KICK-ASS - QUEBRANDO TUDO

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Filmes de heróis chegaram às telas aos borbotões na última década. Muitos com diretores com cacife suficiente para justificar a compra de ingresso como o caso de Zack Snyder (Watchmen) e Sam Raimi (a trilogia Homem-Aranha), mas poucos realmente se aventuraram em um terreno que desconstrua super-heróis além de um formato acessível a grandes públicos. É o que acontece em Kick-Ass – Quebrando Tudo. A adaptação da graphic novel de Mark Millar e John Romita Jr. para os cinemas consiste na inovação na desmistificação de heróis e em interessantes fragmentos de referências - e isto deve ser visto com bons olhos. É divertimento, é comédia adolescente, incorreto e extremamente violento, mas o que chama mais atenção da obra é como o filme de Matthew Vaughn é composto por caminhos tortuosos para o que chamamos de “blockbuster”.

Vaughn soube bem como montar esse mosaico sem que o lado autoral seja apagado. Em devidas proporções, Quentin Tarantino é o nome mais lembrado durante o filme por ser mestre na construção de referências. Não só por equalizar o humor com a violência sem que nenhuma dessas colunas para o roteiro caia em ostracismo, mas pela linguagem utilizada.  Justifica-se o som e sua ausência, a transformação do cinema em espetáculo em sequências bem amarradas e a utilização de macetes do cinema clássico como o narrador, elipses e a divisão de gêneros e aspectos modernos como a montagem frenética.

A habitual censura hollywoodiana dá o lugar para o diretor explicitar suas inspirações em Scarface e Pulp Fiction sem complexidades narrativas ou imersões existenciais. A cartilha é sim a do cinema pipoca, mas a busca por uma inovação do gênero, mesmo que sutil, dá ao filme a peculiaridade necessária para arrematar uma nova identidade. A possibilidade que o mundo dos quadrinhos e do cinema dá ao diretor é exposta em sequências geniais e deliciosas, como por exemplo, a que Hit Girl, uma menina de onze anos, sozinha, aniquila capangas ao som de “Bad Reputation” de Joan Jett e depois foge de um homem que segura uma bazuca. Esses absurdos representam bem o clima de Kick-Ass – Quebrando Tudo. É descompromissado, mas faz o trabalho com uma qualidade que muitos gostariam de ter quando o assunto é adaptação de uma história em quadrinhos:  ousadia.

Kick-Ass – Quebrando Tudo (Kick-Ass, EUA, 2010) de Matthew Vaughn

Comentários

  1. Adorei esse trailer quando o assisti nos cinemas recentemente e as excelentes opiniões que ando lendo sobre "Kick-Ass" são mais que suficientes para me fazer querer MUITO assistir ao filme.

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  2. Esse filme parece ser muito bom mesmo, só pelo fato de ser diferencial em relação a outros filmes de "super heróis", onde esses descobrem ter algum poder invensível para combater o mal ou descobrem ser mutantes e etc...Agora "Kick-Ass" mostra que para se defender e combater os "vilões" não é necessário ter super poderes, e sim armas de fogo, revolveres, bazucas e muita habilidade, claro! e independente se for adulto, ou apenas uma adolescente, como retrata no filme! Tenho certeza que ação, comédia e muita adrenalina, não faltarão em Kick-Ass.

    Espero ve-lo em breve e obrigada pela dica Pedro! =)

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  3. Subindo pelas paredes querendo ver esse filme! E não chegou aqui, o maldito!

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  4. Ousadia é algo que não vemos muito em produções estadunidenses assim. Isso é que é atraente. Apesar do lado cômico, vou acabar vendo, com certeza.

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  5. Santo exagero, Batman.

    hahaha tô zoando, pedro. mas não achei grande coisa. tem essas qualidades todas que falou, mas eu fiquei cansado com 40 minutos de filme. sei lá o motivo. tava gostando muito no início, mas murchou.

    []s!

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