Jersey Boys (Clint Eastwood, 2014)

 

É curioso ler a crítica americana diminuindo o filme de Eastwood o chamando de burocrático e cansativo quando seu entorno é dos mais interessantes desde Invictus (2009). Não há grandes amarras para perceber que Jersey Boys é, na verdade, um filme de máfia. Inclusive suas primeiras sequências circulam este tema e toda ambientação sugere esta interpretação. Pode se esperar um musical enfadonho assim que a primeira nota musical é tocada, mas ela subverte a leitura básica de dois sub-gêneros do cinema.

Eastwood avança pela Nova Jersey dos ítalo-americanos dos anos cinquenta e narra a ascensão e queda de um quarteto musical que atravessa os EUA - os Four Seasons. É o tempo de diversas afirmações acerca da cultura americana, porém Eastwood deixa estas observações para a maior das representações - a tela da TV. Jersey Boys não é sobre isso, enfim, ainda que todos sejam de certa forma manipulados pelo circo do entretenimento. O que se vê é como o espectro de um grupo é formado, o espírito de time e principalmente da persona de grandes mafiosos. Do grande chefe às dívidas, da postura ao distanciamento completo da vida. Pode-se substituir as grandes sequências de tiroteio por números musicais - boa parte deles justificados dentro da trama.

Jersey Boys é um filme simples em seu caminho e feitura, ainda que Eastwood pese a mão em momentos que o drama ganha proporções constrangedoras - a máxima do diretor na última década. Pode se afirmar que as excentricidades de um filme como este vale na filmografia de um homem conhecido pelo rosto fechado e palavras diretas, mas Jersey Boys é o gesto mais honesto de Eastwood sobre si desde Gran Torino (2008). 

Jersey Boys (Idem, EUA, 2014) de Clint Eastwood

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