HISTÓRIAS QUE SÓ EXISTEM QUANDO LEMBRADAS


Histórias que só Existem Quando Lembradas confirma a tese de uma constante do cinema brasileiro hoje (Girimunho, Mãe e Filha, Os Monstros): a câmera destinada ao desconcerto e desconstrução pela multiplicidade ótica e tom monocórdico com um único alvo: o âmago. Histórias pega o espectador pelos pés, pela cabeça, pelo coração. Trata-se de um filme que interrompe um estado de espírito em total alusão ao nascimento de uma nova era. A digital.

O filme de Julia Murat analisa a zona de conforto dos moradores de Jotuomba (localizado no Vale do Paraíba, Rio de Janeiro), especialmente o de Madalena (Sonia Guedes), senhora dominada pela rotina e pelo luto. A relação com a morte é amplificada com a chegada de Rita(Lisa E. Favero), jovem fotógrafa e personificação do conflito com o exterior e o avanço do tempo. Rita dá a abertura necessária para a análise poética da adaptação, da insatisfação e seu molde de acordo com a ocasião e tempo e a subversão de hábitos de uma pequena comunidade.

Paralelamente está a alusão do fim do luto de um cinema calcado em rios de dinheiro e distribuição em massa focada no lucro. O cemitério de Jotuomba foi fechado por Deus. O mesmo que permitiu o avanço tecnológico que lentamente conquista Madalena, forçando a continuidade da vida.

É preciso de morte para haver vida; esta que domina os dispositivos e seus comandantes que algum dia morrerão e não precisarão de um nome para serem lembrados como acostumou-se Jotuomba; serão analisados por suas obras com paz e nostalgia que inspiram Murat. A mais genuína forma de expressão em relação à vida.

 ★★★★
Histórias Que Só Existem Quando Lembradas (Idem, Brasil, 2011) de Julia Murat

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