MINHA TERRA, ÁFRICA


 Maria (Claire Denis) mora em um local devastado pela guerra civil. Em qualquer esquina, é possível ver rastros de violência. Ela tem uma plantação de café e se  mudar está fora de cogitação, pois alega ter laços sentimentais com o local. O café produzido por Maria, segundo os locais, não é consumido por eles. Esta é a saída para distorcer a visão sob a tensão racial em Minha Terra, África.

 O único canal que assume a voz dos “rebeldes” é uma estação de rádio que toca música jamaicana e assume postura radical sobre os conflitos. Maria e sua família, composta apenas por brancos podem atrair a segurança e reiniciar o banho de sangue. Maria representa a coragem. André, seu ex-marido, a submissão. O filho deles, a personificação da situação por completo. A linguagem cinematográfica de Claire Denis parece empacotada na plástica, mas não é. A câmera na mão seria uma saída fácil para aumentar essa tensão, mas nas mãos da diretora, o dispositivo serve para captar uma silenciosa catarse.

 Nas brechas é que a diretora constrói o emocional dos personagens e no último ato solta o pino da granada. Imprevisível e sem um senso de justiça – como a vida é – Denis explora os dois extremos da moeda. Não existe bandido e mocinho. Muito menos o que é certo e errado numa guerra onde a tensão racial está acima de qualquer ato. Ordinário apenas na casca e por alimentar uma narrativa linear, o longa guarda em muitas sequências sugestões para bons e longos momentos contemplativos.

 
Minha Terra, África (White Material, França, 2009) de Claire Denis

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