DISTANTE NÓS VAMOS



A versatilidade de Sam Mendes é admirável. Da catarse emocional de Foi Apenas Um Sonho para a leveza espiritual de Por Uma Vida Melhor, Mendes mostra sua capacidade de passear por assuntos e diferentes formas de se fazer cinema. É certo que estamos diante do próximo filme-cult-com-fãs-pentelhos. Mas o longa faz por onde. Ele tem sua base fincada numa forma contemporânea de se fazer comédias do chamado “cinema independente americano”.

 O trampolim de suas piadas e situações é criado a partir de choque de culturas ou pelo conflito entra a suma importância e a displicência de costumes diferentes. Recheada com trilha sonora folk e aura modernosa, o filme preza pela compaixão e respeito mútuo e ainda acha espaços para fazer pequenas criticas a maneira comodista de se manter um relacionamento.

É uma tarefa difícil conseguir envolvimento total da platéia quando se constrói um filme em um formato que é usado aos borbotões na atualidade. Mas, por se focar no cotidiano e na naturalidade para conduzir seus diálogos e a narrativa, Mendes nos entrega algumas pérolas saídas dos coadjuvantes, sem tirar o brilho dos protagonistas. Estes que enfrentam a chegada da filha e a falta dos pais para ajudar na criação. Sem obrigações sociais, os dois, resolvem ir atrás  do lugar ideal para criar sua filha.

Sem mexer no time que começa ganhando já de goleada, conhecemos as fraquezas de cada um e o que almejam da vida, sempre rodeado de situações que levam ao riso. Sem rostinhos bonitinhos ou exageros para ganhar uma empatia urgente, Sam Mendes nos presenteia - depois de tanta tensão em seus filmes anteriores -  com um filme delicioso.

Distante Nós Vamos (Away We Go, EUA/Inglaterra, 2009) de Sam Mendes

Comentários

  1. Away We Go era um filme que achava que ia estourar na temporada, mas não... a campanha está abaixo da esperada. Ainda assim é Sam Mendes, diretor pelo qual tenho grande admiração. Mais um título que espero poder ver na Mostra SP.

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  2. Torço pra que o Mendes tenha tomado juízo, o diretor de BELEZA AMERICANA sumiu do mapa. A catarse emocional de REVOLUTIONARY ROAD passou batida por mim.

    Abraço!

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  3. Estou surpreso. Pelo trailer, julguei ser um filme chato e metido a "alternativo". Com Mendes não se brinca...

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  4. Considero Mendes um dos melhores cineastas em atividade. Então ler que ele acertou (novamente) é super recomfortante.

    Quero MUITO ver este filme... e logo!!

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  5. Estou bem curioso para ver esse filme do Sam Mendes, até porque parece ser um tanto diferente do que estamos acostumados em relação ao diretor - sem falar que seus comentários são animadores.

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  6. Sam Mendes nunca se é de descartar ... então ... Espero por este!

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  7. pra mim esse filme vai continuar sendo o "distante nós vamos" que vi no festival do rio, esperando apenas pelo john krasinski, e recebendo uma das mais sensíveis e contemporâneas experiências do festival.

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