CINEMA VERITE


Vencedor do Globo de Ouro 2012 de melhor filme feito para TV, Cinema Verite em sua totalidade não possui moldes televisivos. Sua narrativa não encontra espaços para inserções comerciais ou ritmo para a possibilidade de eventuais distrações do espectador durante o filme. Dirigido por Shari Springer Berman e Robert Pulcini, vemos a reconstituição dos bastidores do programa An American Family – destruindo por completo a idéia de perfeição das famílias dos subúrbios americanos futuramente analisados por nomes como Todd Solondz, Sam Mendes e Larry Clark.

Berman e Pulicini são ousados. Não titubeiam para manter-se na superfície mesmo com conflitos profundos que traçariam mais tarde o novo modelo de família para o mundo inteiro. Não há necessidade para análises aqui. Basta olhar para o lado. Portanto, Cinema Verite torna-se um jogo de cena sobre o espetáculo televisivo e a amplificação do drama utilizando a câmera como peça-chave.

Todos são protagonistas e antagonistas – alusão clara, novamente, ao novo modelo de família em todo o mundo: presas à televisão das mais variadas formas e em geral, destruídas e sem comunicação. Porém, para os que pensam que a tragédia rege o longa, ledo engano: os diretores alinham muito bem humor e sabem muito bem para quem vende o seu peixe; encontram o espaço necessário para dialogar, prender e entreter. Como a vilã da história deveria fazer. A TV.

★★★
Cinema Verite (Idem, EUA, 2011) de Shari Springer Berman, Robert Pulcini

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