WRONG




  Do mesmo subúrbio que serviu de embrião para filmes de John Waters e Todd Solondz surge a estranheza de Wrong. Porém, o filme não se trata explicitamente sobre o que casas bonitas e gramados perfeitos escondem. Quentin Dupieux, diretor do estranhíssimo – e igualmente divertido – Rubber, parte do sumiço do cachorro de Dolph (Jack Plotnick) para se apropriar com lucidez às críticas comuns ao local, mesmo que isso não signifique originalidade discursiva.


Do estigma da derrota tão explorado nos últimos anos – principalmente nas comédias independentes americanas - sai um grupo de personagens folclóricos. E a partir desta característica, uma sequencia de situações grotescas ligadas ao sumiço do cão, mas nem sempre presas à lógica, dão rumo à narrativa. Justamente por este motim que Wrong se mostra como filme frágil. Pois a análise irônica através da revisita ao subúrbio se dilui na tentativa frustrada ao riso. O diálogo com o ambiente que rodeia os personagens é esquecido, apenas sinalizado quando convém. A derrota, neste caso, é maior até mesmo que o mundo em que se vive.


É notório o desconforto com a rotina, o trabalho, a carência, o número de vendas e a preocupação em denegrir o trabalho alheio, sempre motivado pela representação do “ser e ter” ou pela inveja – dois típicos casos da derrota implícita. Para Dupieux isto não parece importante, tanto que escolhe o caminho surrealista para desenvolver e encenar Wrong. Um passo de coragem à procura de autenticidade, mas pouco funcional, afinal não existe suporte para qualquer sugestão que não seja a da análise corporativa, como se Wrong fizesse parte de um filão de sucesso, sem pulso e sem identidade. 

★★
Wrong (Idem, França/EUA, 2012) de Quentin Dupieux

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