A MEMÓRIA QUE ME CONTAM




Lúcia Murat não está apenas na figura da cineasta Irene (Irene Ravache) em A Memória que me Contam. Ela está em espalhada pelos personagens que definem o encontro de gerações e o reflexo da ditadura no Brasil. O filme aos poucos se configura como exposição simples e extremamente confidencial. Nele a linha narrativa aos poucos perde cor e o que ganha destaque é o tom confessional.


A partir da Comissão da Verdade e de uma sala de espera de hospital, Murat revira um baú de memórias. Passando por Rio de Janeiro, Brasília e Paris, vemos mais vontade que ambição – ou seja, muito mais tributo que história. Em A Memória que me Contam, Ana (Simone Spoladore) é o elo para tempos distantes. Inquieta e saudável na época da ditadura militar e à beira da morte no leito do hospital hoje, ela une a amizade e união de um grupo que lutou por um ideal. Por outro lado, é a o pavio para discussões calorosas sobre o passado e constatações pessimistas sobre o futuro. 


E o pessimismo ronda tudo que parece estrangeiro, desordeiro dos bons costumes. Todos, por um motivo ou outro são marginais indo e vindo pelas ruas, parados em frente à polícia, participando de debates e fazendo arte. Sim, arte. Nela, Murat acha o caminho para a justiça, mesmo que ela paire pelo mundo onírico, o mesmo que aproxima a paz – feita da mesma ilusão do sorriso de uma criança. Elas crescerão e serão novas vítimas ou ameaças. 


Mesmo que A Memória que me Contamnão seja idílico inclusive em nostalgia, o que testemunhamos é um discurso sincero, ansioso e ofegante sobre definições. Sobre viver sob escombros e processos. Narrativa neste caso é mera justificativa. Mesmo atrás das câmeras, a presença de Lúcia Murat é latente. 

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A Memória Que Me Contam (Idem, Brasil, 2012) de Lúcia Murat
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