DEPOIS DE LÚCIA


Ao desenhar no mar as cenas pontuais de Depois de Lúcia, Michel Franco declara a angústia vivida por Alejandra (Tessa Ia) e Roberto (Gonzalo Veja Jr.), como um ser prestes a se render à força do oceano.  A esperança de recomeço e a fuga do luto perecem a sequencia de ondas geradas por uma sociedade intolerante e violenta.

Ao se atrelar ao cotidiano de Alejandra na nova escola e o torto reinicio de Roberto, Michel Franco escolhe o caminho adormecido para debater o gosto pela maldade e a facilidade que seus caminhos oferecem, seja como forma de resolução, ultrapassar limites ou aumentar contendas. Seu eixo é o silêncio de Alejandra para denunciar a forma institucional da violência; extrair sentimentos deste panorama é o pulo de inventividade do longa, que levou o prêmio da Mostra Um Certo Olhar do último Festival de Cannes.

Sempre em tensão crescente, Depois de Lúcia aguça a percepção do espectador conforme os problemas de Alejandra mostram-se insolúveis. A dramaticidade aos poucos toma seu lugar comum até o seu ápice – o encontro com as ondas. O retrato que se expande rápido das ruas do México, onde brigas de transito e sequestros se equivalem ao crescente número de casos de bullying nos colégios e a sensação de impotência por parte das vítimas.

 
Depois de Lúcia (Despues de Lucía, México, 2012) de Michel Franco

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