NA ESTRADA


Fugir do contexto da adaptação do livro homônimo de Jack Kerouac e de todo o frisson estendido por décadas é o melhor que o espectador deve fazer ao início da projeção de Na Estrada. Walter Salles vai de encontro ao monstro munido de ousadia; sua narrativa é de superfície, dando margem ao espectador a reflexões ou a queda para o tédio completo.

Focado no intelecto e na liberdade – epítome da significância da geração beat -, o elo está na pureza do asfalto, pois só uma vida sem amarras justificaria a poesia na história de Sal (Sam Riley) e Dean (Garrett Hedlund). Entre o balé de fades e sequências semelhantes estética e liricamente, está um filme que se prende à fuga do moralismo como sugestão de hermeticidade.

Autonomia, vida nômade, entorpecentes e sexo livre ganham múltiplas representações como a mudança dos tempos e engajamento, porém, Walter Salles tem como propósito subverter a obviedade do assunto – a narrativa, morna e cansativa, deságua na mesmice de uma cinebiografia qualquer. Personagens vêm e vão com a mesma intensidade vivida pelos protagonistas, porém, não há um elo que os coloque dentro do senso de unidade. Não existem marcas, lembranças ou até mesmo manipulações melodramáticas.

A questão é: devemos encarar isto como uma sugestão de Walter Salles ou abraçar a idéia de que é um filme repleto de falhas? Bem, considere a dúvida como mérito, pois o espectador levará o longa consigo dias após a exibição – marca da propriedade de Salles sob a obra e subversão à marca de mestre de obras deixada em filmes mambembes como Água Negra e Diário de Motocicleta.

 ★★
Na Estrada (On the Road, França/Brasil, 2012) de Walter Salles

Comentários

  1. Quero MUITO ver, tô esperando esse filme há anos, desde o anúncio da adaptação. Sexta-feira não chega logo… =(

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  2. assisti hoje e amei o filme! curioso, mas sai do cinema faz um bom tempo mas ainda não tirei da cabeça, gostei muito. :)

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  3. É que no penúltimo parágrafo você disse que a narrativa é morna e cansativa, não existem marcas e um elo entre os personagens, etc, etc. Comigo foi exatamente que você disse, só que ao contrário. Chequei a me emocionar um pouquinho, justamente por sentir todas as "marcas" entre eles e por ser extremamente quente, não teve um instante que o achei morno. Bjo!!

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