Lucy (Luc Besson, 2014) e Magia ao Luar (Woody Allen, 2014)

Para tirar a poeira do blogue, comentários sobre as duas estreias da semana:



É curioso como Lucy fixa seu raciocínio básico: abre com uma sequência-epítome do cinema moderno, influenciado pela montagem televisiva e pela velocidade dos games (não a toa os nomes de Brian Taylor e Mark Neveldine vêm à mente em diversos momentos do filme). Dela, parte para o que atende ao olhar "domesticado", ou seja, uma reportagem televisiva aos moldes de Discovery Channel justificada por uma palestra que se aprofunda na mente humana. Estes dois pêndulos refletem o conflito do homem e seu avanço, o desejo pelo domínio (ego) e a eterna falta de resposta para algumas questões. O filme, tão sintético quanto o primeiro pêndulo - o cinema "modernoso", desenha em meio às sequências apressadas uma história de redenção da espécie humana - que de uma forma ou outra busca um Salvador.

Magia ao Luar parece um recado de Woody Allen à ciência de ser o cerne de seus próprios filmes há pelo menos 20 anos - e que quando sai dele é sucedido, a exemplo de Match Point e Meia Noite em Paris. O filme, que parece um passeio delicioso pela filmografia de Allen a partir da última década, vai dos habituais mágicos e trapaceiros ao sempre interessante e bem humorado conflito envolvendo existência e religião - que de certa forma se equipara ao de Lucy. Tudo parece tão simples e tão direto que em certo ponto do filme não há mais exigências - comum para quem faz filmes similares - e nele Allen faz a reviravolta de seu roteiro. É o grande golpe de um mestre.

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