A INVENÇÃO DE HUGO CABRET


Com máquinas e ilusionismo. Filmes são feitos assim. A Invenção de Hugo Cabret vai do tom fabuloso à desconstrução de conflitos de um realizador sem maiores dificuldades. Martin Scorsese, responsável pela restauração e conservação de filmes através da World Cinema Foundation, usa Georges Méliès como representação dos primórdios do cinema, mas no longa também estão em imagens ou alusões os irmãos Lumière, Charles Chaplin, D.W. Griffith, F.W. Murnau e Buster Keaton, para citar alguns.

Em paralelo, Scorsese mantém a visceralidade da história de Hugo Cabret (Asa Butterfield), garoto assombrado pela orfandade em um mundo de pesadelos personificados pelo caricato Sacha Baron Cohen. Em A Invenção de Hugo Cabret, sequências e personagens definem gêneros e épocas do cinema.

Ritmado, lúdico e ousado, o filme serve como ode aos seus inventores sim, porém, durante seu desenvolvimento fica explícito que a unidade criada por Scorsese a partir do livro de Brian Selznick tenciona reflexões sobre a posição da indústria e dos consumidores de filmes – que padecerão junto aos artistas no mesmo mundo amargo que Hugo vive caso o coração não esteja em primeiro plano. Sonhe, fuja, crie, desconstrua. O terreno é seu, espectador. Terreno feito de sonhos. E máquinas.



A Invenção de Hugo Cabret (Hugo, EUA/França, 2011) de Martin Scorsese

Comentários

  1. Verei ainda esta semana!

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  2. Scorsese foi com tudo sem medo. Mas a trama foi justamente o que eu esperava depois de ter visto o trailer inúmeras vezes. Sim, foram bonitas as diversas homenagens feitas ao cinema, mas a trama não tem nada além de um desenvolvimento oco e fraco, onde parece que apenas a fantasia infantil do já clichê garotinho esperto sem família era o que interessava. "Hugo Cabret" não merece levar nenhum Oscar para casa, e vale ressaltar que, se assim for, baterá um negativo recorde na história do cinema.

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  3. Técnicamente perfeito, emocionalmente vazio... Homenagem digna a Méliès é assistir ao seus filmes e não assistir a Scorcese em um trabalho sem alma.

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  4. É factual que Scorsese não queria, deliberadamente, abordar o Hugo na narrativa pai/filho. Até por que sequer existe uma dinâmica ou interesse visual da parte do diretor em se prolongar nesse nicho - tanto que na primeira oportunidade a personagem da Chloë Moretz é apresentada.

    Outro fator que é válido sublinhar é a quantidade de personagens desnecessários e sem peso dinâmico (o casal dos cachorros e a própria florista). Aliás, como disse no meu texto (http://wp.me/p1Jk55-iP), creio que Logan inseriu os cachorros simplesmente para que o público se lembrasse que já conhecia-os, e deixar a platéia satisfeita consigo mesma.

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  5. Assisti hoje e estou maravilhada até agora. Adorei O Artista, mas depois de assistir Hugo... até perdeu a graça. O Scorcese deve estar muito orgulhoso deste filme e ele tem toda razão em ficar, merece suas 5 estrelas.

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  6. Oi Pedro!

    Quero MTO ver esse filme. Parece diferente de tudo o que Scorsese tem feito não?

    Queria pedir desculpas pela ausência aqui no blog! Na verdade, semana que vem entro de férias, então vou continuar ausente por mais um tempo, rs. No final de março eu retorno renascida das trevas! =)

    O La Matinée! estará aos cuidados da Baby Sitter automática do Wordpress, rs.

    Abs!

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