O GAROTO DE LIVERPOOL


Longe de ser a cinebiografia definitiva de um dos maiores ídolos da música, O Garoto de Liverpool não ignora a importância do rock and roll para a vida e construção do caráter de John Lennon, mas tem foco em um período específico da vida do músico, para entendermos melhor como John transportava sentimentos em melodias e nas letras.

Em sua juventude, John foi exposto a disfuncionalidade de sua família, até então desconhecida e ofuscada por conta da presença de seu amado tio George. Ao mesmo tempo, o garoto conhecia o rock. Esta turbulenta época registrada pelas lentes de Sam Taylor Wood ganha uma potência absurda pelas atuações. Na mais simples sequência, é possível sentir que seu elenco parece cru o bastante para soar genuíno. Aaron Johnson mostra que pode viver a antítese do bobalhão vivido em Kick-Ass – Quebrando Tudo; Kristin Scott Thomas na pele da severa e protetora Mimi consegue explorar a dicotomica personalidade de sua personagem e parece domar a platéia a cada reação; Annie-Marie Duff poderia (ou deveria) ganhar indicações por melhor atriz coadjuvante como a “mãe” de Lennon.

Por esse período de descobertas e principalmente de escolhas, Taylor Wood ignora sensacionalismos e amarras em sua trama. No segundo ato fica bem claro que a intenção maior do diretor é deixar que o público crie as molduras de cada sequência, numa metáfora aos sentimentos e pensamentos do músico. Mesmo esbarrando em momentos rasos – e na insistência de mostrar toda insegurança de Lennon na pose de garoto malvado -, O Garoto de Liverpool rende cenas belas e arrasadoras enquanto apresenta o embrião dos Beatles.


O Garoto de Liverpool (Nowhere Boy, Reino Unido/Canadá, 2009) de Sam Taylor Wood

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