HaHaHa


Não há título mais apropriado para este filme de Hong Sangsoo, contemplado com o prêmio de melhor filme da mostra "Um Certo Olhar" no Festival de Cannes deste ano. No longa são desconstruídos diversos caminhos tomados pelo humor numa trama que apresenta os mesmos personagens sob dois pontos de vista diferentes.

Sangsoo aborda a inocência e sua ausência em momentos paradoxais. Já e o bastante para o diretor nos remeter à Monty Python, Chaplin e claro, o humor oriental sem cair no ativismo contemporâneo das "homenagens". A equivalência destas possibilidades surgem sem escadas para o riso por sabedoria de Sangsoo; A câmera é o maior condutor desta linguagem. Ela nos sugere o riso. Seus personagens estão na tela para serem objeto do ridículo, expostos às fraquezas sem pudor.

E assim vemos sequências memoráveis quando Sangsoo explora o absurdo com sutileza e o justifica pela identificação imediata do espectador. HaHaHa aborda a decadência sob um olhar extremamente humano e humanizado a ponto de debochar e entronizar seus personagens na mesma cena.

 
HaHaHa (Idem, Coréia do Sul, 2010) de Hong Sang-soo

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