FLORES DO ORIENTE


Pela fotografia pálida é possível adornar o clima de fraqueza que circunda Flores do Oriente. Zhang Yimou (O Clã das Adagas Voadoras, Uma Mulher, Uma Arma e uma Loja de Macarrão) transforma seu filme numa incessante subversão de valores, os separando calmamente por tópicos ao agrupar dentro de uma igreja católica cercada pelos destroços do massacre de Nanquim um coveiro disfarçado de padre (Christian Bale), um grupo de coroinhas e prostitutas recém abrigadas.

Megalomaníaco, Yimou procura sua tradicional beleza estética e poesia em cada plano e movimento de câmera; paralelamente, estão os conflitos previsíveis entre os grupos de ideais completamente diferentes que se espelham no terror da guerra entre Chineses e Japoneses. Submissão, corrupção, violência e honra são alguns dos assuntos envernizados e discutidos. Flores do Oriente ganha bons momentos justamente quando o diretor repele o espetáculo e abraça a simplicidade com representações óbvias e ainda funcionais como mensagem de pacificação e solidariedade.

Fica claro que desde a primeira e apoteótica sequência do filme é necessário subverter suas regras para um primeiro passo. Um longa cru, pungente e que fuja do viés melodramático – aqui presente em excesso. Caro leitor, Yimou não precisa virar polivalente como Takashi Miike (Ichi – O Assassino); é um raciocínio diferente. Trata-se de um pedido de reinvenção, mudança de cartilha ou ótica sem perder a assinatura. A obviedade narrativa e sua metodologia sugam a obra.

 ★★
Flores do Oriente (Jin Líng Shi San Chai, China/Hong Kong, 2011) de Zhang Yimou

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