SPRING BREAKERS: GAROTAS PERIGOSAS


Do subúrbio americano, onde a grama do vizinho já não é tão verde após inúmeras análises sobre o comportamento da classe alta americana, nasce o ideal crítico de Spring Breakers: Garotas Perigosas. Harmony Korine (que outrora dirigiu os esquizofrênicos Trash Humpers e Gummo) traz a percepção de um exorcismo às avessas da juventude americana.

Em um tempo onde tudo já foi provado e qualquer tabu foi destituído, cabe aos jovens banalizar os extremos; violência, sexo e drogas deixam de habitar o consciente comportamental para fazer parte da ostentação aguda dos novos tempos, junto ao egocentrismo e a sensação de domínio.

Portanto, Korine, mesmo com o voyeurismo que cabe ao filme repleto de meninas com poucas roupas e uso de drogas embalados pelas festas desregradas das férias de primavera (Spring Break) é ciente que o longa dita o caminho inverso. Do tédio à rotina estudantil à perdição previsível, Spring Breakers questiona a maturidade dos jovens criados sob julgo da religiosidade e o efeito inverso que a forma de ensino nos EUA produz aos adolescentes.

Para ilustrar este ideal da perdição, Harmony Korine faz das luzes de neon e o visual paradisíaco da Flórida, o peso que o paradigma da "boa vida" traz. A opressão vem em forma de dogmas, exterminados pela figura de Alien (James Franco), versão folclórica do maligno - o extremo, que de certa forma, as garotas procuram desde o início de suas férias. O encontro com uma forma abstrata de liberdade. 

★★★
Spring Breakers - Garotas Perigosas (Spring Breakers, EUA, 2012) de Harmony Korine


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