O LUGAR ONDE TUDO TERMINA



Em forma, tudo em O Lugar onde Tudo Termina pode parecer diferente. Porém, o que se entende ao acender das luzes são a relação comum do berço da corrupção e sua manutenção ao longo dos anos. Derek Cianfrance, diretor do ótimo Namorados Para Sempre segue a rotina do motoqueiro bad ass Luke, vivido por Ryan Gosling. O ator remete a papéis que lhe deram a fama – David Markes de Entre Segredos e Mentiras ou o driver, de Drive. Os bad boys, enfim. Do plano-sequência que abre o filme ao exibicionismo que coloca o motoqueiro no literal globo da morte, Cianfrance claramente busca a aura de seu discurso, posteriormente revelado. Luke nos é apresentado como uma espécie de gladiador da instituição familiar apesar do julgamento que sua aparência pode trazer.

Mas no intuito de O Lugar Onde Tudo Termina, algumas regras podem ser quebradas, inclusive as da narrativa clássica, e isto não significa uma boa idéia. O batido mosaico de relações se instala e a moral é imposta explicitamente, aqui norteada pelo papel de Avery (Bradley Cooper), policial que ilustra o lado mutante da integridade frente à corrupção. O filme que era um conto da mesma intensidade que Namorados Para Sempre toma um novo rumo e, ironicamente, não sabe para onde vai. Pois ao acompanhar diversas rotinas encadeadas por uma tragédia, o filme se torna uma longa e repetitiva fuga da mesmice, mas sem sucesso.

A idéia de ciclo e a imagem abstrata do vilão naturalmente esquecem a desintegração familiar – o mais interessante pilar narrativo - para desembocar num conto moral raso e previsível. O abismo moral usado por Cianfrance destoa completamente do ritmo de seus longos 142 minutos de filme. Porém, o clima soturno que envolve este mundo sinalizado pelos pinheiros de uma estrada bucólica está presente, tão pungente quanto à institucionalização do mal-estar perante os olhos do que chamamos de “justiça”. Um dos poucos acertos do filme.

O Lugar Onde Tudo Termina (The Place Beyond the Pines, EUA, 2013) de Derek Cianfrance

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