Sobre a V Semana dos Realizadores

Terminou na última quinta-feira (28) a quinta edição da Semana dos Realizadores que premiou "Avanti Popolo" de Michael Wahrmann como melhor longa-metragem. Algumas palavras sobre os filmes vistos:


MORRO DOS PRAZERES (Idem, Brasil, 2013) de Maria Augusta Ramos
Crítica completa aqui.

DOCE AMIANTO (Idem, Brasil, 2013) de Guto Parente e Uirá dos Reis
Crítica completa aqui.

AVANTI POPOLO (Idem, Brasil, 2012) de Michael Wahrmann

 Cinema para celebrar, para unir, para lembrar, para retornar. Eis uma obra que delineia com extrema sutileza a postura política do Brasil conforme o "desenvolvimento" do cinema. Ter Carlos Reichenbach como protagonista é um grande acerto por sua história, postura e cinefilia desgarrada. Um filme de tamanha ternura e ágil em seus momentos de crítica.

DEPOIS DA CHUVA (Idem, Brasil, 2013) de Cláudio Marques e Marília Hughes

Pode-se dizer que Depois da Chuva é um filme que intenta a desenhar espectros que abraçam uma "época", pois o que vemos não é uma declaração explícita de nostalgia ou retrato político da era ou um filme de caminhos explicitamente dramáticos. A união das três sugestões cria um filme terno, que nunca pertenceu aos seus personagens. A rebeldia adolescente, abraçada ao cenário punk de Salvador da época à ausência dos pais traz ao jovem Caio combustível para questionar o entorno político sem esperar que a questão de índole e comportamento viesse à tona. 

APRENDI A JOGAR COM VOCÊ (Idem, Brasil, 2013) de Murilo Salles

Murilo Salles e equipe acompanham a rotina do "DJ" Duda, mais conhecido como volátil homem de negócios no meio musical de Brasília. Nela vemos que Duda tem a noção que o documentário pode ser manipulado - como um jogo -  e que dá suma importância para o sucesso, mesmo que ele seja artificial. A direção sugerida por Duda cristaliza o "jeitinho brasileiro", seja para a imponência ou para pagar suas contas. A escolha do personagem para a produção deste filme direcionado à série "És Tu, Brasil" é justificada no bloco batizado de "Pesquisas", onde Duda protagoniza uma das melhores cenas de 2013 ao posicionar mise en scène e verdade no mesmo patamar.

EXILADOS DO VULCÃO (Idem, Brasil, 2013) de Paula Gaitán

 Das panorâmicas que esbarram em O Homem de Londres (Béla Tarr, 2007), da idéia de um mundo próprio à exigência comum que filmes sensoriais e contemplativos carregam, Exilados do Vulcão se revela como um exercício muito maior que as fronteiras estéticas; podemos acompanhar em extremos opostos dois amantes atrás da memória. O tempo, subjetivo cobra e massacra seus personagens da mesma forma que se declara às sensibilidades que a rotina carrega.


LINZ - QUANDO TODOS OS ACIDENTES ACONTECEM (Idem, Brasil, 2012) de Alexandre Veras
Um filme composto pela estranheza. O corpo é estranho diante da imensidão, esta que guarda literalmente uma tragédia. Estranhos também são os moradores do vilarejo, que mais parecem assombrados que contentes com sua rotina pacata. Eis um filme que existe no intervalo, na relação angustiante do homem com o espelho, aqui em sua mais bela forma. 

OS DIAS COM ELE (Idem, Brasil, 2013) de Maria Clara Escobar

Assim como Aprendi a Jogar com Você, o filme de Maria Clara Escobar entrega o filme ao protagonista, no caso, o pai de Maria Clara, o dramaturgo Carlos Henrique Escobar, que narra, de forma diagonal, a sua história e o relacionamento com a filha, distante e bastante respeitoso, mas o suficiente para compor um dos filmes mais belos da Semana. 
 

SOPRO (Idem, Brasil, 2013) de Marcos Pimentel

Sopro se passa no espaço etéreo entre vida e morte. Na angústia da espera, na certeza que tudo é tão belo quanto frágil. Passado em um vilarejo isolado, onde o silêncio é ensurdecedor, o filme de Pimentel usa o ambiente, assim como Linz - Quando Todos os Acidentes Acontecem, como maior espelho do medo e da certeza.

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