SCOTT PILGRIM CONTRA O MUNDO


As críticas a adaptação cinematográfica da HQ Scott Pilgrim contra o Mundo falam sobre o poço de referências e o culto a cultura geek, mas notei que poucos citaram como a transposição da identidade visual de pilares deste nicho como os videogames, programas de TV e os quadrinhos foram idealizados e construídos pelo diretor Edgar Wright. O filme tem a força da genuinidade por justamente se assumir como um conjunto de retalhos e criando, assim, uma nova identidade para uma história simples e uma divertida imersão num de jogo de adivinhação de onde cada tirada do filme vem.

Wright vai além dos enquadramentos e a divisão da tela para remeter às histórias em quadrinhos. Seus movimentos de câmera dão impressão de estarmos com a mesma noção de profundidade que temos ao ver/ler um gibi e no momento certo, manipula, inverte tudo que havia construído. Contemporâneo e peculiar, Scott Pilgrim parece voar e acontecer na velocidade que seu público responde mensagens via celular ao mesmo tempo em que capta a bagagem pop que o filme possui.

E o grande êxito de Scott Pilgrim é que nada é feito com o propósito de criar uma obra/produto com identidade a partir influências incrustadas, e sim criá-la baseada em pilares ou ícones de possível assimilação e reconhecimento do nicho, digamos, “homenageado”. E assim, Edgar Wright acerta mais uma vez e cria nova dimensão e interpretação da linguagem cinematográfica. Mesmo que crie barrigas no andamento do filme ao saturar a fórmula, ver o baixista nerd Pilgrim derrotar os ex-namorados de sua amada é divertidíssimo.

 
Scott Pilgrim contra o Mundo (Scott Pilgrim vs. the World, EUA/Canadá/Inglaterra, 2010) de Edgar Wright

Comentários


  1. 187.111.246.97
    Enviado em 08/11/2010 as 17:37

    Ainda não assisti a este filme, mas os comentários estão me deixando muito animadas para isso! Espero que possa ver a obra em breve.

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  2. Estava pensando em ver no domingo, mas estreou em poucas salas paulistanas. Não conheço a obra original, mas parece mesmo divertido ver o protagonista enfrentando tantos personagens excêntricos. Só espero que não resulte em um novo "Speedy Racer".

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  3. Não me conformo que não vai estrear no Rio! :T

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