O MESTRE


Um filme de entornos frágeis; como solução está o constante ápice. Um filme para os atores; a trilha sonora é antítese, a direção, invisível (ou seja, irretocável). Tempo e história ganham identidades abstratas em sutis abordagens, mas nunca anêmicas. Esta equação transforma O Mestre numa obra no qual sair incólume é tarefa árdua.

No pós-guerra, Paul Thomas Anderson equivale ilusão, manipulação, traumas e religião em constante fuga do contexto político explícito. Suas representações – bem próximas ideologicamente do teatro de Brecht (estranhamento ao capitalismo e relações humanas) e em execução ao conceito de Viktor Chkolovsky (novas formas), O Mestre tem foco na relação de um veterano naval com dependência química (Joaquin Phoenix) e do carismático mestre (Phillip Seymour Hoffman), criador do movimento A Causa

A crueza nos diálogos e escolha de enquadramentos de fácil comunicação (uso constante de plongée e planos/contra-planos) com o público subvertem a complexidade narrativa – transparecendo sua força como desconstrução da psique – sempre em dramaticidade diluída, outro ingrediente da postura de Anderson.

Metaforicamente, PTA utiliza a câmera como instrumento de reflexão social e testemunha das bifurcações causadas pela religião e seus pilares: social (instituição) e comportamental (espiritual). No social, está a ficção – onde o mestre mais parece como um calculista diretor de atores, propenso à manipulação de emoções. No segundo, o personagem de Phoenix exibe suas feridas e a bagunça que sua vida realmente é.

Ao O Mestre cabe subverter regras para jogar diretamente com as emoções do público e deixa-los inertes, como um espelho de sua matéria-prima. Aludir à narrativa, ou ao menos iludi-los com um traço de história e relação entre os personagens – em cenas simplórias, estrategicamente montadas pela função manipuladora do cinema de D.W. Griffith.

O Mestre (The Master, EUA, 2012) de Paul Thomas Anderson

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