INDIE - Mostra de Cinema Mundial - PARTE 1

Começa nesta quinta (6) a décima segunda edição do Indie - Mostra de Cinema Mundial e nós preparamos uma espécie de guia com pequenos comentários sobre os filmes da Mostra Mundial que traz também retrospectivas dos diretores Aleksey Balabanov, Kazuyoshi Kumakiri e Charles Burnett.

O CÍRCULO CROMÁTICO (The Color Wheel, EUA, 2011) de Alex Ross Perry

A sucessão de acertos de O Círculo Cromático deve-se justamente às claras influências do cinema independente americano ao longo dos anos. Do No Wave das décadas de 70/80 ao mumblecore dos anos 00’s via Slackers dos anos 90, o filme passeia sem medo por estas vertentes ao narrar com bom humor a viagem entre dois irmãos que dividem muito mais que a insegurança que a vida adulta os oferece. Outro ponto a ser ressaltado é a força da atuação de Carlen Altman em livre improviso. Altman, assim como o diretor/protagonista Alex Ross Perry, é figurinha carimbada dos filmes “batizados” pelo festival de Sundance, berço dos filmes independentes nos EUA, onde os irmãos Duplass e Joe Swanberg apareceram para o mundo.

LOS CHIDOS (Idem, México/EUA/Alemanha, 2012) de Omar Rodriguez Lopez

Remetente à aura anárquica dos primeiros longas de Pedro Almodóvar, Los Chidos também abraça os cenários coloridos e lisérgicos para abordar com humor negro a relação entre México e Estados Unidos. O filme de Omar o coloca direto no posto de novo autor que passeia por gêneros e mostra abrangência em sua ótica em comparação ao esquizofrênico O Assassino Sentimental de Máquinas. Los Chidos nada mais é que o reforço de sua identidade latina ante a força americana imposta pela cultura capitalista.

 QUANDO CAI A NOITE (Wo Hai You Hua Yao Shuo, Coréia do Sul/China, 2012) de Ying Liang

A dor de uma mãe prestes a perder o filho para a burocracia e manipulação política do governo chinês vem traduzida em planos fechados, câmera estática e lentidão narrativa. O filme de Ying Liang, vencedor do festival de Locarno, ganha – e muito – nas inserções poéticas que representam a dor de uma mãe dedicada à compreensão do suposto ato do filho e à superação da dor através da simplicidade. O filme de Liang é baseado no caso que marcou a morte de seis policiais em Shanghai.

OVO E PEDRA (Jidan He Shitou, China, 2012) de Huang Ji

A tragédia anunciada na primeira cena de Ovo e Pedra serve de trampolim para a desconstrução poética envolvendo conflitos de uma jovem num país que ainda sofre consequências de um regime ditatorial. A superpopulação exige o aborto, a religião (homens?) a condena e aponta o pecado; o dinheiro é preciso, a família não; lá está o peso da necessidade de fugir para a cidade e trabalhar ou reiniciar tudo. A diretora Huang Li, 28 anos, abraça a escuridão e silhuetas e coloca sua protagonista, Honggui, como representação de uma cultura. Ou melhor, vítima de uma cultura.
 

O RIO ERA UM HOMEM (Derr Fluss War Einst Ein Mensch, Alemanha, 2011) de Jan Zabell

A breve representação da tensão racial durante a visita de um turista alemão à África toma proporções inesperadas quando Zabell flerta com o lado espiritual e de certa forma com a contracultura do local. Jan Zabell costura o seu filme aos moldes de um tour de force com ritmo narrativo lentíssimo, cortes bruscos entre cenas – em sua maioria – sem diálogos e rico em alusões políticas.

UMA NUVEM EM UM COPO D’ÁGUA (Un Nuage Dans Un Verre D’Eau, França/Canadá, 2011) de Srinath C. Samarasinghe

Apresentado como um falso documentário, o filme que dá a ilusão de tomar caminhos existenciais é bruscamente interrompido pelo tom de thriller. Seja lá por qual lado for, personagens e representações são cercados pela abordagem fantástica - algo completamente dispensável. O resultado é um longa sem identidade, perdido entre o conflito “morrer ou ser assassinado”, sem ao menos investigar o significado da morte neste contexto.

NUNCA É TARDE DEMAIS (Aff Paam Lo Meuchar Miday, Israel, 2011) de Ido Fluk

Enfrentar a frustração de voltar para a casa dos pais, os fantasmas do passado e recomeçar, mesmo quando tudo parece perdido. O que parece clichê nesta abreviação é subvertido por Ido Fluk, que não teme em criar dobras pro seu filme e reforçá-las quando a narrativa de ritmo e fluxo consistentes pede. O filme de Fluk está mais interessado em captar o que está ao redor da solidão, o interior de seu protagonista, ao invés de vendê-lo como  estereótipo. 
BAIKONUR (Idem, Alemanha/Cazaquistão/Rússia, 2011) de Veit Helmer

Realizador desde os 14 anos de idade, com diversos projetos ambiciosos para os padrões do cinema independente e conhecido pelo projeto A Trick of Light ao lado de Wim Wenders, Veit Helmer faz de Baikonur um filme sem norte. Fora a referência do abismo existente entre o avanço da Rússia e a estagnação do Cazaquistão (foguetes e camelos), o filme de Helmer é a tentativa de unir romance aos nuances de ficção e história sem êxito. Perde em ritmo e conteúdo.

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