AMOR PLENO



No menor intervalo entre filmes de sua carreira, Terrence Malick transfere a mensagem cristã implícita de A Árvore da Vida (2011) para em Amor Pleno (To the Wonder, À Maravilha, na tradução literal) transparecer intenções a partir do mesmo modelo de seu antecessor. Conforme o título nacional entrega, a plenitude é o norte do filme, que coloca novamente o paraíso como habitat de personagens angustiados. 


A partir da narração no passado que abre o filme, é possível compreender a noção de lembrança e nostalgia na relação de Neil (Ben Affleck) e a francesa Marina (Olga Kurylenko). O casamento, tão sagrado quanto enigmático, é o objeto de estudo – que aos poucos passa por mutações onde o amor ganha diversas representações, inclusive pelo seu mediador, o padre Quintana (Javier Bardem). Quintana é um homem que domina o amor em sua teoria, mas vive infeliz pela escassez do mesmo. Da mudança da França para os EUA, Malick cria espaços para ironizar o estado de falsa proteção vivida pelos americanos ao hospedar o casal num subúrbio de beleza estonteante. 


Malick desafia o público através da estética. Exagera na aproximação da câmera aos personagens – praticamente os engole. Os condena no prólogo ao coloca-los de costas por boa parte das sequências. Aos poucos, conforme a relação muda, o diálogo com a câmera também sofre transformações. Apesar de seguir cronologicamente uma história, pouco há de narrativa em Amor Pleno. A graciosidade é o elemento que comunica o público a intenção Malick de diálogo com a divindade. As ações dos personagens são fotográficas – são propositalmente enferrujadas, como se estivessem prontos para a eternidade entre as molduras de uma pintura ou uma fotografia. 


Pois se A Árvore da Vida e outros trabalhos de Malick seguem a premissa de permear qualquer constrangimento quanto a criação - e relação - com a linguagem, Amor Pleno rompe com esta proposta desigual entre o divino e o mundano. A existência está na mesma posição que os pensamentos sobre dilemas abstratos como o amor e a eternidade.


★★★
Amor Pleno (To the Wonder, 2012) de Terrence Malick

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