O PORTO


Simplicidade e ternura dominam a narrativa de O Porto, longa que aponta Aki Kaurismäki (Um Homem sem Passado) imerso em referências e econômico tecnicamente para contar a batalha do ex-escritor e agora engraxate boêmio de péssima reputação Marcel Marx para proteger o garoto Idrissa – que viajava ilegalmente em um contêiner encontrado em Le Havre – e ajudar sua esposa a se livrar de um câncer.

Em sua sombra, está o detetive Monet (outra clara referência ao impressionista homônimo nascido em Le Havre) que busca respostas sobre o sumiço do garoto.  Kaurismäki separa a realidade de Marx em duas partes para posteriormente uni-las no bar, a segunda casa do engraxate, onde a frieza de sua vizinhança é derrubada em prol da igualdade e da esperança. A narrativa de O Porto é implicitamente contaminada por essa esperança e pelo mesmo viés Kaurismäki usa a comicidade na história, nesse caso, a referência é o diretor Jacques Tati e seu humor exclusivamente físico.

Para ajudar Idrissa e sua esposa, Marx necessitava mudar o que havia ao redor e principalmente sua interpretação do mundo; Kaurismäki novamente usa a referência de Tati e mantem o otimismo impresso na leveza de seu filme – uma antítese à análise atemporal sobre a imigração e xenofobia – como a coluna do filme, a sequência da fuga, representa: Karl Marx, Monet e Franz Kafka se encontram pela oposição à impessoalidade e a burocracia.


O Porto (Le Havre, Finlândia/França/Alemanha, 2011) de Aki Kaurismäki

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