. Vi na Mostra do ano passado e foi, ao lado de "Pais e Filhos", um dos que mais me surpreendeu positivamente.

    Abraço!

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  2. Pedro,

    Esse filme é simplesmente maravilhoso. Vi na Mostra do ano passado e foi, ao lado de "Pais e Filhos", um dos que mais me surpreendeu positivamente.

    Abraço!

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    1. Adecio, como disse no textinho, tenho minhas restrições. Mas gosto sim. Ainda não vi o último do Kore-eda.

      Abraço

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